por Rui Oliveira
Tem início nesta Terça-feira 18 de Setembro o Festival Música Viva 2012 cuja 18.ª edição, denominada Dar Voz !, decorrerá em Lisboa em locais e tempos diferentes – 18 a 23 de Setembro no Centro Cultural de Belém e 1 a 10 de Outubro no Instituto Goethe. Contrariando o desinvestimento na arte e na cultura, os compositores e intérpretes portugueses da actualidade afirmam nele uma riqueza e uma vitalidade sem precedentes, dedicando-se o programa deste ano à nova criação musical portuguesa, com enfoque nas relações da música com a tecnologia, abrangendo nove espectáculos para apresentar cerca de 60 obras, 40 delas de compositores portugueses, das quais 15 estreias absolutas.
O concerto de abertura no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém às 21h põe em perspectiva duas obras maiores da produção recente de Álvaro Salazar (1938 -) Estudos Incomunicantes I/A e Estudos Incomunicantes I/B EA, que estão estreitamente interligadas, a segunda das quais será apresentada em estreia absoluta. A obra deste portuense, compositor, maestro, professor e crítico musical, “constitui um ponto de referência na cultura portuguesa contemporânea … a sua música apresenta um gosto particular pelas texturas em que o som é esculpido pelo silêncio”.
Executam-nas Elsa Marques Silva piano, Elsa Schvetz piano e Inês Vicente recitante com o Coral de Letras da Universidade do Porto dirigido por José Luís Borges Coelho.
Ouça-se, como 1ª audição deste autor, a peça Intermezzo IV/A de 1993 tocada recentemente (Janeiro 2011) por Sofia Lourenço no Auditório de Serralves :
Por ausência de outros eventos, relembramos os que já divulgámos para hoje, Domingo 16 :
Começa no seu Grande Auditório, às 17h, a temporada do Centro Cultural de Belém que se inicia através do Concerto de Outono já tradicional, onde o ensemble em residência DSCH Schostakovich Ensemble, sob a direcção de Filipe Pinto-Ribeiro, apresenta em palco sucessivamente um ensemble barroco, um piano solo e um quinteto de tango para interpretar, respectivamente, as Quatro Estações de António Vivaldi (com Tatiana Samouil como violino solo), as Estações de Piotr Ilitch Tchaikovsky (com Filipe pinto-Ribeiro ao piano) e as Quatro Estações de Buenos Aires de Astor Piazolla (com Marcelo Nisinman bandonéon, Christian Danowicz violino, Pedro Madaleno guitarra eléctrica, Natalia Kuchaeva piano e Mário Rodrigues contrabaixo).
Três sonoridades distintas sobre três obras-primas de três compositores de séculos distintos, XVIII, XIX e XX “que se irão cruzar ao longo do concerto e estabelecer paralelos e contrastes surpreendentes”, propõe o programa.
Entretanto na cidade, encerrando o “Lisboa na Rua”, teremos Marta Hugon e Dj Lucky na Tapada das Necessidades, às 17h, cumprindo mais um Meo Out Jazz.
Pode conhecer-se esta jovem cantora neste tema de 2012 Hide and Seek :
Mais tarde, às 19h, o Quinteto de Sopros da Metropolitana (Francisco Barbosa flauta, Catarina Castro oboé, Sérgio Coelho clarinete, Tatiana Martins fagote e João Gaspar trompa) reproduzirá num último Clássicos de Rua na Praça Luís de Camões o seu programa de Gabriel Perné, Eurico Carrapatoso, Astor Piazolla, György Ligeti, Gunther Schuller e Didier Favre.
Aos amantes da arte antiga, lembra-se que termina neste Domingo 16 de Setembro a exposição em destaque do Tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia restaurado e definitivamente atribuido a Jan Provoost no Museu Nacional de Arte Antiga (às Janelas Verdes).
Oportunidade para (re)visitar a mostra “O Virtuoso Criador – Joaquim Machado de Castro” presente no mesmo museu até 30 de Setembro.

