Pentacórdio para Domingo 25 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

   No Domingo 25 de Novembro o acontecimento musical mais relevante será sem dúvida a presença no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h, da Akademie für Alte Musik Berlin e do RIAS-Kammerchor dirigidos pelo maestro René Jacobs, o qual irá de novo, pela terceira temporada consecutiva, dirigir uma ópera de Mozart, reunindo, uma vez mais, um elenco de elevado nível artístico. Será “A Flauta Mágica, K. 620(Die Zauberflöte), “um dos mais conhecidos ícones operáticos de todos os tempos, uma partitura percorrida pela exaltação simbólica e filosófica, aliada ao puro divertimento popular”. Consta que Mozart terá comentado à sua mulher durante a escrita da obra “Se resultar num fiasco, nada posso fazer, pois nunca compus uma ópera mágica…”.

   Cooperarão nesta ópera em dois actos, versão de concerto (legendada em português) os actores/cantores Marcos Fink, baixo (Sarastro), Topi Lehtipuu, tenor (Tamino), Thomas E. Bauer, barítono (Orador / Sacerdote), Joachim Buhrmann, tenor (Sacerdote), Burçu Uyar, soprano (Rainha da Noite), Miah Persson, soprano (Pamina), Inga Kalina, soprano (1ª Dama), Anna Grevelius, meio-soprano (2ª Dama), Isabelle Druet, meio-soprano (3ª Dama), Daniel Schmutzhard, barítono (Papageno), Sunhae Im, soprano (Papagena), Kurt Azesberger, tenor  (Monostatos) e Solistas do St. Florianer Sängerknaben (Três Rapazes).

   Este é o registo ao vivo em 2009 da Abertura de “A Flauta Mágica” por René Jacobs dirigindo a “Akademie für Alte Musik” :

 

   E ainda a famosa ária de Papageno por Daniel Schmutzhard (do elenco) contracenando com Elisabeth Schwarz como Papagena na “Volksoper” de Viena (maestro Helmuth Lohner) em 2011 :

 

 

 

   Também no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 17h deste Domingo 25 de Novembro, há um concerto que suscita grande interesse, o do pianista canadiano francês  Marc-André Hamelin, conhecido pelas suas interpretações originais e de grande liberdade e possuidor de uma técnica notável e de grande musicalidade.

    Este recital, pela sua variedade característico da personalidade musical de Hamelin e dos seus gostos eclécticos, irá também proporcionar ao público a descoberta de uma outra faceta deste músico : a de compositor.

   Do programa constam obras de :

            Alban Berg  Sonata op. 1

            Gabriel Fauré  Impromptu n.º 2, op. 31 e Barcarolle n.º 3, op. 42

            Maurice Ravel  Gaspard de la nuit

            Marc-André Hamelin  Variações sobre um tema de Paganini

            Serge Rachmaninov  Prelúdios, op. 32 n.ºs 5 e 12 e Sonata para piano n.º 2, op. 36

   Apreciemos não só a sua técnica pianística como as suas virtudes de compositor nesta peça do programa “Variações sobre um tema de Paganini” tocada em Dezembro de 2011 em Moscovo :

 

 

 

 

   Neste Domingo 25 de Novembro prossegue no Igreja de São Roque o festival “Música em São Roque 2012” com o concerto Salve, Mater Misericordiæ”, às 17h, pelo Coro ”Voces Caelestes” sob a direcção de Sérgio Fontão.

   Do seu extenso programa constam de :

          Francis Poulenc  Salve, Regina

          John Rutter  There is a flower

          Javier Busto  Ave, Maria

          John Joubert  There is no rose of such virtue

          Hugo Distler  Es ist ein Ros entsprungen

          Herbert Howells  A Spotless Rose

          Fernando Lopes-Graça  Partidos são de Oriente

          Charles Ives / arr. Paul C. Echols  A Christmas carol

          Tim Sarsany  Salve, Mater Misericordiæ

          Arvo Pärt  Nunc dimittis

          John Tavener  Hymn for the Dormition of the Mother of God

          Frank Ferko  Motet for the Falling Asleep of the Mother of God

          Benjamin Britten  A Hymn to the Virgin

          Pierre Villette  Hymne à la Vierge

          Edvard Grieg  Ave, maris stella

          Herbert Howells  Salve, Regina

   Para se ouvir o som deste bom agrupamento coral, escute-se este tema de Haydn sob a direcção de Sérgio Fontão em 2009 :

 

 

 

   Conclui-se no Museu da Música (na Estação do Metropolitano de Alto dos Moinhos, Rua João de Freitas Branco) no Domingo 25 de Novembro, às 16h, a execução por Bruno Borralhinho violoncelo (foto) e Christoph Berner piano da segunda e última parte da integral da obra de Ludwig van Beethoven para piano e violoncelo e piano. Do programa constam :

      – Sonata em Sol menor op.5, n.2

      – Sonata em Dó Maior op.102, n.1

      – Sonata em Ré Maior op.102, n.2

      – 12 Variações sobre o tema “Ein Mädchen oder Weibchen” (“A Flauta Mágica) de Mozart em Fá Maior, op.66

   Méritos do concerto : Será uma oportunidade rara para apreciar as qualidades do Stradivarius “Rei de Portugal”, assim conhecido por ter pertencido ao rei D.Luís I, instrumento histórico que é um dos 25 sobreviventes do mais reconhecido modelo (“Chevilard”) desenvolvido pelo famoso construtor de Cremona (Antonio Stradivari) e o único da sua autoria em Portugal.  Além disso,

   Bruno Borralhinho (violoncelo) é membro da Orquestra Filarmónica de Dresden, e fundador e Director Artístico do Ensemble Mediterrain. Obteve o 1.º Prémio no Concurso de Instrumentos de Arco Júlio Cardona em 1999 e o 1.º lugar no Prémio Jovens Músicos organizado pela RDP – Radio Difusão Portuguesa em 2001. Integrou ainda a Orquestra de Jovens Gustav Mahler e a Orquestra Mundial das Juventudes Musicais, onde ocupou o lugar de 1.º Violoncelo-Solista nesta última. Foi ainda membro da Academia da Staatskapelle Berlin (2004 a 2006), da Orquestra residente da Ópera Estatal de Berlim e estagiário na DSO – Deutsches Symphonie Orchester Berlin em 2003, orquestras com as quais continua a colaborar regularmente, assim como com a RSB – Rundfunk Symphonieorchester Berlin.

   Quanto a Christoph Berner (piano) venceu o “Concurso Bösendorfer” em 1995 e conquistado o segundo prémio no décimo “Concurso Internacional Beethoven” em 1997. Apresentou-se como solista acompanhado de algumas das orquestras mais prestigiadas, como a Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse, a Sinfónica Tchaikovsky de Moscovo, as Filarmónicas de Bremen e de Dresden, a Orquestra de Valência, a Sinfónica de Gotemburgo, a Filarmónica de Bergen, a Northern Sinfonia, a Orquestra de Câmara Mahler e a Orquestra de Câmara de Viena, sob a direcção de maestros como Neeme Järvi, Michel Plasson, Vladimir Fedosejev, Rafael Frühbeck de Burgos, Andrew Litton, Thomas Zehetmair, Walter Weller e Dennis Russell- -Davies.

 

   Mostramos Bruno Borralhinho executando a Sarabande da  Suite n.5 C minor BWV 1010 de J.S. Bach (não há ainda registo seu de Beethoven) em 2008 :

 

 

 

 

   Ainda no campo musical lembramos ao leitor regular (porque por lapso o não referimos antes) que HOJE (!) Sexta 23 a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção musical de António Saiote, toca às 21h no Auditório da NOVA (Campus de Campolide) um programa “Ma Mère l’Oye” que engloba de :

            Maurice Ravel Ma Mère l’Oye

            Albert Roussel –  O Festim da Aranha

            Frank Martin –  Concerto para Sete Instrumentos

   Acrescenta o comentador do concerto Rui Campos Leitão : “… Quer Minha mãe ganso de Ravel quer O festim da aranha de Roussel são obras que de alguma forma ilustram histórias e personagens. Em contraste, no Concerto de Frank Martin os instrumentos musicais ostentam todo o seu protagonismo, discorrendo por entre muito animadas ideias rítmicas e melódicas, exibindo um estilo atlético que não se presta tão facilmente a qualquer recreação imagética ou narrativa… (e)ste programa por um lado convida-nos a vaguear por entre imaginários figurativos e referências culturais mais ou menos latentes, (p)or outro, desafia-nos para uma escuta que se identifica com gestos e dinâmicas dificilmente traduzíveis por palavras”.

