A manifestação de hoje é particularmente importante. Por muitas razões. Mas a principal é a de que os actuais governantes, mais do que quaisquer outros depois do 25 de Abril, têm actuado com a convicção de que os portugueses não estão habituados a resistir e a fazer a política que lhes é favorável de uma forma organizada e continuada. Olham para a história recente, e concluem que a emigração tem sido a válvula de escape habitual das tensões sociais no nosso país. Daí os incentivos que têm feito, uns mais claros, outros mais velados, no sentido de que se procure emprego lá fora. O facto de negaram essa intenção não chega para esconderem um facto tão evidente.
Não terão sido os primeiros a actuarem assim. Mas, neste momento, mais do que olhar para a história (ressalvando que é sempre importante aprender com o passado), é preciso olhar para as urgências do presente. A primeira é a saída deste governo do poder. A sua incompetência e a sua falta de vontade de procurar caminhos mais acertados estão mais do que demonstradas. A procura constante de aprovação da sua actuação, seja junto de Angela Merkel, Cristine Lagarde, ou dos simples funcionários da troika, constitui uma prova insofismável de fraqueza, e contribui grandemente para a má imagem do país, nos países nórdicos, e por todo o lado. Um país governado desta maneira não é mais do que um daqueles protectorados do tempo colonial, nos quais não se fazia nada de relevante sem o aval da potência colonizadora. Até Adriano Moreira chamou a atenção para o facto. Evidentemente que a potência colonizadora põe os seus interesses em primeiro lugar.
Há três grandes urgências, imediatamente a seguir. Remover imediatamente os obstáculos que mais obstam ao funcionamento normal da economia, como as portagens, que não são mais do que um imposto paralisante, que só aproveita a grupos económicos que não servem o país, reduzir o IVA em sectores estratégicos, como o da restauração (e não só), e pôr os serviços públicos a trabalhar normalmente, com a colaboração dos seus funcionários. Por cima disto tudo, captar os jovens, apelando à sua participação e responsabilização. Sem eles, Portugal deixará de existir.


