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CHAMARAM-LHE PORTUGAL (Episódios da História de Portugal) – 1 – Apresentação e selecção de José Brandão

Nota da Coordenação – Como oportunamente anunciámos, começamos hoje a publicar esta nova série organizadaa pelo nosso colaborador, e argonautaImagem1 fundador, José Brandão. Dir-se-ia que o nosso blogue, que A Viagem dos Argonautas, não ficaria reconhecível sem este espaço a que nos habituámos desde o prinmeiro dia – aquele em que o historiador José Brandão aborda um tema da nossa História. É, pois, com grande satisfação que damos hoje início a

CHAMARAM-LHE PORTUGAL

(Episódios da História de Portugal)

Apresentação

Chamaram-lhe Portugal apresenta-se como uma selecção de textos escritos por alguns narradores da gesta portuguesa.

Chamaram-lhe Portugal pode ser – se o leitor o permitir – uma espécie de bilhete de identidade de uma nação que regista factos e feitos de glória memorável e que são aqui enunciados conforme os autores os deitaram ao Mundo.

Mas – importa dizer – isto é mais do que uma simples antologia alinhando textos e textos uns a seguir aos outros por ordem cronológica. Trata-se mais acertadamente duma «montagem» ordenada e articulada essencialmente em torno de grandes temas nacionais.

«A História de Portugal consiste numa série de quadros, em que, na máxima parte das vezes, os caracteres dos homens, os seus actos, os motivos imediatos que os determinam e as condições e modo por que se realizam, merecem antes a nossa reprovação do que o nosso aplauso. Crimes brutais, paixões vis, abjecções e misérias compõem, por via de regra, a existência humana; e por isso mais de um moralista tem condenado o estudo da história, como pernicioso para a educação.» São palavras de Oliveira Martins na apresentação da sua História de Portugal.

«A nossa história, mais ainda do que a de outras nações da Europa, para surgir da sombra das lendas a luz clara da realidade carece de indagações profundas e de apreciações sinceras e desinteressadas. Será trabalho mais útil, embora mais difícil, do que certas generalizações e filosofias da história, hoje de moda, em que se generaliza o erróneo ou o incerto e se tiram conclusões absolutas de factos que se reputam conformes entre si, e que, provavelmente, mais de uma vez os estudos sérios virão mostrar serem diversos, quando não contrários. A poesia onde não cabe; a poesia na ciência é absurda. A imaginativa tem mais próprios objectos da sua fecundidade.» Disse Alexandre Herculano na sua História de Portugal.

Seleccionaram-se os textos expondo-os exactamente como constam nas respectivas obras de origem sem qualquer alteração na transcrição dos conteúdos seleccionados. Apenas por razões de comodidade de leitura foram dispensadas as chamadas «notas de rodapé» sendo o leitor encaminhado para a consulta da obra referida no final de cada capítulo. Igualmente se tem por fundamentado o critério de escolha ou de exclusão utilizado na composição das páginas que se seguem. Devidamente assinaladas, […], as interrupções são da exclusiva responsabilidade do organizador deste trabalho.

O autor deste trabalho quis reduzir aqui a sua condição à dum simples documentalista; deve acrescentar que, se muitos textos podem provocar algum enfado no leitor, devido à sua extensão, ao seu verbalismo, a culpa não se nos pode imputar.

José Brandão

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Amanhã –  D. AFONSO HENRIQUES – O CONQUISTADOR

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