EDITORIAL: DE LUTHER KING A OBAMA – SONHOS E PESADELOS

Barack Obama venceu claramente as eleições presidenciais e vai cumprir um segundo mandato. Durante a campanha, Mit Romney tentou  explorar as dúvidas que, sobre a gestão da economia, se apresentavam como um calcanhar de Aquiles do democrata. Após uma campanha animada (e cara – dois mil milhões de dólares), com o habitual folclore que apresenta a face mais caricata dos Estados Unidos onde, à margem destas manifestações de tontice política, há pessoas de grande qualidade intelectual, depois de todo o carnaval, tudo ficou como estava – um presidente democrata, um Congresso dividido: o Senado dominado pelos democratas e a Câmara dos Deputados com liderança republicana.

Obama no seu discurso de vitória disse as banalidades esperadas, entre elas a de que ouvirá os dois lados e que irá voltar à Casa Branca mais determinado do que nunca para enfrentar os desafios do país. Por seu turno, Romney, reconheceu a derrota num discurso civilizado e  telefonou para Obama, felicitando-o. “É um momento de grandes desafios para a América, e rezo para que o presidente tenha sucesso ao guiar nossa nação.”

I have a Dream, disse, perante mais de duzentas mil pessoas, Martin Luther King naquele dia 28 de Agosto de 1963 nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, no culminar de uma histórica Marcha de Washington pelo Trabalho e pela Liberdade, num momento crucial  do Movimento Americano pelos Direitos Civis. E nesse sonho dominava o anseio por uma igualdade plena de direitos para brancos e negros. Completam-se 50 anos e o sonho parece ter transformado em realidade, com um negro a ser eleito pela segunda vez para a Casa Branca.

Um negro provou que pode ser tão competente como um branco a fazer seja o que for. Quem não era racista, já o sabia. Obama provou que um negro pode dirigir a nação mais poderosa do mundo e, tal como um branco o faria, converter em pesadelos os sonhos de muitos milhões de pessoas na América Latina, na Ásia, em África, na Europa…

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