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EDITORIAL: NÃO HÁ PETRÓLEO NO BEATO

Diário de Bordo - II

 

Somos regularmente confrontados com o problema do aumento de preços, neste momento talvez algo obnubilado pelos cortes nos salários e pensões, e pelos despedimentos em massa apadrinhados por Passos, Portas Gaspar & Cia. De entre os aumentos de preços tem particular notoriedade o do petróleo. Foi sempre pretexto para o aumento da gasolina e dos combustíveis em geral. É verdade que os mais atentos já se aperceberam de que os aumentos ao nível do consumo directo são muito maiores do que os do petróleo em bruto, enquanto que as descidas, quando as há, são em grau muito menor do que as do preço do petróleo em bruto.

As grandes orientações políticas mundiais são muito justificadas com o preço do petróleo, nomeadamente no Médio Oriente. Isto a vários níveis. Desde o derrube de Mossadeq, no Irão, em 1953, até à campanha contra Hugo Chávez, hoje em dia, passando pelo ataque ao Iraque, no início do presente século, tivemos o petróleo como actor principal, se assim se pode dizer. Contudo, por vezes, sente-se haver outras motivações. Em relação ao Médio Oriente, percebe-se que as motivações políticas das potências do Ocidente, vão para além da questão do petróleo. Neste momento o chamado bloqueio ao Irão fez cair a produção de petróleo no país, e o abastecimento ao mercado internacional é compensado pelo aumento de produção da Arábia Saudita, e de outros países. Estará neste caso o petróleo a ser usado como arma na rivalidade entre sunitas e xiitas? A campanha contra Abbas, pelo menos à primeira vista, não tem o petróleo  como razão principal, até porque a Síria não produz petróleo em quantidades significativas.

Entretanto, ainda falando do petróleo, a procura de novas jazidas e de substitutos têm um grande peso nas opções políticas, das potências e das grandes companhias. Há cerca de dois anos, a Shell reclamava que se descobrissem  quatro novas Arábias Sauditas no prazo de dez anos, claramente para satisfazer as necessidades e manter o nível do negócio. Na altura, conseguiu licença para fazer prospecção no Alasca, em zonas protegidas por razões ambientais.

Até que ponto a política centrada no petróleo vai sacrificar outros interesses? Até que ponto o petróleo é insubstituível?. É do conhecimento geral que a indústria petrolífera, nas suas várias fases, está na mão do grande capital, ou do Estado.  Trata-se de mais um campo em que é preciso ver claro, informação transparente, e pôr o interesse dos povos à frente dos interesses particulares.

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