Pentacórdio para Quarta-feira 6 de Março

por Rui Oliveira

 

 

    É escassa a agenda desta Quarta-feira 6 de Março que conta apenas com dois ou três eventos dignos de menção.

 

Museu Nacional de Arte Antiga 16

   Um deles é um Concerto Antena 2 a ter lugar no Museu Nacional de Arte Antiga, às 19h, de entrada livre, onde os jovens irmãos de Vila Nova de Gaia Fernando Costa violoncelo e Luís Costa  piano irão tocar um programa que compreende de :

 

      Robert Schumann  Cenas Infantis, op. 15

      Joly Braga Santos  Ária I e II

      Gabriel Fauré  Sicilienne e Élegie

      Franz Liszt  Sonetos de Petrarca 104 e 123

      Robert Schumann  Peças de Fantasia, op. 73

Fernando Costa 305229 

phpThumb - Copy   São ambos instrumentistas premiados em concursos vários (Prémio Jovens Músicos, Concurso de Santa Cecília), estando Fernando Costa actualmente a trabalhar com o prestigiado violoncelista Lluis Claret (Barcelona) e tendo Luís Costa em 2012 sido aceite para a classe de Friedemann Rieger na Hochschule Für Musik der Kunst Stutgartt que concluiu com a classificação máxima.

   Não há ainda registos formais destes jovens músicos; apenas encontrámos este vídeo amador sobre uma actuação do violoncelista Fernando Costa em duo com a pianista Joana Moreira em 2010 :

 

 

 

 

paredes de vidro   Também poderá ter interesse a apresentação que o Teatro do Vestido (estrutura financiada pelas D.G.Artes da Secretaria de Estado da Cultura) fará, em estreia absoluta, da sua nova produção “Paredes de Vidro” na Sala de Ensaio do Centro Cultural de Belém, às 11h desta Quarta-feira 6 de Março, a qual ficará em palco até Domingo 10 (a horas diversas).

539871_10151348640766051_1142854911_n   Com direcção e co-criação de Joana Craveiro, com co-criação e interpretação de Inês Rosado, Isabel Gaivão eGustavo Vicente e co-criação e música de Gonçalo Alegria e Isabelle Coelho, esta produção de Joana Vilela vem na directa sequência de “Tropeçar”, que foi também uma encomenda feita, essa a partir do universo, das inquietações e das dúvidas postas pelas crianças, pelos filhos.paredes de vidro 1

   Na altura (Junho de 2011) dizia-se ser «… um projecto de teatro para a infância que fala do que está dentro dela, do que se esconde na cabeça de ser criança. O aqui. A dificuldade de conceber o ali para além do aqui, a construção e a alegria disso tudo. Um espectáculo que talvez seja um manifesto, talvez seja um conjunto de perguntas,… que pretende ser mais sobre aquilo que as crianças nos dizem e menos sobre o que nós lhes dizemos a elas».

   “Paredes de Vidro” apresenta o outro lado, pois parte do universo dos pais. A realidade é a mesma, mas como que vista noutra perspectiva, através de uma parede de vidro, a tal de que falávamos no texto final do Tropeçar: «Às vezes entre mim e eles havia uma parede de vidro.»  Paredes de Vidro aborda, pois, o ponto de vista dos pais, para que não se achem esquecidos ou marginalizados em todo este processo, para que sintam que também têm uma voz.

 

 

talkfest 

Cartaz_Talkfest13-Final__   Inicia-se ainda Quarta-feira 6 de Março (e prolonga-se até Sexta 8) o Talkfest’13 Fórum sobre o futuro dos festivais de música em Portugal” que vai decorrer em Lisboa (Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa – ISEG-UTL).

   Para além de conferências sobre diversas temáticas relacionadas com os festivais de música (e.g. turismo, ecologia, novas tecnologias) que se vão realizar durante o dia no ISEG-UTL, a segunda edição do Talkfest’13 traz três noites de concertos à “mítica” Aula Magna com a presença de algumas das melhores bandas portuguesas da actualidade, como Paus, Os Pontos Negros, Capitão Fausto, Salto, doismileoito, Cavaliers of Fun e Ciclo Preparatório.

