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EM BISSAU – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

         

Em 1975 chego a Bissau, procuro o Ministério da Economia. Lá está o Vasco Cabral, amigo meu de há muitos anos, resistência antifascista em Portugal. Parente ele não é do Amílcar Cabral, apenas o mesmo apelido.         

Num anexo, lá está a Teresa, diretora geral das Finanças. Portuguesa e branca, é a esposa do Vasco, africano e negro. Portanto, por aqui não há racismo. Antes pelo contrário, há até muito amor, por ela o Vasco desdobra-se em poemas, combatente a despedir-se da bem amada.                                                                                                          

Em 1953, ainda na prisão, em Lisboa, Vasco começa a escrever  poemas que reunirá, já depois da independência da Guiné-Bissau, sob o título A luta é a minha primavera. Acha que a língua portuguesa é a única que pode interpretar e traduzir os anseios das múltiplas etnias guineenses, cada qual com a sua fala própria e tentando ser a exclusiva ou a dominante. Será até ele o fundador da União Nacional de Escritores da Guiné-Bissau (assim mesmo, em português). De herança, os guineenses têm, pelo menos, a nossa língua…

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