por Rui Oliveira
No Domingo 16 de Dezembro o nosso interesse volta-se para o que suceder no Centro Cultural de Belém onde ocorrerão diversos eventos sugestivos.
No Grande Auditório do CCB, às 17h, haverá o tradicional “Concerto de Natal” onde a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direção musical de Nicholas Kraemer (e cravo) irá cumprir um programa que diria “clássico” o qual compreende :
Georg Friederich Händel – Concerto Grosso Op. 6, n.º 7, HWV 325
Jean-Philippe Rameau – Suite da ópera «Dardanus»
Antonio Vivaldi – Sinfonia em Sol maior, RV 146
Johann Sebastian Bach – Sinfonias das Cantatas BWV 42, 196 e 31
Georg Friederich Händel – Música para os Reais Fogos de Artifício
É justa a observação que faz o comentador Rui Campos Leitão sobre um “Quadro de Nações” : “ Neste concerto é-nos dada a ouvir música de quatro dos mais representativos compositores do período barroco. Os seus nomes são conhecidos em todo o mundo … com efeito, todo o património musical europeu da primeira metade do século XVIII converge num sentido comum. Desenvolve-se sobre técnicas omnipresentes, como é o caso emblemático do baixo contínuo … Há, porém, que acautelar aquilo que se esconde por detrás desta aparente homogenia. Cada um destes compositores ajuda a circunscrever um «estilo nacional» distinto, numa época em que as diferentes nações promoviam culturas musicais próprias, dando origem a uma profusão de estilos e motivando intensos debates, quer entre músicos quer entre intelectuais. Assim, podemos aqui identificar um quadro de nações. Reúnem-se quatro músicos de referência oriundos dos mais influentes países de então em matéria de artes: a França, a Inglaterra e as constelações de reinos e ducados que viriam a estar na origem da Alemanha e da Itália”.
Não havendo registos válidos da OML nestas peças, mostramos-lhe a primeira, o Concerto Grosso Op. 6, n.º 7, de Georg Friederich Händel pelo Il Giardino Armonico no Verão de 2010 :
Mais tarde, pelas 19h, no Pequeno Auditório do CCB, será revelado em concerto pelo pianista António Rosado o conteúdo do CD “23 Músicas Festivas” (lançado em 2012 pela Ed. AVA) do compositor Fernando Lopes-Graça, sendo que António Rosado já gravara, em 2004, a integral das “Sonatas para Piano” e em 2006
Antes, no Foyer do Pequeno Auditório, às 18h e para os assistentes ao concerto, Rui Vieira Nery apresentará não só o álbum como a edição das respectivas Partituras (edições AVA), naquilo que será um testemunho da evolução da sua escrita de Lopes-Graça entre 1962 e 1994 e também da sensibilidade do compositor em muitos planos desde a composição e a harmonização até à solidariedade e atenção que sempre prestou a quem o rodeou pois estas obras para piano foram dedicadas por Lopes-Graça a pessoas que lhe eram próximas.
É o seu vídeo de divulgação que a seguir exibimos :
Ouvir-se-á então :
Piccola Orquestra Metropolitana
Coro Infantil Metropolitana
Coro Juvenil Metropolitana
Coro Escola Profissional e Conservatório Metropolitana
Orquestra Juvenil Metropolitana
Orquestra Cordas Casa Pia
Orquestra Clássica Metropolitana
Orquestra Sopros Metropolitana
Por fim, poderá ser interessante nestes dias até Domingo 16 de Dezembro visitar a exposição interactiva “A Viagem da Yara-Iara” de Margarida Botelho com entrada livre no Espaço CCB/Fábrica das Artes (11:00 às 13:30 / 14:30 às 18:00) para apreciar os resultados do Projecto Yara-Iara que ao longo de quinze dias terá tido vários momentos de viagem, interacção, experimentação, leitura, construção, partilha, reflexão e discussão.
Desde 2010 que Margarida Botelho viaja para a Amazónia onde desenvolve residências artísticas com comunidades tradicionais ribeirinhas afectadas por grandes empreendimentos energéticos, assistindo progressivamente a uma destruição dos ecossistemas naturais e sociais.
Imaginou então, com Mário Rainha e à volta do livro “Yara-Iara” da colecção Poka-Pokani, criar também uma residência na Fábrica das Artes convidando público graúdo e miúdo para várias viagens onde poderiam ampliar uma discussão participada entre histórias da Amazónia e a realidade em Portugal ; assim, ao longo dos 15 dias de residência, iria ser escrito e desenhado por todos os participantes um manifesto de intenções para futuros habitares.
É esse resultado certamente curioso que se apreciar na exposição.
O destino da viagem será a «História de Natal», de Heinrich Schütz, obra na qual o compositor utiliza a maioria dos recursos musicais disponíveis no seu tempo. Este género vai ser desenvolvido posteriormente por J. S. Bach e G. F. Händel, que o tornarão num dos mais importantes de todo o período barroco.
Por este registo curto de concerto idêntico dado pelos dois agrupamentos em Novembro último em São Roque, se pode aperceber o seu timbre :
Um pouco para emulação mostramos o Concerto Grosso em Sol menor op.6 nº8 ‘Fatto per la notte di Natale’, de Arcangelo Corelli tocado em Novembro de 2010 pela Freiburger Barockorchester; eis os andamentos Vivace – Grave / Allegro / Adagio – Allegro – Adagio :
(os restantes andamentos Vivace/Allegro/Pastorale podem ouvir-se em http://youtu.be/7QEbMlGPdJA )
Por último, neste Domingo 16 de Dezembro, a Fundação Calouste Gulbenkian abre as portas do seu Grande Auditório, durante a tarde com entrada livre, para a exibição de filmes com temática musical.
Durante dois anos, os realizadores Rinaldo Marasco e Jérôme Piguet seguiram Michel Corboz e o “Ensemble Vocal de Lausanne” nos seus ensaios, concertos e gravações, dando um retrato intimista da actividade e da paixão pela música que há mais de 50 anos anima este maestro invulgar.
Eis um excerto curioso :
Com a participação de pianistas como Lang Lang, Alfred Brendel ou Rudolf Buchbinder, Pianomania leva-nos numa viagem pelo mundo secreto dos sons, onde cada interpretação tem o seu temperamento. «O tom não respira», reclama o pianista Pierre-Laurent Aimard − esta é uma das frases típicas que o mestre afinador da Steinway, Stefan Knüpfer, ouve no seu dia a dia.
Este é o trailer alemão (mas com legendas em inglês) desta película :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui )


