
José Carlos Ary dos Santos – Portugal
( 1937 – 1984 )
SONETO DO TRABALHO
Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.
Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.
Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.
Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.
(de “Abril. 30 anos trinta poemas”)
Estreia-se como poeta com “A liturgia do sangue” (1963). Tornou-se mais conhecido como autor de poemas para canções (“Desfolhada”, “Tourada”, por exemplo), de que terá escrito centenas de composições. Os seus textos foram cantados por intérpretes de grande nível (Amália, Carlos do Carmo, etc.). Ainda em 1984, publicou-se o volume “VIII Sonetos de Ary dos Santos”, com estudo de Manuel Gusmão. À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas (“As palavras das cantigas”) que deveria reunir a produção poética dos últimos quinze anos.

