Pentacórdio para Domingo 27 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Neste Domingo 27 de Janeiro o foco de múltiplas actividades culturais interessantes estará sem dúvida no Centro Cultural de Belém (CCB).

Orq.Académica Metropolitana 27Jan3

   Assim no Grande Auditório do CCB, às 11h30, a residente Orquestra Académica Metropolitana, sob a direcção musical de Jean-Marc Burfin, executará o seguinte programa :

            Claude Debussy  Prelúdio à sesta de um fauno

            Albert Roussel  O festim da aranha

            Franz Schubert  Sinfonia incompleta

   O concerto será comentado por Rui Campos Leitão.

   Por ser uma peça menos conhecida, mostramos-lhe o registo sonoro duma das primeiras execuções públicas dos Fragments symphoniques do ballet-pantomimeLe Festin de l’araignée” op.17 composto por Albert Roussel (1869-1937) em 1913, aqui pela NBC Symphony Orchestra dirigida por Arturo Toscanini em New York a 7 de Abril 1946 :

 

 

GrupoVocalOlisipo_2   Também no Centro Cultural de Belém, agora no Pequeno Auditório, às 17h do mesmo Domingo 27 de Janeiro, o Grupo Vocal Olisipo, composto por Armando Possante direcção musical e barítono, Elsa Cortez soprano, Maria Luísa Tavares mezzosoprano, Maria de Fátima Nunes mezzosoprano e Carlos Monteiro tenor levarão à prática, num concerto dedicado ao Barroco, um programa que compreende :

      John Bennet (ca. 1575 – após 1614) All creatures now

      Thomas Morley (1558 – 1603) April is in my mistress’ face

      Thomas Weelkes (ca. 1575 – 1623) O care, thou wilt despatch me

      John Bennet  Weep, o mine eyes

      John Wilbye (1574 – 1638) Weep, weep mine eyes

      John Farmer (ca. 1565 – ca. 1605) Fair Phylis I saw

      Thomas Tomkins (1572 – 1656) Too much, I once lamented

      Anónimo (séc. XVI)  Senhora del Mundo, Venid a sospirar al verde prado

      Manuel Machado (ca. 1585 – 1646) Dos estrellas le siguen, Que bien siente Galatea,

 Oscurece las montañas

      Claudio Monteverdi (1567 – 1643) Zefiro torna, Si ch’io vorrei morire, Lamento d’Arianna

    Pode salientar-se, como novidade neste concerto dedicado ao Barroco, a peça de Manuel Machado, um dos herdeiros da escola de música da Sé de Évora (segundo o CCB) mas compositor e harpista predominantemente na Capela Real (Madrid) durante o período filipino e, nesse sentido, um dos melhores exemplos do Barroco Ibérico. De Dos estrellas le siguen há um registo de Gerard Lesne (alto) com o Ensemble Circa 1500 da flautista Nancy Hadden :

 

   Não havendo, entretanto, registo fílmico de actuações do GrupomVocal Olisipo, mostramos-lhe uma gravação vocal do Kyrie da Missa Quarti Toni de Frei Manuel Cardoso (1566-1650), compositor da mesma época mas em Vila Viçosa e no Convento do Carmo (Lisboa) :

 

escadote_ccb   Ainda no CCB, na sua Sala de Ensaio, às 16h, decorre desde Sábado 26 até Quarta 30 de Janeiro a estreia absoluta da peça “Escadote” de Miguel Antunes, que também a encena e interpreta, juntamente com Maila Dimas, sobre música original de Ricardo Freitas.

   Diz o programa que : “ O Escadote nasce da observação do quotidiano, como que aumentando uma fracção infinitesimal de uma vida, escolhida ao acaso. Esta tentativa de «tornar visível o invisível» (Peter Brook) é desenvolvida em torno de questões alusivas ao livre arbítrio e ao condicionamento do indivíduo em tempos de possibilidades infinitas.

   Uma imagem inicial: um escadote e um homem que o observa. A aparente banalidade da situação é rapidamente afastada pelas sucessivas tentativas de subida do escadote. Atraída pela visão do espectáculo, uma transeunte aproxima-se. Sente-se desconcertada. A acção desenrola-se nos sucessivos encontros e desencontros entre estas duas personagens”

 

   Igualmente no Domingo 27 de Fevereiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz há, às 16h e por iniciativa do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, um Recital de Violoncelo, Violino e Piano de entrada livre, com a presença de Maria Bykova violino, Nuno Cardoso violoncelo e Duarte Pereira Martins piano e a participação especial de Ana Paula Russo soprano interpretando temas de Frederico de Freitas, Cláudio Carneyro e outros.

   Será simultaneamente feita a apresentação da revista “Glosas 7”.

 

 

elisabeth leonsjaka   Entretanto no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, a pianista georgiana Elisabeth Leonsjaka prossegue, pelo segundo dia, a interpretação integral das sonatas de Schubert, escolhendo-as de diversas épocas crológicas.

   Assim neste Domingo 27 de Janeiro serão interpretadas, de Franz Schubert, a Sonata em Si maior, D. 575, a Sonata em Lá menor, D. 537 e a Sonata em Ré maior, D. 850.

   Transcrevemos do programa : “Quando se reside em Viena, conhece-se o ar que Brahms e Schubert respiraram”, afirmou Elisabeth Leonskaja certa vez. Da mesma forma, ouvi-la interpretar Schubert significa aceder aos segredos mais profundos do compositor. Nascida em Tbilisi em 1945, habitante de Viena desde 1978, grande amiga de Sviatoslav Richter e por ele admirada, Leonskaja disse ao mundo quem era aos nove anos, aquando da sua primeira apresentação pública…

15_-_S~17_-_JU~1   Por último, no campo expositivo das artes plásticas, é interessante o novo programa do MNAA-Museu Nacional de Arte Antiga, designado por Obra Convidada, de trazer ao Museu obras de arte de importantes instituições internacionais, o qual se iniciou na passada Quinta-feira 24 de Janeiro com Lucas Cranach, o Velho (1472–1553) num espectacular confronto entre duas pinturas afins expostas na Galeria de Pintura Europeia do Museu Nacional de Arte Antiga até 28 de Abril.

   Vinda do Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, “Judite com a Cabeça de Holofernes” (à esq.) apresenta-se ao lado da célebre “Salomé com a Cabeça de São João Baptista” (à dir.), do MNAA. Uma extraordinária ocasião para entrar em contacto com o peculiar e vasto universo feminino da obra de Cranach, onde a graça e a voluptuosidade podem ser emblemas de virtude heróica (Judite) ou de sedutora perversidade (Salomé) e onde frequentemente se esbatem ou se tornam ambíguas as noções de beleza, sagrada e profana.

   A reunião destas duas pinturas – pela primeira vez, dado que nunca participaram nas mesmas exposições – permite-nos ver a forma semelhante como Cranach retrata duas figuras diferentes, utilizando os mesmos artifícios e uma composição similar.

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui )

 

 

 

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