DIÁRIO DE BORDO, 29 de Setembro de 2012

 

Hoje é dia de manifestação da CGTP.  As manifestações são hoje em dia, em Portugal, mais do que uma maneira de um grande número de pessoas dar visibilidade à sua contestação a este ou aquele ponto concreto, esta ou aquela decisão governamental , a prova de que há um sentimento muito disseminado de que é necessário alterar o rumo geral das políticas que têm estado a ser impostas.  Daí o interesse em terem uma adesão significativa.

Convém não esquecer que a imposição e continuidade das políticas de austeridade assentou muito na ideia de que estas estariam a obter a aceitação da maioria das pessoas. Pelo menos assim se pretendeu fazer-nos acreditar. Que as pessoas concordavam que teriam estado a viver acima das possibilidades do país. Responsáveis governamentais e responsáveis europeus manifestaram essa ideia de aceitação, que inclusive foi invocada diversas vezes como prova da bondade dessas políticas. Teria sido mesmo um ponto importante para a tal classificação de Portugal como “bom aluno” (de sadomasoquismo?).

Isto apesar de todos os sinais de que não se tem estado a caminhar para melhor. O enorme controle da comunicação social, o esforço de um governo mais virado para a propaganda do que realmente para o governo do país, contribuíram para a aceitação por muitos dessa ideia da bondade das políticas de austeridade (para falar genericamente). Mas a  situação tem sido cruel para muita gente, e mais violenta do que o prevista, ultrapassando largamente o previsto. O episódio da TSU, pela brutalidade das medidas, terá aberto os olhos a mais pessoas ainda, mas não parece ter demovido os responsáveis do erro gravíssimo que constitui o caminho que têm seguido. Por isso é necessário continuar a contestá-lo. Até porque um dos grandes objectivos do actual governo é tornar irreversíveis as actuais políticas.

As manifestações são importantes mas não chegam. Outros caminhos são necessários, nos vários níveis e em todos os recantos do país. É óbvio que a continuidade deste governo é perigosíssima. O facto de Portugal ser um país periférico, subjugado por uma elite europeia sem escrúpulos, cujos ditames são mais do que lei, são objecto de culto para a nossa elite nacional, não ajuda nada. Um dos caminhos em que se tem de persistir é no da aproximação com as lutas dos outros povos, na Europa e não só. Mas uma das prioridades é, sem dúvida, o da aproximação às lutas dos restantes povos da península. Salvaguardando a nossa própria identidade.

 

 

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