Pentacórdio para Quinta 15 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Na Quinta-feira 15 de Novembro como que regressa (pós-greve?) a actividade cultural com inúmeras iniciativas a começar pela interpretação da coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker, artista residente no âmbito do projeto «Artista na Cidade» em Lisboa, numa co-criação com Jérôme Bel, pensada a partir da audição fascinada de Der Abschied, a parte final de “Lied von der Erde” (A Canção da Terra), de Gustav Mahler.

   Tudo terá lugar no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h (repetindo-se na Sexta 16 às 19h) com a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro George-Elie Octors, acompanhada pela meio-soprano Sara Fulgoni com Jean-Luc Fafchamps ao piano.

   Antes de Das Lied von der Erde: Der Abschied num arranjo de Arnold Schönberg será representada, também de Gustav Mahler, a peça 3 Abschied.

 

 

 

 

   Entretanto no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, pode escutar-se o Trio Reijseger, Fraanje, Sylla nesta Quinta-feira 15 de Novembro, constituído por Ernst Reijseger (violoncelo), Harmen Fraanje (piano) e Mola Sylla (voz, m’bira, xalam, kongoma).

   Reunidos, um pouco acidentalmente em Triburgo (Holanda) em 2008, entraram em digressão internacional quase desde essa data.

   Afirma o promotor : “Reijseger é um dos maiores violoncelistas da atualidade, um mestre na improvisação. Participa e dirige vários projetos, no jazz, na música improvisada e na música do mundo. Impressionante é vê-lo e ouvi-lo tocar o violoncelo, deitado no seu colo, como se fosse uma guitarra.

    Mola Sylla é um músico e cantor senegalês que utiliza a sua língua materna, o wolf, exímio no domínio dos instrumentos tradicionais do seu país, com uma larga carreira internacional.       

   Harmen Fraanje, apesar de jovem, é um pianista de jazz com grande currículo e requintada sensibilidade.

   Dum concerto em Setembro de 2012 no Axesjazzpower em Eindhoven (Holanda) ouçamos :

 

 

 

 

   Na mesma Culturgest, na sua Sala 2, às 18h30 da Quinta-feira 15 de Novembro, há uma instalação/performance dentro do ciclo “Vinte e Sete Sentidos” intitulada “The Secret Apprentice”.

   É uma concepção e respectiva performance do artista multidisciplinar João Silva sobre texto de António Ramos Rosa (com tradução de Olga Morais), com Som de Carlos Santos, João Silva e gravações de Campo Carlos Santos, Francisco Janes, João Castro Pinto, João Silva, Nuno Morão, Paulo Raposo, vídeo de Carlos Santos, Filipe Correia, João Silva, fotografia deFrancisco Janes, Diogo Barreiras, João Silva e cenografia de João Silva, Manuela Pacheco Figurino.     

   Esclarece o artista : “ Não é a altura de afirmar nada. Tudo deve permanecer oculto na sua pura inanidade (e unanimidade) inabordável. Este respeito absoluto é a condição de uma possível germinação futura e a única mediação de um enigma que se confunde com a própria respiração do construtor. O construtor está dentro de uma parede diáfana entre dois vazios. O que poderá levá-lo a romper esse muro de vidro é a sua concentração num ponto em que a negação do exterior se pode converter na comunicação com o mundo. É neste convívio com a sua própria criação que o construtor encontra a palpitação primeira dos corpos e do seu próprio corpo. A textura mais secreta é o silêncio e é ele o principal fundamento da construção invisível. Tudo será construído no silêncio, pela força do silêncio, mas o pilar mais forte da construção será uma palavra. Tão viva e densa como o silêncio e que, nascida do silêncio, ao silêncio conduzirá.”

 

 

 

 

   No Centro Cultural de Belém prossegue o Misty Fest na Quinta-feira 15 de Novembro com uma actuação dupla no seu Pequeno Auditório a partir das 21h.

   De início surgem Alexandre Soares (ex-GNR) e Ana Deus (ex-vocalista dos Ban e de Zero), membros dos anteriores Três Tristes Tigres e agora constituindo o “Osso Vaidoso” (esclarecem «Osso» porque as canções são simples, com a guitarra a assumir boa parte das despesas e «Vaidoso» porque só as palavras servem de adorno) que abordarão temas do seu recente disco “Animal”.(ver abaixo)

   Segue-se Lucas Bora-Bora que apresenta, entre melodias e sintetizadores e caixas de ritmos (certo fascínio pelos anos 80) a “pop luminosa que o próprio aponta aos trópicos” do seu CD “Não há crianças em Las Vegas”. Há quem ache que, por trás do verniz, há um pensamento sério, com palavras que denotam a pertença a uma nova geração de escritores de canções, o que poderá ajuizar aqui  http://youtu.be/aC78vQgdcDw .

