Em julho de 1975, ao cair da noite um automóvel, escoltado por quatro motociclistas, pára frente a uma vivenda que fica na marginal da cidade da Praia. É Pedro Pires, o primeiro-ministro de Cabo Verde. Vem despedir-se do guineense Vasco Cabral, o qual partirá amanhã para Bissau, eu também. Não quero ser intrometido e recolho-me lá para os fundos da vivenda. Porém, pouco tempo depois o Vasco vai buscar-me e apresenta-me o Pedro Pires. É uma simpatia de homem. Entre outras coisas pergunta-me:
– Como é que vai a Reforma Agrária portuguesa? Vinga?
Respondo:
– Se o folclore revolucionário for substituído por uma eficiente gestão económica, não há quem possa destruí-la…