Da Galiza, mensagem : Espírito do Carnaval – por Isabel Rei

Da Galiza mensagem

Espírito do Carnaval

Um africano, um herói e um pirata, entre os três contariam trinta e três anos, apareceram à porta esta terça-feira. Vinham pedindo chocolates num português galego delicioso.

Conseguiram abrir sorrisos e algumas lambetadas, cordiais e tranquilos, os pícaros lembravam que o entrudo é para fazer carnaval, enfiar o disfarce e dizer-lhe a toda a gente que podemos ser outrem por uns dias.

Desprendiam um forte aroma de inocência e ao mesmo tempo entendiam perfeitamente o que o disfarce significa. Quando iam embora desejei ir com eles, vestida do que for, ir fazer as mascarinhas pela vila adiante como antes.

Não vejo por que os portugueses não podem fazer o mesmo. Aparecer à porta da casa disfarçados de galegos, a pedir guloseimas e fazer sorrir à gente. Não percebo por que sempre andam montados nessa seriedade de história rápida com que os alimentaram para serem mais fortes, diz que.

Está por demonstrar que a fast food seja mais nutritiva do que um bom caldo com filhoas e orelhas. Faz-lhes falta pôr-se no lugar do outro e imaginar o que sente uma pessoa quando a porta se abre. Reinventar a própria história, rir de si mesmos, lembrar o espírito do carnaval.

 

Ilustração do artista português Cunha Barros na revista galega Ronsel, n.º 5, 1924.
“Costume português” de Cunha Barros na revista galega Ronsel, n.º 5, 1924.

 

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3 Comments

  1. A ilustração intitula-se “Costume português” e o seu talentoso autor é um desconhecido até para os próprios paisanos, que desconhecem quase tudo da sua biografia.

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