   Para conhecer o tema de Ravel, ouça-se Ma Mère l’Oye por uma orquestra holandesa (Radio Filharmonisch) em Dezembro de 2011 :

 

 

 

   Indo ao campo teatral (e alertando, como o prometemos, para o final de cada temporada) lembraríamos que :

 

  

   No Espaço Negócio (ZDB) (Rua do Século nº 9, porta 5 – Lisboa) e numa co-produção “Primeiros Sintomas / ZDB” representa-se até Terça 27 de Novembro a peça dupla “A BODA de Anton Tchékhov/ A BODA de Bertolt Brecht”, uma dramaturgia de Miguel Castro Caldas, cabendo a tradução de Anton Tchékhov a Miguel Castro Caldas e a de Bertolt Brecht a Jorge Silva Melo e a Vera San Payo de Lemos.

   A encenação é de Bruno Bravo, cabendo a interpretação a Ana Brandão, António Mortágua, Bruno Simões, David Almeida, Inês Pereira, Luz da Camara, Miguel Loureiro, Ricardo Neves-Neves e Sofia Vitória, com música de Sérgio Delgado.

   Sinopse : Segundo Tchékhov, entram os convidados todos para o copo-de-água. Segundo Brecht já tinham chegado antes de nós. No fim a mobília parte-se toda. Resta o quê, de uma boda ou duas? … Sendo que a Boda de Anton Tchékhov são “Gelados com rum, vinho Haut-Sauternes e lagosta”, enquanto a Boda de Bertolt Brecht é “Bacalhau, pudim com natas, bolo, ponche e vinho, muito vinho”…

   Eis como a peça é anunciada :

 

 

 

   No Teatro de Carnide (Azinhaga das Freiras – Carnide, Lisboa) representa-se “Inferno”, uma criação de Rui Neto a partir de Jean-Paul Sartre, em cena até 1 de Dezembro (à 5ª, 6ª e Sábado às 21h30).

   A interpretação é de Carla Chambel, Miguel Damião, Rui Neto e Sofia Ângelo, com  cenografia de Rita Carrilho, sendo orientador Paulo Filipe Monteiro, mas cabendo a direcção e encenação a Rui Neto, que explica :

   “ O Inferno, é isto, assim. Um homem e duas mulheres, fechados numa sala. Têm memórias, visões, e sobretudo a necessidade de manter a dignidade humana – na impossibilidade de escovar os dentes, usam a mentira e os artifícios para limpar consciências.

    No limite, seremos aquilo que os outros pensam de nós. Ou seremos o que escolhemos ser? Ou serão os nossos actos que definem quem somos? De olhos bem abertos, a eternidade, entre quatro paredes”.

 

 

 

   Termina no próximo Domingo 2 de Dezembro a exibição que desde a passada Quarta 22 de Novembro o Bica Teatro faz no Teatro da Comuna do espectáculo “Mulheres de Água”, com texto original do escritor Luís Carlos Patraquim e interpretação da actriz Paula Luiz, de Quinta a Sábado às 21h30 e Domingo às 17h.

   Luís Carlos Patraquim diz deste seu texto Mulheres de Água : “ Monólogo de uma jovem mulher, hoje, na Europa, Portugal. Partir daqui, da circunstância de um corpo em situação. Ela está no palco, com o Ser da voz, a densidade dessa presença, do silêncio para a elocução, criação de mundo. Ela é a fonte, escreveu um poeta. Mas de que águas falará, inumeráveis, tingidas, lívidas, espumosas, agónicas, torrenciais? Jovem mulher aqui, em situação. Comentando-a, devaneando, sonâmbula e lucidamente acutilante. Ela é o dia com a noite dentro… o fio condutor é ela, jovem mulher, corpo e Ser, aqui, hoje, Portugal, em situação.”

   Foi este o filme anúncio para Mulheres de água do Bica Teatro :

 

 

 

   Quanto a exposições em fim de ciclo alerta-se para que :

 

 

   Só estará patente ao público até 30 de Novembro a mostra que o Arquivo Municipal de Lisboa – FOTOGRÁFICO (Rua da Palma, nº 246, Lisboa) fomentou sob o tema “Arquivos Secretos” (entrada gratuita de Segunda-feira a Sábado, das 10h às 19h).

   O Arquivo Municipal de Lisboa lançou um repto a 18 criadores contemporâneos para produzir a exposição de artes plásticas, intitulados Arquivos Secretos, organizando paralelamente um vasto programa de actividades.

   Abre-se assim à descoberta do público o acervo documental  através do olhar dos artistas Alexandra Oliveira, Ana Fonseca, António Vasconcelos Lapa, Beatriz Horta Correia, Carla Cabanas, Cláudia Damas, Fabrice Ziegler, Graça Pereira Coutinho, João Castro Silva, João Paulo Serafim, J. Rosa G., João Tabarra, Mara Castilho, Maria Pia Oliveira, Miguel Gaspar, Mónica de Miranda, Paula Paour e Rui Poças.

