Pentacórdio para Quinta 8 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

   Um dos eventos importantes desta Quinta-feira 8 de Novembro é o concerto que terá lugar no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, onde a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo jovem maestro francês Lionel Bringuier (primeiro classificado do Concurso para Jovens Maestros de Besançon em 2005) actuará acompanhada pela flautista francesa Sophie Perrier (actualmente 1ª Flauta da Orquestra Gulbenkian).

   Registe-se que Lionel Bringuier − em Portugal pela primeira vez em 2008 e depois em Abril deste ano na estreia mundial das Transmutations de Pedro Amaral −, cumpre neste momento a sexta temporada como Maestro Residente da Orquestra Filarmónica de Los Angeles, trabalhando com importantes maestros convidados e solistas, além do seu Director Musical, Gustavo Dudamel. A partir de 2014-15, assumirá as funções de Maestro Titular e Director Artístico da Orquestra do Tonhalle de Zurique.

   O programa que apresenta inclui :

 

        Jean Sibelius  O Cisne de Tuonela, op. 22 nº 2

        Marc-André DalbavieConcerto para Flauta e Orquestra

        Jean Sibelius  Sinfonia nº 2, op. 43

 

* Compositor em residência da temporada Gulbenkian Música em 2012/13

 

   No intervalo do concerto, terá lugar, no Foyer, um encontro com Marc-André Dalbavie e Sophie Perrier moderado por Pedro Amaral.

 

   O tipo de condução do jovem Lionel Bringuier pode ser aqui apreciado no Concerto para Piano e Orquestra nº. 2 in F minor, Op. 21 de Frédéric Chopin em que dirigiu a BBC Symphony Orchestra tendo como solista Nelson Freire, piano no Royal Albert Hall (Londres) em 2010 :

 

   Para quem fique curioso sobre a peça de Sibelius  “O Cisne de Tuonela”, trata-se da segunda parte das “Quatro Lendas de Kalevala, op. 22, os “Lemminkäinen”, contos da mitologia finlandesa que o compositor musicou e que aqui podem ouvir-se pela Royal Concertgebouw Orchestra dirigida por Esa-Pekka Salonen (por coincidência maestro residente na Gulbenkian em 2012) :

 

 

 

   Também na Quinta-feira 8 de Novembro arrancará o “Misty Fest” de 2012, agora não em Sintra mas sediado no Centro Cultural de Belém (CCB), continuando (dizem) “a apostar no território dos cantores/compositores de perfil mais alternativo”.

   Assim no Grande Auditório, às 21h, Peter Hook com os The Light apresentará “Unknown Pleasures”, um espectáculo com que pretende homenagear a memória dos Joy Division, tocando alguns dos mais importantes temas do reportório da mítica banda de Manchester.    É sabido que Peter Hook, que esteve desde o início ao lado de Bernard Sumner na aventura Joy Division e que foi uma figura central nos New Order, ajudou a transformar o baixo (a guitarra baixo) num instrumento icónico, graças a um estilo muito particular, mais melódico do que o usual.    Por seu turno a banda “The Light” – que tocou na inauguração do clube FAC 251, instalado no antigo quartel-general da mítica Factory, em Manchester e que fez de Closer e de Unknown Pleasures “autênticos tratados pop carregados de melancolia, de dor e de paixão” (diz o programa) – será o veículo para essa viagem de celebração dos Joy Division.

   Eis como Peter Hook & The Light interpretaram “She’s Lost Control”, dos Unknown Pleasures, em Março último :

 

 

 

   Ainda na Quinta 8 de Novembro, os amantes de jazz podem passar pelo Pequeno Auditório da Culturgest onde, às 21h30, tocam Gabriel Ferrandini (bateria), Pedro Sousa (saxofone) e Johan Berthling (contrabaixo).

   Explica o texto de apoio que “… uma característica comum têm os músicos portugueses Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa com o sueco Johan Berthling : partilham a sua dedicação ao jazz e à música livremente improvisada com um descomplexado gosto pelo rock indie e pelas práticas electrónicas de dança mais inteligentes. Não estranhará, pois, que esta inédita combinação em trio sob o signo da composição espontânea integre elementos desses outros universos musicais, em manifestações assumidamente trans-idiomáticas, isto é, transversais a vários géneros e estilos de criação sonora …”

   Não podendo, como é óbvio, antecipar-se a improvisação jazzística, fica aqui, de tempos anteriores da colaboração dos dois instrumentistas portugueses, o registo de Ar no Aquário na galeria ZDB em Junho de 2011 :

 

   Bem como o registo duma actuação a solo de Johan Berthling em 2010 :

 

  

 

   Na mesma Quinta-feira 8 de Novembro estreia o espectáculo “Peça do Coração For Him a New Fragrance” de Mariana Tengner Barros (integrado no Temps d´Images) na ZDB Negócio (Rua de O Século, nº 9, porta 5, Lisboa), às 21h30 (e não no Teatro da Politécnica como estava anunciado). Repete no dia seguinte, Sexta 9, à mesma hora.

   É uma co-criação de Mariana Tengner Barros (que também a encena) com Cláudio Vieira, John Romão e Tiago Cadete, sendo os figurinos de António MV, a sonoplastia de João Ferro Martins e Filipe Lopes e o acompanhamento dramatúrgico de Mickael de Oliveira.

   Segundo a autora “Peça do Coração é um projecto que pretende desenvolver para sempre. O objectivo é recriar ciclicamente (até ao fim da sua carreira, curta ou longa) o conceito inicial do projecto nascido em 2008, que explora as dinâmicas de solo e coro, e as múltiplas relações entre a singularidade e a pluralidade, assim como o termo vasto e polissémico de «coração»”.

   Introdu-lo assim :

 

 

 

   No campo musical há ainda, nesta Quinta-feira 8 de Novembro, intervenções várias (e generosas, pois todas as actuações são de entrada livre !) de membros da Orquestra Metropolitana. Assim :

 

   Na Igreja de São José da Anunciada (Lisboa), às 19h, os Solistas da Metropolitana  Sérgio Charrinho trompete, Rui Mirra trompete, José Gato trombone , Thierry Redondo trombone , João Ramalho tímpanos e Marcos Magalhães órgão ilustram “O Barroco em Itália”  tocando :             

   de Giovanni Gabrieli –  Canzon seconda a 4,  Intonazioni d‘Organo, Canzon per sonare n.º 1, La spiritata, Intonazioni d‘Organo, Canzon per sonare n.º 4 e Fantasia sexti tono

    de Andrea GabrieliMissa em Fá maior (arranjo para dois trompetes, dois trombones e tímpanos)

    de Girolamo Frescobaldi Toccata em Sol maior, Canzon prima em Sol maior, Canzon seconda em Dó maior, Canzon terza em Sol maior, Canzon quarta em Sol menor  e Canzon quinta em Sol maior.

 

   Na Sociedade Portuguesa de Autores, às 18h30, os Solistas da Metropolitana  Liviu Scripcaru violino, Ana Cláudia Serrão violoncelo e Savka Konjikusic piano homenagearão  “Grandes Compositores Checos”  interpretando de Bohuslav Martinů  Trio n.º 2 em Ré menor, H. 327, de Josef Suk  Elegia, Op. 23, inspirado no ciclo de poemas «Vyšehrad» de Julius Zeyer e de Bedřich Smetana  Trio em Sol menor, Op. 15.

   O concerto repete-se Sexta 9, às 19h, no Auditório do Liceu de Camões.

 

   No El Corte Inglês, às 19h, o Quinteto com Flauta composto pelos  Solistas da Metropolitana Janete Santos flauta, Anzhela Akopyan violino, Elena Komissarova violino, Valentin Petrov viola e Jian Hong violoncelo tocarão de  Wolfgang Amadeus Mozart  Quarteto de Cordas n.º 7 em Mi bemol maior, KV 160, de Sergei Rachmaninov  Vocalizo, Op. 34/14 e de Jan Brandts Buys Quinteto com Flauta em Ré maior.

   Será comentado por Alexandre Delgado e repete-se no Sábado 10, às 17h no Museu do Oriente (Salão Macau) onde será comentado por Rui Campos Leitão.

   Ainda na Quinta 8 de Novembro, no Palácio Foz, às 13h, haverá um “Mosaico Musical” criado pelos Solistas da Metropolitana que constituem o “Moscow Piano Quartet” (Alexêi Tolpygo violino, Alexandre Delgado viola, Guenrikh Elessine violoncelo e Alexei Eremine piano) onde tocarão de :

        Wolfgang Amadeus Mozart  – Allegro, do Quarteto com Piano em Sol menor, KV 478

        Robert Schumann  – Andante cantabile, do Quarteto com Piano, Op. 47

        Johannes Brahms  – Scherzo, do Quarteto com Piano n.º 3 em Dó menor, Op. 60

        Ernest Chausson  – Très calme, do Quarteto com Piano em Lá maior, Op. 30

        Bohuslav Martinů  – Poco allegro, do Quarteto com Piano, H. 287

        Joly Braga Santos –  Quarteto com Piano, Op. 26

   O concerto é repetido no Sábado 10, às 16h, no Palácio Nacional da Ajuda.

 

 

 

   No campo da ciência, há nesta Quinta-feira 8 de Novembro, na Academia das Ciências de Lisboa, a partir das 14h30 e por ocasião do centenário do nascimento de Alan Mathison Turing (1912 – 1954), cientista britânico pioneiro da lógica matemática e computação,  uma pequena homenagem sobre a sua vida e trabalho, dando especial atenção ao impacto do seu trabalho na ciência e cultura actuais.

   Intervirão aí Luís Antunes (U. Porto) sobre O postulado de Church-Turing: desafios e actualidade,  José Félix Costa (U. Técnica de Lisboa) sobre O impacte do postulado de Church-Turing nas ciências, Sofia Miguens (U. Porto) sobre Turing e a filosofia da mente e ainda Carlos Lourenço (U. Lisboa) sobre Turing: cientista da natureza.

 

 

   Finalmente, na Cinemateca Nacional, exibem-se nesta Quinta 8 de Novembro, no Ciclo do Festival Temps d’images ”O Cinema à Volta de Cinco Artes, Cinco Artes à Volta do Cinema – Cinematografia e Musicalidade II” , os seguintes filmes :

 

   Às 19h30 na Sala Luís de Pina −  “La Terra Vista dalla Luna” (Itália, 1967) de Pier Paolo Pasolini  com Totó, Silvana Mangano, Ninetto Davoli, Laura Betti e “Die Grosse Liebe” (“O Grande Amor”) (Alemanha, 1931) de Otto Preminger  com Hansi Niese, Betty Bird, Attila Hörbiger, Ferdinand Meyerhofer.

   Às 21h30 na Sala Dr. Félix Ribeiro – “Willow Springs”  (Alemanha, 1972-73) de Werner Schroeter  com Magdalena Montezuma, Christine Kauffman, Ila V. Hasperg.

 

   Deixo-vos com o “chaplinesco”, surrealista, subversivo filme de Pasolini, a história de Ciancicato Miaou (Totó) e do seu filho Baciù Miaou no bidonville :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )

 

 

 

 

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