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POESIA AO AMANHECER – 115 – por Manuel Simões

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DOM DINIS

(Lisboa, 1261 – Santarém, 1325)

– Ai flores, ai flores do verde pino,

se sabedes novas do meu amigo!

            Ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,

se sabedes novas do meu amado!

          Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,

aquel que mentiu do que pôs comigo!

          Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,

aquel que mentiu do que mi á jurado!

         Ai Deus, e u é?

– Vós me preguntades polo voss’amigo,

e eu bem vos digo que é san’e vivo.

        Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades polo vosso’amado,

e eu bem vos digo que é viv’e sano.

       Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é san’e vivo

e seera vosc’ant’o prazo saído.

        Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é viv’e sano

e seera vosc’ant’o prazo passado.

      Ai Deus, e u é?

Rei de Portugal desde 1279, neto do rei Sábio. A sua poesia revela, mais do que a de qualquer outro poeta galego-português, uma leitura directa dos trovadores provençais.

Esta cantiga dialogada é das mais conhecidas dos cancioneiros medievais. Nela se inspirou Manuel Alegre (“Como ouvi Linda cantar por seu amigo José”) e Luís Andrade, num texto musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira, ambos partindo do verso “Se sabedes novas do meu amigo”.

Glossário: “do que pôs comigo”: do que combinou comigo; “e seera vosc’ant’o prazo saído”: e estará convosco antes de terminar o prazo; “á jurado”: forma do pretérito perfeito composto = jurou.

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