   Reúne obras em diversos suportes, como a fotografia, vídeo, instalação ou livro de artistas, que revelam uma perspectiva única e até agora (in)visível do Arquivo de Lisboa. Todas as peças criadas são inéditas, concebidas em exclusivo para esta exposição, espelhando questões como o tempo e a memória, a guarda e o lugar do arquivo na contemporaneidade.

 

 

   Encerra no Domingo 2 de Dezembro a exposição “Thesaurus. A Ourivesaria Sacra da Real Abadia de Alcobaça” que o Museu Nacional de Arte Antiga montou na sua Sala do Tecto Pintado,  comissariada por Celina Bastos, Anísio Franco e Luísa Penalva.

   Pela primeira vez, desde a extinção das ordens religiosas em Portugal, um importantíssimo núcleo de peças proveniente do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça é reunido no Museu Nacional de Arte Antiga. Às obras pertencentes ao MNAA  –  três cálices românicos, uma cruz processional gótica e uma custódia do século XIV  –  e ao conjunto proveniente do Museu Nacional de Soares dos Reis  –  cruz e par de galhetas  –, juntam-se agora duas outras peças, uma píxide (MNAA) e um par de castiçais (Museu Nacional de Machado de Castro) que, mercê de uma minuciosa investigação, puderam ser associadas a este Mosteiro, fundado em 1153 e um dos mais ricos da ordem de Cister.

 

 

 

 

   Por último, termina no Domingo 25 de Novembro a exibição no Cinema São Jorge (prosseguindo apenas na Cinemateca) das películas do CineFiesta,  uma iniciativa do Instituto de Cinematografia y de las Artes Audiovisuales (ICAA) de Espanha.

    Ainda poderão assim ser vistos :

 

   A 24 e 25 de Novembro, às 19h30, “Arrugas” de Ignacio Ferreras, uma longa-metragem de animação 2D para um público adulto baseada na aclamada banda desenhada homónima de Paco Roca (Premio Nacional del Comic 2008).

   ‘Rugas’ narra a amizade entre Emilio e Miguel, dois idosos internados num lar. Emilio, que acaba de chegar num estado inicial de Alzheimer será ajudado por Miguel e outros colegas para não acabar no piso superior da instituição, o temido andar dos “assistidos”, que é como ali chamam aos casos perdidos.

 

   A 24 de Novembro, às 21h30,“También la lluvia” (Espanha, 2010) da realizadora (e também actriz) madrilena Icíar Bollaín (na foto) com argumento dePaul Laverty, interpretado por Luis Tosar, Gael García Bernal e Karra Elejalde, entre outros.

   Sinopse do drama : Sebastián, jovem realizador idealista, jurou fazer um filme sobre uma das mais icónicas figuras mundiais, Cristóvão Colombo e está determinado, contra a mentira de um génio liderando uma missão divina de ganhar “almas para Cristo”, em mostrar o outro lado do mito da chegada da Civilização Ocidental às Américas como uma força do bem…

   … Enquanto filmam nos arredores da cidade de Cochabamba, um clima de inquietude civil e política se instala, à medida que o fornecimento de água da cidade é privatizado e vendido a uma multinacional anglosaxónica. A violência aumenta de dia para dia, até que a cidade explode naquilo hoje conhecido pela Guerra da Água (Abril de 2000). 500 anos depois de Colombo, paus e pedras novamente confrontam a tecnologia do exército moderno. David contra Golias. Só que desta vez a luta não é pelo ouro, mas pelo mais simples e vital dos elementos, a água.

 

   A 25 de Novembro, às 21h30, “El sexo de los angeles” do realizador Xavier Villaverde com Astrid Bergès-Frisbey, Álvaro Cervantes e Llorenç González nos principais papéis.

   Tema da ficção dramática : Bruno e Carla estão apaixonados e vivem juntos. Ainda que discutam algumas vezes, nada os separa. Até que um dia, um jovem encantador chamado Rai entra nas suas vidas e provoca uma crise inesperada: ele e Bruno começam uma relação secreta, embora Bruno continue apaixonado por Carla, e ela também não o queira perder. As coisas se complicam quando Carla decide entrar no jogo…

 

   Deixamo-vos com o filme-anúncio do filme de Iciar Bollaín “También la lluvia”, porventura o mais actual :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui )

 

 

 

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