(Continuação)
É claro que Portugal não liderou movimento algum, embora algumas medidas positivas tivessem sido tomadas por governos socialistas, as quais, com a justificação da crise, tenderão a morrer.
É uma discussão que deve continuar; a nível europeu, no mínimo, seria o desejável. No entanto, a experiência portuguesa dos últimos anos já despertou a atenção em outros países, nomeadamente Grã-Bretanha e Estados Unidos da América, como se pode verificar no que Ivete Carneiro escreve no Jornal de Notícias de 2009-04-11, sob o título «Descriminalização de drogas em Portugal surpreende nos EUA», de que transcrevemos:
«Glenn Greenwald poderá abusar da adjectivação no relatório “Descriminalização da droga em Portugal: lições para criar políticas justas e bem-sucedidas sobre a droga”. Mas tem o mérito de ter chamado a atenção para o que por cá se faz em matéria de luta contra a toxicodependência. No documento apresentado na semana passada no Cato Institute de Washington, fala de “sucesso retumbante”. E fá-lo comparando Portugal com a Europa e com os EUA.
Desde 1 Julho de 2001 (Lei n.º 30/2000, de 29 de Novembro), a aquisição, posse e consumo de qualquer droga estão fora da moldura criminal e passaram a ser violações administrativas. Desde então, o uso de droga em Portugal fixou-se “entre os mais baixos da Europa, sobretudo quando comparado com estados com regimes de criminalização apertados”. Baixou o consumo entre os mais jovens e reduziram-se a mortalidade (de 400 para 290, entre 1999 e 2006) e as doenças associadas à droga.
Proibido? Sim, mas sem prisão.
Porquê? Porque, adianta Greenwald, Portugal ofereceu mais oportunidades de tratamento. E cita peritos que atribuem esta mudança de abordagem à descriminalização. Por partes: consumir continua a ser proibido. Mas já não dá prisão. Quando muito, dá uma multa. Na maioria dos casos, uma reprimenda. E o encaminhamento para o tratamento.»
Retomemos a viagem… que já vai sendo tempo. Talvez não seja muito apropriado falar do que se passa em Portugal quanto ao problema da droga quando o nosso objectivo é falar da viagem pela Turquia. Continuemos então:
Parámos em Konya para almoçar, o que aconteceu num hotel de «luxo árabe», seguindo-se a visita ao Convento/Museu de Mevlâna,
que não pode fotografar-se/filmar-se no seu interior. Temos acima uma imagem do pátio exterior, por onde começámos a visita.
O antigo convento, hoje museu, foi fundado por Mevlâna Celaletim Rumi, um poeta místico. Antes de Mevlâna, o claustro foi utilizado pelos dervixes. Entra-se pelo pátio, rodeado pelas antigas células dos derviches e outras habitações e antigas cozinhas; passa-se para uma ante-sala, onde, ao que parece, os derviches liam o Corão. O edifício tem três cúpulas, sendo a principal coberta com azulejos de cor verde, sob a qual pudemos ver o túmulo de Mevlâna, feito de mármore azul e coberto com panos com passagens do Corão escritas em fios de ouro. Também se encontra no edifício o túmulo do seu pai e do seu filho Sultão Veled, assim como, segundo nos foi dito, dezenas de sepulturas de familiares masculinos de Mevlâna. Também vimos os instrumentos de música que, tocados pelos discípulos de Mevlâna, acompanhavam os Derviches nas suas danças, assim como tapetes feitos à mão e ainda um pequeno museu etnográfico.
(Continua)
