por Rui Oliveira
Neste Domingo 27 de Janeiro o foco de múltiplas actividades culturais interessantes estará sem dúvida no Centro Cultural de Belém (CCB).
Assim no Grande Auditório do CCB, às 11h30, a residente Orquestra Académica Metropolitana, sob a direcção musical de Jean-Marc Burfin, executará o seguinte programa :
Claude Debussy Prelúdio à sesta de um fauno
Albert Roussel O festim da aranha
Franz Schubert Sinfonia incompleta
O concerto será comentado por Rui Campos Leitão.
Por ser uma peça menos conhecida, mostramos-lhe o registo sonoro duma das primeiras execuções públicas dos Fragments symphoniques do ballet-pantomime “Le Festin de l’araignée” op.17 composto por Albert Roussel (1869-1937) em 1913, aqui pela NBC Symphony Orchestra dirigida por Arturo Toscanini em New York a 7 de Abril 1946 :
John Bennet (ca. 1575 – após 1614) All creatures now
Thomas Morley (1558 – 1603) April is in my mistress’ face
Thomas Weelkes (ca. 1575 – 1623) O care, thou wilt despatch me
John Bennet Weep, o mine eyes
John Wilbye (1574 – 1638) Weep, weep mine eyes
John Farmer (ca. 1565 – ca. 1605) Fair Phylis I saw
Thomas Tomkins (1572 – 1656) Too much, I once lamented
Anónimo (séc. XVI) Senhora del Mundo, Venid a sospirar al verde prado
Manuel Machado (ca. 1585 – 1646) Dos estrellas le siguen, Que bien siente Galatea,
Oscurece las montañas
Claudio Monteverdi (1567 – 1643) Zefiro torna, Si ch’io vorrei morire, Lamento d’Arianna
Pode salientar-se, como novidade neste concerto dedicado ao Barroco, a peça de Manuel Machado, um dos herdeiros da escola de música da Sé de Évora (segundo o CCB) mas compositor e harpista predominantemente na Capela Real (Madrid) durante o período filipino e, nesse sentido, um dos melhores exemplos do Barroco Ibérico. De Dos estrellas le siguen há um registo de Gerard Lesne (alto) com o Ensemble Circa 1500 da flautista Nancy Hadden :
Não havendo, entretanto, registo fílmico de actuações do GrupomVocal Olisipo, mostramos-lhe uma gravação vocal do Kyrie da Missa Quarti Toni de Frei Manuel Cardoso (1566-1650), compositor da mesma época mas em Vila Viçosa e no Convento do Carmo (Lisboa) :
Diz o programa que : “ O Escadote nasce da observação do quotidiano, como que aumentando uma fracção infinitesimal de uma vida, escolhida ao acaso. Esta tentativa de «tornar visível o invisível» (Peter Brook) é desenvolvida em torno de questões alusivas ao livre arbítrio e ao condicionamento do indivíduo em tempos de possibilidades infinitas.
Uma imagem inicial: um escadote e um homem que o observa. A aparente banalidade da situação é rapidamente afastada pelas sucessivas tentativas de subida do escadote. Atraída pela visão do espectáculo, uma transeunte aproxima-se. Sente-se desconcertada. A acção desenrola-se nos sucessivos encontros e desencontros entre estas duas personagens”
Igualmente no Domingo 27 de Fevereiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz há, às 16h e por iniciativa do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, um Recital de Violoncelo, Violino e Piano de entrada livre, com a presença de Maria Bykova violino, Nuno Cardoso violoncelo e Duarte Pereira Martins piano e a participação especial de Ana Paula Russo soprano interpretando temas de Frederico de Freitas, Cláudio Carneyro e outros.
Será simultaneamente feita a apresentação da revista “Glosas 7”.
Assim neste Domingo 27 de Janeiro serão interpretadas, de Franz Schubert, a Sonata em Si maior, D. 575, a Sonata em Lá menor, D. 537 e a Sonata em Ré maior, D. 850.
Transcrevemos do programa : “Quando se reside em Viena, conhece-se o ar que Brahms e Schubert respiraram”, afirmou Elisabeth Leonskaja certa vez. Da mesma forma, ouvi-la interpretar Schubert significa aceder aos segredos mais profundos do compositor. Nascida em Tbilisi em 1945, habitante de Viena desde 1978, grande amiga de Sviatoslav Richter e por ele admirada, Leonskaja disse ao mundo quem era aos nove anos, aquando da sua primeira apresentação pública…
Vinda do Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, “Judite com a Cabeça de Holofernes” (à esq.) apresenta-se ao lado da célebre “Salomé com a Cabeça de São João Baptista” (à dir.), do MNAA. Uma extraordinária ocasião para entrar em contacto com o peculiar e vasto universo feminino da obra de Cranach, onde a graça e a voluptuosidade podem ser emblemas de virtude heróica (Judite) ou de sedutora perversidade (Salomé) e onde frequentemente se esbatem ou se tornam ambíguas as noções de beleza, sagrada e profana.
A reunião destas duas pinturas – pela primeira vez, dado que nunca participaram nas mesmas exposições – permite-nos ver a forma semelhante como Cranach retrata duas figuras diferentes, utilizando os mesmos artifícios e uma composição similar.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui )


