por Rui Oliveira
Cooperarão nesta ópera em dois actos, versão de concerto (legendada em português) os actores/cantores Marcos Fink, baixo (Sarastro), Topi Lehtipuu, tenor (Tamino), Thomas E. Bauer, barítono (Orador / Sacerdote), Joachim Buhrmann, tenor (Sacerdote), Burçu Uyar, soprano (Rainha da Noite), Miah Persson, soprano (Pamina), Inga Kalina, soprano (1ª Dama), Anna Grevelius, meio-soprano (2ª Dama), Isabelle Druet, meio-soprano (3ª Dama), Daniel Schmutzhard, barítono (Papageno), Sunhae Im, soprano (Papagena), Kurt Azesberger, tenor (Monostatos) e Solistas do St. Florianer Sängerknaben (Três Rapazes).
Este é o registo ao vivo em 2009 da Abertura de “A Flauta Mágica” por René Jacobs dirigindo a “Akademie für Alte Musik” :
E ainda a famosa ária de Papageno por Daniel Schmutzhard (do elenco) contracenando com Elisabeth Schwarz como Papagena na “Volksoper” de Viena (maestro Helmuth Lohner) em 2011 :
Este recital, pela sua variedade característico da personalidade musical de Hamelin e dos seus gostos eclécticos, irá também proporcionar ao público a descoberta de uma outra faceta deste músico : a de compositor.
Do programa constam obras de :
Alban Berg Sonata op. 1
Gabriel Fauré Impromptu n.º 2, op. 31 e Barcarolle n.º 3, op. 42
Maurice Ravel Gaspard de la nuit
Marc-André Hamelin Variações sobre um tema de Paganini
Serge Rachmaninov Prelúdios, op. 32 n.ºs 5 e 12 e Sonata para piano n.º 2, op. 36
Apreciemos não só a sua técnica pianística como as suas virtudes de compositor nesta peça do programa “Variações sobre um tema de Paganini” tocada em Dezembro de 2011 em Moscovo :
Do seu extenso programa constam de :
Francis Poulenc Salve, Regina
John Rutter There is a flower
Javier Busto Ave, Maria
John Joubert There is no rose of such virtue
Hugo Distler Es ist ein Ros entsprungen
Herbert Howells A Spotless Rose
Fernando Lopes-Graça Partidos são de Oriente
Charles Ives / arr. Paul C. Echols A Christmas carol
Tim Sarsany Salve, Mater Misericordiæ
Arvo Pärt Nunc dimittis
John Tavener Hymn for the Dormition of the Mother of God
Frank Ferko Motet for the Falling Asleep of the Mother of God
Benjamin Britten A Hymn to the Virgin
Pierre Villette Hymne à la Vierge
Edvard Grieg Ave, maris stella
Herbert Howells Salve, Regina
Para se ouvir o som deste bom agrupamento coral, escute-se este tema de Haydn sob a direcção de Sérgio Fontão em 2009 :
– Sonata em Sol menor op.5, n.2
– Sonata em Dó Maior op.102, n.1
– Sonata em Ré Maior op.102, n.2
– 12 Variações sobre o tema “Ein Mädchen oder Weibchen” (“A Flauta Mágica) de Mozart em Fá Maior, op.66
Méritos do concerto : Será uma oportunidade rara para apreciar as qualidades do Stradivarius “Rei de Portugal”, assim conhecido por ter pertencido ao rei D.Luís I, instrumento histórico que é um dos 25 sobreviventes do mais reconhecido modelo (“Chevilard”) desenvolvido pelo famoso construtor de Cremona (Antonio Stradivari) e o único da sua autoria em Portugal. Além disso,
Bruno Borralhinho (violoncelo) é membro da Orquestra Filarmónica de Dresden, e fundador e Director Artístico do Ensemble Mediterrain. Obteve o 1.º Prémio no Concurso de Instrumentos de Arco Júlio Cardona em 1999 e o 1.º lugar no Prémio Jovens Músicos organizado pela RDP – Radio Difusão Portuguesa em 2001. Integrou ainda a Orquestra de Jovens Gustav Mahler e a Orquestra Mundial das Juventudes Musicais, onde ocupou o lugar de 1.º Violoncelo-Solista nesta última. Foi ainda membro da Academia da Staatskapelle Berlin (2004 a 2006), da Orquestra residente da Ópera Estatal de Berlim e estagiário na DSO – Deutsches Symphonie Orchester Berlin em 2003, orquestras com as quais continua a colaborar regularmente, assim como com a RSB – Rundfunk Symphonieorchester Berlin.
Quanto a Christoph Berner (piano) venceu o “Concurso Bösendorfer” em 1995 e conquistado o segundo prémio no décimo “Concurso Internacional Beethoven” em 1997. Apresentou-se como solista acompanhado de algumas das orquestras mais prestigiadas, como a Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse, a Sinfónica Tchaikovsky de Moscovo, as Filarmónicas de Bremen e de Dresden, a Orquestra de Valência, a Sinfónica de Gotemburgo, a Filarmónica de Bergen, a Northern Sinfonia, a Orquestra de Câmara Mahler e a Orquestra de Câmara de Viena, sob a direcção de maestros como Neeme Järvi, Michel Plasson, Vladimir Fedosejev, Rafael Frühbeck de Burgos, Andrew Litton, Thomas Zehetmair, Walter Weller e Dennis Russell- -Davies.
