Num lugar em nenhuma parte
Num lugar em nenhuma parte havia uma casa com pessoas que a habitavam. Bom, para ser sincera, havia mais casas que uma. Todas com os seus cimentos e bases, compartimentadas em quartos úteis, com as suas traves e telhados, com as suas janelas e portas. E as pessoas faziam a vida dentro, fora e arredor.
Depois as cousas todas foram organizadas. E sobre a casa houve assembleias públicas e privadas, acordos públicos e privados, roubos públicos e privados, latrocínios (deixemos já a distinção), homicídios, assassinatos, coroações, condecorações, perseguições, processos, matrimónios organizados, homossexualidades reprimidas, nomeamentos inominados.
Parlamentos e parladoiros, constituições e constipações, repúblicas privadas, monarcas públicos, condados e ducados condeducados, presidentes presentes e ausentes, misteriosos ministérios, provincianos chefes de província, alcunhados alcaides alguazis, bem fiados secretários e notários, escrivãos escrevinhadores, historiadores, padres, popes e papas do mundo conhecido e desconhecido. Cada vez mais desconhecido, cada vez mais enterrado na complexa construção organizativa.
Mas lembremos que a casa e a sua gente estavam ali muito antes disso tudo começar.
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