por Rui Oliveira
Tudo terá lugar no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h (repetindo-se na Sexta 16 às 19h) com a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro George-Elie Octors, acompanhada pela meio-soprano Sara Fulgoni com Jean-Luc Fafchamps ao piano.
Antes de Das Lied von der Erde: Der Abschied num arranjo de Arnold Schönberg será representada, também de Gustav Mahler, a peça 3 Abschied.
Reunidos, um pouco acidentalmente em Triburgo (Holanda) em 2008, entraram em digressão internacional quase desde essa data.
Afirma o promotor : “Reijseger é um dos maiores violoncelistas da atualidade, um mestre na improvisação. Participa e dirige vários projetos, no jazz, na música improvisada e na música do mundo. Impressionante é vê-lo e ouvi-lo tocar o violoncelo, deitado no seu colo, como se fosse uma guitarra.
Mola Sylla é um músico e cantor senegalês que utiliza a sua língua materna, o wolf, exímio no domínio dos instrumentos tradicionais do seu país, com uma larga carreira internacional.
Harmen Fraanje, apesar de jovem, é um pianista de jazz com grande currículo e requintada sensibilidade.
Dum concerto em Setembro de 2012 no Axesjazzpower em Eindhoven (Holanda) ouçamos :
Na mesma Culturgest, na sua Sala 2, às 18h30 da Quinta-feira 15 de Novembro, há uma instalação/performance dentro do ciclo “Vinte e Sete Sentidos” intitulada “The Secret Apprentice”.
Esclarece o artista : “ Não é a altura de afirmar nada. Tudo deve permanecer oculto na sua pura inanidade (e unanimidade) inabordável. Este respeito absoluto é a condição de uma possível germinação futura e a única mediação de um enigma que se confunde com a própria respiração do construtor. O construtor está dentro de uma parede diáfana entre dois vazios. O que poderá levá-lo a romper esse muro de vidro é a sua concentração num ponto em que a negação do exterior se pode converter na comunicação com o mundo. É neste convívio com a sua própria criação que o construtor encontra a palpitação primeira dos corpos e do seu próprio corpo. A textura mais secreta é o silêncio e é ele o principal fundamento da construção invisível. Tudo será construído no silêncio, pela força do silêncio, mas o pilar mais forte da construção será uma palavra. Tão viva e densa como o silêncio e que, nascida do silêncio, ao silêncio conduzirá.”
De início surgem Alexandre Soares (ex-GNR) e Ana Deus (ex-vocalista dos Ban e de Zero), membros dos anteriores Três Tristes Tigres e agora constituindo o “Osso Vaidoso” (esclarecem «Osso» porque as canções são simples, com a guitarra a assumir boa parte das despesas e «Vaidoso» porque só as palavras servem de adorno) que abordarão temas do seu recente disco “Animal”.(ver abaixo)
Segue-se Lucas Bora-Bora que apresenta, entre melodias e sintetizadores e caixas de ritmos (certo fascínio pelos anos 80) a “pop luminosa que o próprio aponta aos trópicos” do seu CD “Não há crianças em Las Vegas”. Há quem ache que, por trás do verniz, há um pensamento sério, com palavras que denotam a pertença a uma nova geração de escritores de canções, o que poderá ajuizar aqui http://youtu.be/aC78vQgdcDw .
Abaixo mostramos um tema de “Animal” de Alexandre Soares e Ana Deus :
Esta é dedicada à ópera “Lindane e Dalmiro” escrita em 1789 pelo compositor João Cordeiro da Silva (1735?-1808),“Organista e Compositor de Sua Majestade Fidelíssima na Capella Real da Ajuda” (como se intitula) e autor, entre outras, de obras dramáticas para os teatros régios da Ajuda, Queluz e Salvaterra sobre libretos de Carlo Goldoni, Pietro Metastasio e Gaetano Martinelli , além de responsável por grande parte das produções operáticas na corte, incluindo a adaptação das óperas de Jommelli para as condições locais (segundo Cristina Fernandes).
Interpretam os trechos os cantores Sandra Medeiros, Raquel Luis, Ana Franco, Carolina Figueiredo, Carlos Guilherme, João Merino e Hugo Oliveira.