Mostramos Bruno Borralhinho executando a Sarabande da Suite n.5 C minor BWV 1010 de J.S. Bach (não há ainda registo seu de Beethoven) em 2008 :
Maurice Ravel – Ma Mère l’Oye
Albert Roussel – O Festim da Aranha
Frank Martin – Concerto para Sete Instrumentos
Para conhecer o tema de Ravel, ouça-se Ma Mère l’Oye por uma orquestra holandesa (Radio Filharmonisch) em Dezembro de 2011 :
Indo ao campo teatral (e alertando, como o prometemos, para o final de cada temporada) lembraríamos que :
No Espaço Negócio (ZDB) (Rua do Século nº 9, porta 5 – Lisboa) e numa co-produção “Primeiros Sintomas / ZDB” representa-se até Terça 27 de Novembro a peça dupla “A BODA de Anton Tchékhov/ A BODA de Bertolt Brecht”, uma dramaturgia de Miguel Castro Caldas, cabendo a tradução de Anton Tchékhov a Miguel Castro Caldas e a de Bertolt Brecht a Jorge Silva Melo e a Vera San Payo de Lemos.
A encenação é de Bruno Bravo, cabendo a interpretação a Ana Brandão, António Mortágua, Bruno Simões, David Almeida, Inês Pereira, Luz da Camara, Miguel Loureiro, Ricardo Neves-Neves e Sofia Vitória, com música de Sérgio Delgado.
Sinopse : Segundo Tchékhov, entram os convidados todos para o copo-de-água. Segundo Brecht já tinham chegado antes de nós. No fim a mobília parte-se toda. Resta o quê, de uma boda ou duas? … Sendo que a Boda de Anton Tchékhov são “Gelados com rum, vinho Haut-Sauternes e lagosta”, enquanto a Boda de Bertolt Brecht é “Bacalhau, pudim com natas, bolo, ponche e vinho, muito vinho”…
Eis como a peça é anunciada :
A interpretação é de Carla Chambel, Miguel Damião, Rui Neto e Sofia Ângelo, com cenografia de Rita Carrilho, sendo orientador Paulo Filipe Monteiro, mas cabendo a direcção e encenação a Rui Neto, que explica :
“ O Inferno, é isto, assim. Um homem e duas mulheres, fechados numa sala. Têm memórias, visões, e sobretudo a necessidade de manter a dignidade humana – na impossibilidade de escovar os dentes, usam a mentira e os artifícios para limpar consciências.
No limite, seremos aquilo que os outros pensam de nós. Ou seremos o que escolhemos ser? Ou serão os nossos actos que definem quem somos? De olhos bem abertos, a eternidade, entre quatro paredes”.
Luís Carlos Patraquim diz deste seu texto Mulheres de Água : “ Monólogo de uma jovem mulher, hoje, na Europa, Portugal. Partir daqui, da circunstância de um corpo em situação. Ela está no palco, com o Ser da voz, a densidade dessa presença, do silêncio para a elocução, criação de mundo. Ela é a fonte, escreveu um poeta. Mas de que águas falará, inumeráveis, tingidas, lívidas, espumosas, agónicas, torrenciais? Jovem mulher aqui, em situação. Comentando-a, devaneando, sonâmbula e lucidamente acutilante. Ela é o dia com a noite dentro… o fio condutor é ela, jovem mulher, corpo e Ser, aqui, hoje, Portugal, em situação.”
Foi este o filme anúncio para Mulheres de água do Bica Teatro :
Quanto a exposições em fim de ciclo alerta-se para que :
O Arquivo Municipal de Lisboa lançou um repto a 18 criadores contemporâneos para produzir a exposição de artes plásticas, intitulados Arquivos Secretos, organizando paralelamente um vasto programa de actividades.
Reúne obras em diversos suportes, como a fotografia, vídeo, instalação ou livro de artistas, que revelam uma perspectiva única e até agora (in)visível do Arquivo de Lisboa. Todas as peças criadas são inéditas, concebidas em exclusivo para esta exposição, espelhando questões como o tempo e a memória, a guarda e o lugar do arquivo na contemporaneidade.
Ainda poderão assim ser vistos :
‘Rugas’ narra a amizade entre Emilio e Miguel, dois idosos internados num lar. Emilio, que acaba de chegar num estado inicial de Alzheimer será ajudado por Miguel e outros colegas para não acabar no piso superior da instituição, o temido andar dos “assistidos”, que é como ali chamam aos casos perdidos.
… Enquanto filmam nos arredores da cidade de Cochabamba, um clima de inquietude civil e política se instala, à medida que o fornecimento de água da cidade é privatizado e vendido a uma multinacional anglosaxónica. A violência aumenta de dia para dia, até que a cidade explode naquilo hoje conhecido pela Guerra da Água (Abril de 2000). 500 anos depois de Colombo, paus e pedras novamente confrontam a tecnologia do exército moderno. David contra Golias. Só que desta vez a luta não é pelo ouro, mas pelo mais simples e vital dos elementos, a água.
Tema da ficção dramática : Bruno e Carla estão apaixonados e vivem juntos. Ainda que discutam algumas vezes, nada os separa. Até que um dia, um jovem encantador chamado Rai entra nas suas vidas e provoca uma crise inesperada: ele e Bruno começam uma relação secreta, embora Bruno continue apaixonado por Carla, e ela também não o queira perder. As coisas se complicam quando Carla decide entrar no jogo…
Deixamo-vos com o filme-anúncio do filme de Iciar Bollaín “También la lluvia”, porventura o mais actual :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui )


