PRAÇA DAS FLORES – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 Em minha casa, no bairro Alvalade, em Lisboa, mostro ao Mário Pinto de Andrade alguns dos poemas que tenho escrito. Ele declara gostar dos versos porque mantêm uma estrutura tradicional apesar de abordarem temas sociais e políticos. Contudo, aconselha-me a ler os poetas medievais portugueses (que eu mal conheço…). Digo-lhe que vou comprar uma antologia. Ele acha bem, mas antes convida-me a ir a sua casa e eu vou. A sua “casa” é um quartinho numa rua que desagua na Praça das Flores. E o Mário lê-me, interpretando com gestos largos, poemas do Rei Sancho I, de Juan Zorro, de Torneol, de Codax, de Meogo, de Charinho, do Rei Afonso X, do Rei D. Diniz.

Praça das Flores? Seja! Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo! Ai Deus, e u é?

Na minha vida o vento sopra sempre às avessas. Um africano (tinha que ser um negro africano?) é quem me ensina a palmilhar as veredas do Cancioneiro Medieval Português…

Leave a Reply