Posts Tagged: isabel rei

Da Galiza, mensagem : Inutilidades – por Isabel Rei

Inutilidades Pessoa no Livro do Desassossego: “Porque é bela a arte? Porque é inútil. Porque é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções.”, era Bernardo Soares quem falava. Imaginemos Bernardo Soares, tristeiro apaixonado, enfastiado do capitalismo

Da Galiza, mensagem : Nadarias – por Isabel Rei

Nadarias 1. Um amigo sábio que tenho convidava-me o outro dia a fazer poesia inútil. Porque, dizia, a melhor poesia não vale para nada. Eu lembrava-lhe que já Pessoa andava nessas. Alguns poderão considerar o meu amigo um pouco radical,

Da Galiza, mensagem : Despedida de Camões – por Isabel Rei

Despedida de Camões Psst, pssssst! Sr. Couto, acorde! Não tenho todo o dia! Lamento esta fugida matinal, esta despedida assim, sem formalidade nem cerimónias, mas prefiro ir embora antes de que o resto do mundo dê por mim. Ou seja,

Da Galiza, mensagem : Viúvos de vida – por Isabel Rei

Viúvos de vida   Nunca de pequeno tanta excitação e medo sentia como quando o avô contava histórias de desaparecidos ao lume da lareira, envolvidas as mãos na cunca fumegante, espelhando chinescas sombras na parede. Nas noites de inverno quando

Da Galiza, mensagem : Tango galego – por Isabel Rei

Tango galego Entrou fugindo da chaira da realidade. Pretendia deixá-la atrás da porta e por isso empurrou a folha com força. No bar balorento pairava um besbelhar de gentes diversas, preocupadas com o seu. Arranjou um lugar no balcão e

Da Galiza, mensagem : Vacas – por Isabel Rei

Vacas Abofé que punha “Salgueirinhos”! O que? Cuida essa língua que ainda levas umas vareadas. Isto é uma trangalhada, o neno vai perdido. Que não, o letreiro dizia “Salgueirinhos”. Sei que é um mercado onde a gente merca. O que?

Da Galiza, mensagem : Cabana Muenemutapa – por Isabel Rei

Cabana Muenemutapa   Ela se ergue como uma lança, e entre o céu e a poeira simplesmente dança. Glória de Sant’Anna   Tou maningue cansado!, queixava-se o rapaz entanto os pés batiam na escaldante poeira do areal. Era a caminhada

Vindicação do lagarto curimpãpã – por Isabel Rei

Vindicação do lagarto curimpãpã  por Isabel Rei Foi com o bacororô e o cucuicogue que o lagarto curimpãpã fugiu tremelicando, subindo jirau de paxiúba e carandá, assustando os pacus, só parando no pé de aninga, a muita distância do bater

Da Galiza, mensagem : Caravel dourado – por Isabel Rei

Caravel dourado   Era não 25 de abril mas de agosto quando o levaram de Vigo na noite, a mãe a proteger os filhos com uma mão, a agarrar o marido com a outra. E apareceu na seguinte madrugada encostado

Da Galiza, mensagem : Batepá – por Isabel Rei

Batepá Era 3 de fevereiro de 1953 quando arredor de mil pessoas foram assassinadas pelos colonos na praia de Fernão Dias e noutros lugares da ilha de São Tomé. A poeta são-tomense Alda do Espírito Santo descreveu assim o massacre

Da Galiza, mensagem : O nosso papel na Lusofonia – por Isabel Rei

O nosso papel na Lusofonia   Vivemos de utopias. Desde a beleza do amigo que medievais atendemos, cercadas de ondas que grandes são, temos passado à utopia do mar e das índias vencendo os ventos da Trapobana, depois a utopia

Da Galiza, mensagem : A língua do poder – por Isabel Rei

A língua do poder   Diferentes estados, diferentes culturas, diferentes línguas. Mesmo estado, mesma cultura, mesma língua. É desse jeito que nos educam e por isso não entendemos nada. Na verdade, os estados não são conjuntos nacionais, as culturas ignoram

Da Galiza, mensagem : Naufrágio – por Isabel Rei

Naufrágio   Quem mora no fundo do mar não precisa de intérprete. Abre e fecha as escamas para formar sílabas, palavras, frases. Todos os seres marinhos conhecem a língua do fundo do mar.   Para quem mora no fundo do

Da Galiza, mensagem : O universo jamais começou – por Isabel Rei

O universo jamais começou   Antes era costume nomear tempo e lugar: Há muito tempo, algures. Mas quem vem do além-mar principia por dizer que Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e

Da Galiza, mensagem : Galiza extrema e dura – por Isabel Rei

Galiza extrema e dura A Estremadura espanhola está a animar as pessoas da sua comunidade para aprenderem língua portuguesa. Dizem que saber português melhora o currículo académico e permite aspirar a mais e melhores postos de trabalho. É o mesmo