Pentacórdio para Quinta 1 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

                  

ROSEMARY JOSHUA (soprano) MARY PHILLIPS (meio-soprano) J. DAVID JACKSON (maestro) ROBIN TRITSCHLER (tenor) JOHANNES WEISSER (barítono)

 

   Na Quinta-feira 1 de Novembro o acontecimento de vulto é provavelmente a primeira récita da oratória de Georg Friedrich Händel com o nome Messias, HWV 56, a ser apresentada no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h (sendo a segunda récita na Sexta 2, às 19h).

   Serão intérpretes o Coro e Orquestra Gulbenkian sob a direcção do maestro (e também compositor) inglês J. David Jackson, tendo como solistas Rosemary Joshua (soprano inglesa), Mary Phillips (meio-soprano norte-americana), Robin Tritschler (tenor irlandês) e Johannes Weisser (barítono norueguês) e acompanhamento do instrumentista norte-americano Michael Leopold (alaúde, guitarra, tiorba) (ao lado).

   O texto será cantado em inglês, com legendas em português.

   Dos cantores intervenientes, o único que tem um registo acessível que faça antever a sua interpretação é Johannes Weisser, que aqui canta a ária “Why do the Nations” :

 

   Se o leitor pretender ouvir uma versão integral tem (agradecendo ao YouTube) aqui uma recente (Dezembro de 2008) pela New York Philharmonic (dir. Ton Koopman) com a soprano Sunhae Im, o contra-tenor Andreas Scholl, o tenor Jörg Dürmüller e o barítono Detlef Roth no Avery Fisher Hall de Nova Iorque :

 

 

 

   Na mesma Quinta-feira 1 de Novembro  desce à capital o início da Mostra de Teatro do Brasil, peça central das iniciativas do “Ano do Brasil em Portugal”, com o show “Bibi Ferreira em Concerto” na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h, que se repete a 2 e 3 de Novembro.

   No ano em que comemora 90 anos, Bibi Ferreira protagoniza um espectáculo onde lembra as grandes comédias musicais que fez e em seguida dá um passeio pela música popular brasileira, apresentando canções de diversos géneros e décadas, desde o repertório romântico de Elizeth Cardoso à música de Sergio Ricardo, passando por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Paulo Pontes, entre outros. Destaca-se ainda a interpretação de temas de Amália Rodrigues e de Edith Piaf, outra figura feminina vivida em palco por Bibi Ferreira.

   A criação e selecção de textos do espetáculo é de Bibi Ferreira, Flávio Mendes, Nilson Raman, colaborando na regência, guitarra e violão Flávio Mendes e no piano Itamar Assiere.

   Há vinte anos (1992) já Bibi Ferreira apresentara na TV Globo o que chamou um “pot pourri romântico” da sua carreira até então (ver abaixo) :

 

 

 

   No campo teatral, ainda, o Teatro da Cornucópia estreia nesta Quinta-feira 1 de Novembro, às 21h, no Teatro do Bairro Alto (Rua Tenente Raul Cascais nº 1ª) “Os Desastres do Amor” ou “Fortuna Palace”,  uma adaptação e colagem das seguintes peças em um acto ou diálogos de  Pierre de Marivaux : L’Amour et la Vérité (1720), Le chemin de la Fortune(1734), La réunion des amours (1731), Félicie (1757) e frases de Le Cabinet du Philosophe(1734).

   A tradução e organização dos textos originais é de Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra, o qual é o responsável pela encenação. O cenário e figurinos são de Cristina Reis.

   Do elenco fazem parte José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Nuno Nunes, Rita Durão, Rita Blanco, Sergio Adillo, Sofia Marques, Teresa Madruga e Vitor de Andrade.

   Da sinopse que A Cornucópia faz consta : “ Felícia, uma viúva elegante e bem posta, madura e bem conservada, passa férias no Fortuna Palace, hotel de que é dona uma fada sua madrinha. Felícia quer ser feliz, honesta, e ao mesmo tempo encontrar o novo partido que resolva a sua situação económica. A madrinha, prepara-lhe uma lição dolorosa que lhe mostrará como é o mundo, coisa que ela parece desconhecer.

   Cruzar-se-á com o deus Amor e com várias personagens daquele micro-mundo de ricos e parasitas que brincam aos deuses do Olimpo. Chega a haver vítimas: a Modéstia e o pobre “escort” de luxo a quem chamam Apolo, deus das Artes são assassinados. Felícia aprende a resignar-se à desilusão. O amor não tem lugar naquele Fortuna Palace. É uma comédia que pareceria dos nossos dias se eles tivessem tempo e espaço para pensar nestas coisas”.

 

 

 

   Tem início na tarde de Quinta-feira 1 de Novembro, às 19h30 no Átrio do Pequeno Auditório da Culturgest, a festa de dança e performance “Celebração”, desenhada por artistas que residem, circulam, se encontram e trabalham em Lisboa. Explicam :

   “ Celebração propõe, durante um fim-de-semana, espectáculos, conversas e uma festa que ocupa o teatro e cria uma janela experimental para modos de pensar e agir em conjunto … Não é uma cartografia da Dança e Performance que se faz em Lisboa, nem um retrato de geração ou de um grupo de artistas enquanto jovens. Celebração é, antes, um convite a olhar um recorte da diferença e multiplicidade de quem insiste em trabalhar aqui e agora e em tentar junto uma ideia … um convite a participar num encontro marcado com Lisboa, desenhado num movimento onde se cruzam afinidades, se estabelecem princípios de experimentação conjunta e se cria um presente que questiona as condições em que existiremos no futuro próximo”.

   Fazem a Celebração Andresa Soares, António Júlio, António Pedro Lopes, Cláudio da Silva, Elizabete Francisca, Gui Garrido, Hermann Heisig, João Calixto, Lígia Soares, Márcia Lança, Marianne Baillot, Nuno Lucas, Pieter Ampe, Rita Natálio, Sofia Dias, Teresa Silva, Vânia Rovisco e Vítor Roriz, entre muitos outros.

   As performances do dia são “Morning Sun” (foto à esquerda), uma criação e interpretação de Márcia Lança  João Calixto (21h) e “Still Standing You” (foto à direita), coreografia e interpretação de Pieter Ampe & Guilherme Garrido (22h30).

   O pormenor dos diversos 15 espectáculos a decorrer até à noite de Domingo encontra-se em :

http://www.culturgest.pt/actual/03-15-celebracao.html 

 

 

 

   Ainda na Quinta 1 de Novembro, numa co-produção CCB/Festival Temps d’Images, estreia na Sala de Ensaios do Centro Cultural de Belém, às 21h, o espectáculo de André Godinho e Paula Garcia intitulado “Venus <3 Adonis”, resultante da vontade de fazer uma ópera deliberadamente desprendida dos cânones de virtuosismo a que a ópera é associada.

   Em cena, os autores deste espectáculo, ambos leigos musicais, constroem um espaço, onde é interpretada, na medida das suas capacidades, a ópera barroca Venus & Adonis que John Blow compôs em 1683 para a corte de Carlos II de Inglaterra. Recorrem a um coro que acumulará as funções de orquestra.

   Todas as noites haverá um espectador diferente – a quem o espectáculo é dedicado e a quem se pretende agradar mais do que a todos –, a assistir ao espectáculo via Skype. A utilização deste meio tem não só uma importância conceptual, por criar um «rei» contemporâneo, como também formal, por estabelecer uma relação entre o palco e a imagem filmada – neste caso pela câmara do Skype.

   Permanece até 4 de Novembro.

   O tema musical inspirador (espera-se que não deturpado) deste exercício operático pode ter o seu Prólogo escutado aqui . O elenco é de luxo : Venus – Rosemary Joshua, soprano (curiosamente a solista do Messias de Händel cantado na Gulbenkian! ver acima), Adonis – Gerald Finley, barítono, Cupido – Ribin Blazem, contra-tenor, Pastora – Maria Cristina Kiehr, soprano, Pastores – Christopher Josey, contra-tenor, John Bowen, tenor e Jonathan Brown,baixo.

 

 

   Por último, no Ondajazz, às 22h30 desta Quinta-feira 1 de Novembro, canta Miroca Paris os ritmos e melodias tradicionais da música de Cabo Verde.

   Sobrinho de Tito Paris (com quem cantou), tem sido acompanhante de outros músicos desde Sara Tavares a Cesária Évora a cujas bandas pertenceu.

   Ouça-se a recente tema Poema Tropical  cantado (em gravação deficiente) no Bar B.leza :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )

 

 

 

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