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Lançamento de OUTRO CAMINHO, um livro de Carlos Leça da Veiga

Ontem ao fim da tarde, com temperatura elevada nas ruas, numa sala do Hotel Continental, em Lisboa, o ambiente era também caloroso. Carlos Leça da Veiga fazia o lançamento do seu livro OUTRO CAMINHO rodeado de quase uma centena de amigos.

José da Ponte, o actual dono das Edições Salamandra, a editora que seu pai Bruno da Ponte criou em 1985, interveio  em primeiro lugar, explicando com bom humor  como surgiu a ideia de publicar Outro Caminho.  E deu a palavra ao Coronel Otelo Saraiva de Carvalho, autor do prefácio da obra.

Otelo fez uma intervenção onde, privilegiou a defesa da utopia – Contou como, quando estabelecia contactos para as missões do 25 de Abril, a maioria dos contactados o aconselhava a desistir, a não se meter em alhadas, a não embarcar em utopias…Contou também como, estando num lugar público, foi abordado por uma senhora que, agarrando-lhe o braço, e com as lágrimas correndo pela face, lhe agradeceu o 25 de Abril e comentou, que nada restava do que se conquistara… E neste episódio cabe o passo que vai da utopia à desilusão. Aos militares de Abril que, com vigor e generosidade, nos deram o país limpo de ratazanas onde podámos ter construído uma democracia autêntica, forma sucedendo políticos «pragmáticos» que, uma a uma, foram eliminando as chamadas conquistas de Abril. O Programa do MFA especificava que o movimento zelaria pela dignificação da vida dos portugueses, em termos políticos, económicos, sociais, culturais. Medida a medida, esses direitos foram sendo retirados e hoje a democracia passou a ser um redil onde, aparte a liberdade de eleger tudo se passa como numa oligarquia.

E Otelo referiu a original leitura da realidade que o livro de Carlos Leça da Veiga faz, bem como o rumo que OUTRO CAMINHO propõe. De certo modo, repetiu o que diz no prefácio, que termina com estas palavras: «Ele (Leça da veiga) tem a sua própria proposta» (…) «Como subtítulo do trigésimo capítulo desta sua obra, apresenta-nos uma meia frase em que admite serem reformas visionárias as que neste seu livro propõe: “Utopia que seja”. Mas logo a faz seguir de ponto e vírgula para concluí-la com um desafio: “quem quererá partilhá-la?”

Claro que eu sou dos que quero, meu caro Leça. Sabendo que aquilo que é hoje utopia, pode transformar-se em realidade. Entre tantos milhares de casos que a História da Humanidade nos oferece, recordemos sempre aquele que está ainda tão próximo, o 25 de Abril de 1974, um dos felizes acontecimentos protagonistas desta obra, provocadora, marcante e imprescindível nas estantes da vasta biblioteca do panorama político nacional:»

O autor fez então uma comovida intervenção onde declarou que, mais do que a publicação do livro, o emocionava o facto de ver tantos amigos em seu redor. E pôs em causa o carácter democrático do sistema que nos rege e que rege grande parte dos países do chamado Ocidente. Elogiou a figura de Otelo, o estratega do 25 de Abril, o homem que provou que a utopia se pode converter em realidade.

Terminou com uma frase de humor, o fino humor de Leça da Veiga – agradecia tanto a presença dos amigos que os queria compensar. E disse – «estão dispensados da obrigação de ir ao meu funeral».

Uma sessão de lançamento calorosa. Voltaremos a falar do livro.

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