   O pormenor da programação integral pode ser consultado no site em : https://www.facebook.com/notes/talkfest/programa%C3%A7%C3%A3o-talkfest13-6-a-8-de-mar%C3%A7o/388784914523705

   O Talkfest’13 junta-se, também, ao Programa UL – Consciência Social. Desta forma, os bilhetes adquiridos de modo individual, ou através de apoio/parceria organizacional, contribuem para esta iniciativa da Universidade de Lisboa. Sob o lema “que nenhum aluno abandone o seu curso devido a dificuldades financeiras”, o Programa UL – Consciência Social visa apoiar os estudantes mais carenciados, disponibilizando-lhes várias medidas que os ajudem a suportar os seus custos de vida e de educação muito afectados pela crise em curso e a dificuldade governamental em lidar com ela.capfausto-e3e7

   Na noite de Quarta-feira, das 22h à 01h da manhã, actuarão no palco da Aula Magna os grupos Capitão Fausto (foto) e Salto.

   Reproduzimos o vídeo (recomendado como sugestão no site) do tema Teresa do álbum “Gazeta” do grupo Capitão Fausto :

 

 

 

   Por último, novo alerta sobre três exposições que encerram no próximo Sábado 9 de Março e cuja visita aconselharíamos. Hoje referir-nos-emos a uma delas.

1358522972   Encontra-se aberta ao público desde 12 de Janeiro último na Galeria 111 (Campo Grande, nº 113) uma mostra de obras do pintor Júlio Pomar que intitulou “Atirar a Albarda ao Ar” e que ali regressa dez anos após a anterior.

   O título explicou-o o artista como “uma forma simples de dizer basta”, associada à difícil situação do país – porque, como disse numa entrevista (ao JN), “tenho olhos e ouvidos abertos”. “É uma reação intuitiva à crise, uma rejeição da fatalidade”, acrescentou Pomar.

   A albarda do título também se liga directamente à presença do burro em vários destes quadros, com a entrada de mais um animal no bestiário do pintor, que surgiu muito cedo na sua obra e em que se contaram antes os macacos, tigres, corvos e porcos, entre outros “animais de estimação” que podem ser também referências literárias e mitológicas.

fullsize-exposicao-atirar-a-albarda-ao   O burro é aqui um novo personagem que aparece a “atirar a albarda ao ar” e também está associado com humor aos temas do fado de uma série recente de retratos (“Burro tocando guitarra”), mas é igualmente a montada de Sancho Pança, que regressa em mais uma visita livremente imaginária ao romance de Cervantes, ilustrado por Júlio Pomar pela primeira vez em 1957-59 e de novo em 2005 para uma edição do Expresso, da qual se mostram alguns desenhos.

67   Várias das obras expostas, todas elas muito recentemente concluídas, constituem assim um regresso a temas e séries presentes na obra de Pomar ao longo do tempo. Além de D.Quixote e Sancho Pança e dos animais recriados como personagens de ficção, é o caso da tauromaquia (“Um ferro de palmo”), de mais um auto-retrato (duplo) e do retrato de Fernando Pessoa, que aqui surge acompanhado de Alfredo Marceneiro. E se a apropriação de um dos mais famosos quadros de Vermeer, “A Arte da Pintura”, é aqui uma significativa novidade (“Diálogo entre a Pintura e o Real Imaginado”), também é certo que o diálogo com grandes nomes da pintura ocidental, nomeadamente com Goya, Ingres, Chardin, Courbet e Cézanne, tem sido sempre ponto de passagem importante do itinerário do artista.

   O reencontro com momentos fortes da carreira do pintor acontece com a novidade das invenções sempre inesperadas, com a ironia de quem revê e renova um itinerário de muitas décadas, ao mesmo tempo que um longo trabalho da pintura, feito de sobreposições e rasuras, acasos, ocultações e aparições, em cada quadro saído do atelier, aparece sempre com a frescura e a espontaneidade de um trabalho “in progress” ou subitamente suspenso.

         mutante   a revolta dos burros

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui )

 

 

 

 

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