
DOM DINIS
(Lisboa, 1261 – Santarém, 1325)
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi á jurado!
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amigo,
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo vosso’amado,
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
E eu bem vos digo que é san’e vivo
e seera vosc’ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
E eu bem vos digo que é viv’e sano
e seera vosc’ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
Rei de Portugal desde 1279, neto do rei Sábio. A sua poesia revela, mais do que a de qualquer outro poeta galego-português, uma leitura directa dos trovadores provençais.
Esta cantiga dialogada é das mais conhecidas dos cancioneiros medievais. Nela se inspirou Manuel Alegre (“Como ouvi Linda cantar por seu amigo José”) e Luís Andrade, num texto musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira, ambos partindo do verso “Se sabedes novas do meu amigo”.
Glossário: “do que pôs comigo”: do que combinou comigo; “e seera vosc’ant’o prazo saído”: e estará convosco antes de terminar o prazo; “á jurado”: forma do pretérito perfeito composto = jurou.