   Abaixo mostramos um tema de “Animal” de Alexandre Soares e Ana Deus :

 

 

 

 

   Nesta Quinta 15 de Novembro  no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, às 21h, há mais uma das Leituras de ópera portuguesa organizadas sob a direcção musical de João Paulo Santos que as acompanha ao piano.

   Esta é dedicada à ópera Lindane e Dalmiro” escrita em 1789 pelo compositor João Cordeiro da Silva (1735?-1808),“Organista e Compositor de Sua Majestade Fidelíssima na Capella Real da Ajuda” (como se intitula) e autor, entre outras, de obras dramáticas para os teatros régios da Ajuda, Queluz e Salvaterra sobre libretos de Carlo Goldoni, Pietro Metastasio e Gaetano Martinelli , além de responsável por grande parte das produções operáticas na corte, incluindo a adaptação das óperas de Jommelli para as condições locais (segundo Cristina Fernandes).

   Interpretam os trechos os cantores Sandra Medeiros, Raquel Luis, Ana Franco, Carolina Figueiredo, Carlos Guilherme, João Merino e Hugo Oliveira.

 

 

 

 

   No campo teatral, exibe-se no Teatro da Comuna nesta Quinta-feira 15 de Novembro, às 21h30 a co-produção Companhia de Teatro de Braga (CTB) / A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA) ”Laço de Sangue” com texto do dramaturgo sul-africano Athol Fugard (1932- ,foto à direita)(com tradução de António Marques) numa encenação de Joaquim Benite, com cenário de Jean-Guy Lecat, luz de José Carlos Nascimento e intepretação de Mário Spencer e Rogério Boane. Permanece até Domingo 18/11 às 16h.

   A peça “Laço de sangue” (Blood knot, 1961) põe em cena dois irmãos – Morris e Zacarias – que, partilhando a mesma mãe negra, tiveram como pais um negro e um branco, circunstância que os fez nascer com diferentes tons de pele. Athol Fugard explora esta característica para traçar percursos diversos às personagens que, numa sociedade fortemente espartilhada pelo apartheid, como era a sul-africana, as levará justamente ao conflito e a uma fortuna totalmente distinta, com o rapaz mais claro suplantando sempre aquele que é marcado por um tom mais escuro.

   A primeira encenação no Algarve de Luís Vicente teve este resumo vídeo :

 

 

 

 

 

   Também o Teatro Taborda (Costa do Castelo, nº 75, Lisboa) estreia na Quinta-feira 15 de Novembro às 21h30, a criação do Teatro da Garagem para Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura “Mediatron” com texto e encenação de Carlos J. Pessoa e com Alessandra Armenise, Emanuel Arada, Maria João Vicente, Mariana Guarda, Miguel Mendes, Nuno Nolasco e Nuno Pinheiro como intérpretes.

   Permanece de Quarta a Domingo até 2 de Dezembro.

   Pretende o autor esclarecer : “ A partir da palavra media (ou media) e da palavra theatron (ou teatro), surgiu Mediatron. O híbrido pode resultar numa monstruosidade como o Minotauro. Os minóicos arranjaram uma solução criando o Labirinto onde o Monstro se poderia albergar e os homens perderem-se, ou como Teseu, o herói, matar a criatura…

… Sobreviver nos tempos que correm implica, creio, um suplemento de convivialidade; uma entrega aos outros, e à incerteza. Sem ver na incerteza uma fatalidade, mas uma oportunidade para reconhecer aquele que se dirige a mim ou, a quem me dirijo…

…Todos, ao que pressinto, mergulham no mar tranquilo, num regresso, fuga, ou numa regeneração, transformando-se em bichos aquáticos, de uma maravilhosa dignidade e destreza. Como o vento que sopra bandeiras com símbolos desmaiados. Não há sublime, não há beleza, talvez só exista existirmos, confiadamente, uns nos outros, sorrindo de nós, sorrindo dos outros, sem escamotear a inteligência que nos assiste e a cidadania que nos informa”.

 

 

 

 

   Inicia-se a 15 de Novembro (Quinta-feira) no Auditório Camões (Rua Almirante Barroso, 25 B, Lisboa) uma representação particular da “Ode Marítima” de Fernando Pessoa, numa criação e versão cénica de João Rosa sobre aquele texto do heterónimo pessoano, com um elenco composto por Artur Assunção, Delfina Costa, Helena Duarte, João Pires Silva e Lurdes Vinagre, sendo a videoarte de Ruben Sousa, o desenho de luz  e som de João Lacueva e as luzes de José Alvega.

   Para a leitura daquele poema marcante de Álvaro de Campos propõe-se “ expor o público no escuro da sala de teatro em certos momentos, colmatado com pequenos apontamentos de multimédia, permitindo, ao espectador viajar num delirante momento de sonho acordado, num magnífico exercício de descoberta do mistério pela linguagem poética, captando e sentindo visualmente as palavras, tal como, um simples leitor sente à medida que lê o seu livro, à sua maneira…”

 

 

 

   No campo do jazz, no Hot Clube (Praça da Alegria nº 48) o trio “Tziour” do norte-americano Ohad Talmor enceta nesta Quinta 15 de Novembro, às 23h, uma permanência de três dias (até Sábado 17).

   Compõem-no, além compositor e saxofonista Ohad Talmor (co-actuante de Lee Konitz, Steve Swallow ou Jason Moran), o guitarrista Miles Okazaki (colega de Steve Coleman, Kenny Barron, Chris Potter, etc) e o baterista Dan Weiss (companheiro de Vijay Iyer, Dave Binney, Rudresh Mahanpatta e outros).

   Este grupo, um dos mais visíveis (segundo o Hot Club) e considerados da actual cena novaiorquina, pratica um misto de “original music blending multi-medias” e “groove based lyrical compositions”.

   Eis uma sua recente actuação ao vivo no “Bird’s Eye” em Basileia (Suiça) :

 

 

 

 

 

   Quanto a conferências, há no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h30, desta Quinta-feira 15 de Novembro, uma sessão da “Fundação Lilian Thuram: educação contra o racismo” onde o conhecido futebolista francês (natural da Guadaloupe) já retirado dos relvados, irá apresentar a sua Fundação, criada em 2008 para combater o racismo e que baseia as suas acções no contributo de um comité científico do qual fazem parte filósofos, antropólogos e paleo-antropólogos, geo-politólogos, historiadores, psiquiatras e psicólogos, sociólogos, etc..

   Para além de falar sobre as actividades desenvolvidas pela Fundação, Lilian Thuram, vindo a convite do Institut français du Portugal e no âmbito do programa Próximo Futuro da FCG, irá participar num debate com o público sobre as várias formas de racismo.

   Há tradução simultânea e transmissão online.

 

 

 

 

   Por último, inicia-se nesta Quinta-feira 15 de Novembro (terminando a 16) no Palácio Belmonte (Páteo Dom Fradique nº 14, Lisboa) o Colóquio Internacional “Rousseau e as Ciências” organizado por Nuno Melim e Olga Pombo, integrado no projecto interno “Rousseau, Ciências e Política” do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.

   Ao anunciá-lo diz-se :

   “Em pleno Iluminismo, Rousseau olha a ciência e a técnica do seu tempo com excepcional ferocidade crítica. Apenas a Botânica, no gesto de contemplação superficial para que aponta, escapa aos presságios sombrios do citoyen de Genève.

   Será que, passados trezentos anos do seu nascimento, a voz de Rousseau sobre as ciências é ainda audível? Que sentido podem ter hoje as páginas que Rousseau dedicou à análise das ciências do seu tempo? Será que os seus pressentimentos críticos se cumpriram? E de que modo a sua obra, malgrado os remoques anti-cientistas de que está salpicada, foi determinante para a constituição das futuras ciências humanas, da antropologia às ciências da linguagem, da psicologia à pedagogia, da economia à política?”

   Aos leitores que lá forem de avaliar.

 

 

 

 

   E ainda a 15 de Novembro (Quinta-feira) realiza-se no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, a partir das 10h, o Colóquio Internacional “Desvendando o Teatro: Criatividade, Públicos e Território” pretendendo responder às seguintes questões enquadrantes :

   “Como é que os espetadores decidem que espetáculo vão ver? Será da mesma maneira que decidem o arquitecto que vão contratar para um serviço ou o vinho que devem escolher para uma ocasião especial? Ou fazem-no a partir de critérios e racionalidades distintas e totalmente autónomas em relação a outras esferas da vida quotidiana? Que mecanismos estão por detrás de uma escolha, seja de uma instituição ou de um espectáculo ou qualquer outro bem singular? O que é que conta para a flutuação de prestígio de uma dada instituição cultural como um teatro? Como explicar a escolha de um espectáculo em detrimento de outro cuja qualidade é afinal semelhante?”

   Neste colóquio, Lucien Karpik (“Valuing the Unique”, 2007, 2011) e Ann Markusen (“Creative Placemaking”, 2010) dialogam sobre o valor dos mercados singulares, a criatividade, os públicos, mostrando como é que a arte, a cultura e o teatro em particular dão contribuições especiais para o desenvolvimento das economias locais, promovem a competitividade e geram emprego.

   Juntam-se a esta discussão os investigadores portugueses reconhecidos pelos seus trabalhos na área da cultura, arte, públicos, dinamização cultural, território, e apresentam-se novas linhas de investigação, plataformas colaborativas e de atuação para pesquisas futuras. O debate alarga-se aos decisores políticos, artistas, produtores culturais, jornalistas, todos os investigadores interessados e comunidade em geral.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )

 

 

 

 

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