Site icon A Viagem dos Argonautas

POESIA AO AMANHECER (25) – por Manuel Simões

José Carlos Ary dos Santos – Portugal

( 1937 – 1984 )

SONETO DO TRABALHO

Das prensas dos martelos das bigornas

das foices dos arados das charruas

das alfaias dos cascos e das dornas

é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas

não se abre a liberdade com gazuas

à força do teu braço é que transformas

as fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante

a reacção não passará diante

do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.

Agora é que o mar canta é que o sol arde

pois quando o povo acorda é sempre cedo.

(de “Abril. 30 anos trinta poemas”)

Estreia-se como poeta com “A liturgia do sangue” (1963).  Tornou-se mais conhecido como autor de poemas para canções (“Desfolhada”, “Tourada”, por exemplo), de que terá escrito centenas de composições. Os seus textos foram cantados por intérpretes de grande nível (Amália, Carlos do Carmo, etc.). Ainda em 1984, publicou-se o volume “VIII Sonetos de Ary dos Santos”, com estudo de Manuel Gusmão. À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas (“As palavras das cantigas”) que deveria reunir a produção poética dos últimos quinze anos.

 

Exit mobile version