por Rui Oliveira
São novamente escassos os elementos novos no panorama cultural desta Quarta-feira 13 de Março, mas mesmo assim destacaríamos dois.
Nesse dia a programação do Teatro da Politécnica (actual sede dos Artistas Unidos) inclui dois actos, a estreia duma peça e a inauguração duma exposição.
“Por Tudo e por Nada” é o texto de Nathalie Sarraute, traduzido por Jorge Silva Melo e Pedro Tamen que Jorge Silva Melo (foto esq.) escolheu para encenar.
Interpretam-no João Meireles, Pedro Carraca, Andreia Bento e António Filipe, a cenografia e figurinos são de Rita Lopes Alves com uma gravura de Jorge Martins.
Conta a história de dois homens, um profissional, social e pessoalmente realizado, e o outro, um artista falhado, que se afastaram por causa de um episódio acontecido no passado.
Estará em cena até 27 de Abril com sessões de Terça (às 19h) a Sábado (às 16h e às 21h).
Diz o encenador : « Sarraute é uma romancista única, impenetrável. O seu teatro, insinuante e irónico, prolonga o gesto romanesco e amplia-o» … – “Nas minhas peças não há acção, foi substituída pelo fluxo e refluxo das palavras – reconhece Nathalie Sarraute (aliás Natalia Ilinichna Tcherniak, nascida em Ivanovo, Rússia). «… Uma das escritas mais pertinentes do século XX, vinda da Rússia que já sabemos ter sido de Tcheckhov. Mas a pequena música de Sarraute é uma música fúnebre: alguém está a morrer…» e cita em seu apoio este excerto :
Homem 1 Ouve lá… Queria fazer-te uma pergunta… Foi um bocado por isso que vim… Eu queria saber… Que é que aconteceu? Que é que tu tens contra mim?
Homem 2 Eu? Nada… Porquê?»
No mesmo intervalo de tempo (de 13 de Março a 27 de Abril) abre no Teatro da Politécnica uma exposição de Sérgio Pombo intitulada “O Corpo e a Linha”.
Dela diz o director do Teatro : «A pintura de Sérgio Pombo − pintura, desenho, com figuras ou sem, … que nele tudo é … irredutivelmente pintura, mesmo quando é escultura − é tão brilhantemente viva que ofusca, é tão desassombrada que nos assalta o equilíbrio … mas promete-nos o humano, o humano presente, o humano simplesmente, a vida de hoje, esta, sufocantemente bela na sua crueza rápida, na sua imensa solidão.
O outro evento para que chamaríamos a atenção é a conferência que, no Ciclo de Conferências “360º Ciência Descoberta” (título da exposição a que nos referiremos abaixo) vem proferir, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h, Annemarie Jordan, investigadora do Centro de História de Além-mar (FCSH/UNL).
Intitula-se “Os paquidermes do Rei D. Manuel I. Elefantes e outra exótica na menagerie portuguesa”.
A entrada é livre. Haverá transmissão online : http://www.livestream.com/fcglive e simultânea videodifusão http://live.fccn.pt/fcg/ .
São poucos os estudos sobre a cultura da Corte portuguesa na Renascença que se dedicaram ao papel que os animais domésticos e, subsequentemente, durante a Era das Descobertas, os exóticos, desempenharam no imaginário dos monarcas portugueses dos século dezasseis. Adquirir, possuir e exibir animais na Corte ou nos palácios lisboetas e, posteriormente, nas colecções de animais ferozes em jaulas e nos jardins das residências reais portuguesas, tornou-se uma prioridade. A caça e a captura prevaleciam metaforicamente e as colecções de animais e pássaros, domésticos ou importados, constituíam uma componente essencial do aparato, da exibição e do imaginário cultivados na Corte portuguesa ao longo do século dezasseis.
1.A imagem do mundo antes das viagens marítimas;
2.O contacto com as novidades da geografia, da botânica, da zoologia, etc.;
3.a criação de novas disciplinas de base matemática e os desenvolvimentos tecnológicos;
4.O impacto da nova imagem do mundo no surgimento da ciência moderna.
Este é o spot publicitário que a FCG preparou para a sua divulgação :
“O que significa ter uma nacionalidade? […] É a tal enigma que se entregam os jovens realizadores que aceitaram o desafio da série «Os Latino-Americanos», produzida pela TAL (Televisão América Latina). […] Nestes, o sinal comum mais evidente é a sobreposição da fragmentação à utopia da identidade. E é daí que o conjunto adquire sua maior força. Em vez de ceder aos encantos do folclórico ou buscar nas raízes uma suposta identidade fundada em bases míticas tampouco certas, os jovens documentaristas do projecto preferiram auscultar o presente. […] A estratégia comum aos trabalhos é percorrer os países, entrevistando gente comum….”.
O penúltimo, sobre “Os Argentinos” é exibido na Quarta-feira 20 de Março, enquanto o último sobre “Os Uruguaios”, será projectadodo na CAL na Quarta-feira 27 de Março, sempre às 19h.
Ao filme segue-se um debate com o autor, que falará sobre a sua experiência em Santiago do Chile.
Mostramos-lhe um excerto do documentário :
«O espectáculo de circo no qual se baseia o título da exposição … − diz Jorge Catarino ao apresentar a exposição −, e que resulta do esforço de equilíbrio permanente entre forças opostas, funciona como metáfora para uma reflexão sobre a vida e a morte. O jogo de distâncias das polaridades é afinal testemunha da sua infinita proximidade, onde natureza autónoma de cada um se afirma necessariamente pela existência negociada com o seu contrário. Esta interdependência dos valores antagónicos é manifestada no trabalho de Paulo Brighenti com o diálogo entre positivo e negativo, pequeno e grande, escuro e luminoso, manifestando o seu carácter simultaneamente próximo e distante».
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)