A primeira encenação no Algarve de Luís Vicente teve este resumo vídeo :
Também o Teatro Taborda (Costa do Castelo, nº 75, Lisboa) estreia na Quinta-feira 15 de Novembro às 21h30, a criação do Teatro da Garagem para Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura “Mediatron” com texto e encenação de Carlos J. Pessoa e com Alessandra Armenise, Emanuel Arada, Maria João Vicente, Mariana Guarda, Miguel Mendes, Nuno Nolasco e Nuno Pinheiro como intérpretes.
Pretende o autor esclarecer : “ A partir da palavra media (ou media) e da palavra theatron (ou teatro), surgiu Mediatron. O híbrido pode resultar numa monstruosidade como o Minotauro. Os minóicos arranjaram uma solução criando o Labirinto onde o Monstro se poderia albergar e os homens perderem-se, ou como Teseu, o herói, matar a criatura…
… Sobreviver nos tempos que correm implica, creio, um suplemento de convivialidade; uma entrega aos outros, e à incerteza. Sem ver na incerteza uma fatalidade, mas uma oportunidade para reconhecer aquele que se dirige a mim ou, a quem me dirijo…
…Todos, ao que pressinto, mergulham no mar tranquilo, num regresso, fuga, ou numa regeneração, transformando-se em bichos aquáticos, de uma maravilhosa dignidade e destreza. Como o vento que sopra bandeiras com símbolos desmaiados. Não há sublime, não há beleza, talvez só exista existirmos, confiadamente, uns nos outros, sorrindo de nós, sorrindo dos outros, sem escamotear a inteligência que nos assiste e a cidadania que nos informa”.
Para a leitura daquele poema marcante de Álvaro de Campos propõe-se “ expor o público no escuro da sala de teatro em certos momentos, colmatado com pequenos apontamentos de multimédia, permitindo, ao espectador viajar num delirante momento de sonho acordado, num magnífico exercício de descoberta do mistério pela linguagem poética, captando e sentindo visualmente as palavras, tal como, um simples leitor sente à medida que lê o seu livro, à sua maneira…”
Compõem-no, além compositor e saxofonista Ohad Talmor (co-actuante de Lee Konitz, Steve Swallow ou Jason Moran), o guitarrista Miles Okazaki (colega de Steve Coleman, Kenny Barron, Chris Potter, etc) e o baterista Dan Weiss (companheiro de Vijay Iyer, Dave Binney, Rudresh Mahanpatta e outros).
Este grupo, um dos mais visíveis (segundo o Hot Club) e considerados da actual cena novaiorquina, pratica um misto de “original music blending multi-medias” e “groove based lyrical compositions”.
Eis uma sua recente actuação ao vivo no “Bird’s Eye” em Basileia (Suiça) :
Para além de falar sobre as actividades desenvolvidas pela Fundação, Lilian Thuram, vindo a convite do Institut français du Portugal e no âmbito do programa Próximo Futuro da FCG, irá participar num debate com o público sobre as várias formas de racismo.
Há tradução simultânea e transmissão online.
Ao anunciá-lo diz-se :
Será que, passados trezentos anos do seu nascimento, a voz de Rousseau sobre as ciências é ainda audível? Que sentido podem ter hoje as páginas que Rousseau dedicou à análise das ciências do seu tempo? Será que os seus pressentimentos críticos se cumpriram? E de que modo a sua obra, malgrado os remoques anti-cientistas de que está salpicada, foi determinante para a constituição das futuras ciências humanas, da antropologia às ciências da linguagem, da psicologia à pedagogia, da economia à política?”
Aos leitores que lá forem de avaliar.
E ainda a 15 de Novembro (Quinta-feira) realiza-se no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, a partir das 10h, o Colóquio Internacional “Desvendando o Teatro: Criatividade, Públicos e Território” pretendendo responder às seguintes questões enquadrantes :
Neste colóquio, Lucien Karpik (“Valuing the Unique”, 2007, 2011) e Ann Markusen (“Creative Placemaking”, 2010) dialogam sobre o valor dos mercados singulares, a criatividade, os públicos, mostrando como é que a arte, a cultura e o teatro em particular dão contribuições especiais para o desenvolvimento das economias locais, promovem a competitividade e geram emprego.
Juntam-se a esta discussão os investigadores portugueses reconhecidos pelos seus trabalhos na área da cultura, arte, públicos, dinamização cultural, território, e apresentam-se novas linhas de investigação, plataformas colaborativas e de atuação para pesquisas futuras. O debate alarga-se aos decisores políticos, artistas, produtores culturais, jornalistas, todos os investigadores interessados e comunidade em geral.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )


