por Rui Oliveira
A agenda desta Sexta-feira 15 de Março é bastante plural, havendo espectáculos para (quase) todos os gostos e paladares, como é uso dizer-se…
Poderemos começar pelo teatro (arbitrariamente), voltando o olhar para o que no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém irá (aparentemente) fazer a companhia do Teatro Praga quando, às 21h deste 15 (e 16) de Março, apresentar “A Tempestade – a partir de Shakespeare e Purcell”.
Fazendo a história :
O Teatro Praga – grupo de artistas em constante metamorfose e sujeitando-se a variações imprevisíveis de si próprios, que labora sem encenador e pretende sublinhar a irrepetibilidade da prática teatral (!) – estreou, em 2010, no CCB, “Sonho de uma Noite de Verão”, a partir da peça homónima de Shakespeare e da semi-ópera de Henry Purcell, “The Fairy Queen”.
Em 2013, com o musical “Tempestade”, dá-se o segundo acto de uma trilogia que versará as outras duas obras – “King Lear” e “The Tempest or The Enchanted Island“ – compostas por Purcell com ligações a Shakespeare. Juntando a electrónica de Xinobi & Moulinex à partitura de Purcell e as palavras do Teatro Praga às de Shakespeare, a companhia propõe-se «fazer uma, outra, várias, inúmeras tempestades»… (nas suas palavras)
Veremos.
Também na Sexta-feira 15 de Março, às 21h30, perto do CCB, no Auditório do Museu do Oriente, há um Concerto para Alaúde, canto e darbuka no âmbito da divulgação da cultura luso-árabe, baseado num repertório de músicas tradicionais e outras originais em que a influência mediterrânica, do Médio Oriente e Índia se fazem sentir.
No palco Eduardo Ramos (alaúde árabe, zukara, flauta de bambu e voz), Baltazar Molina (bendir, tar, darbuka e zarb), Tiago Jonatas (bendir e rik) e Carolina Ramos (dança oriental). O organizador, Eduardo Ramos, músico autodidacta, começou a sua carreira a tocar música tradicional portuguesa e algum rock-jazz, assim como música africana dedicando-se actualmente ao estudo e à interpretação da música medieval ibérica do século XIII, assim como da música árabe e dos judeus sefarditas do ocidente e Oriente, sendo um dos precursores da divulgação desta música em Portugal.
Formou este grupo musical Ensemble Moçárabe, com o qual tem dado concertos por todo o país e tem seis álbuns gravados, sendo os três últimos dedicados à música medieval, sefardita e árabe.
Pode aqui ouvir-se “A Senhora do Almurtão”, moda tradicional da Beira-Baixa, do seu álbum “Romance do Peregrino” (2007) aqui : http://youtu.be/bE7AaD3X1ok ou o tema “Andalusino”, um poema de Al-Mutamid traduzido por Adalberto Alves e musicado por Eduardo Ramos :
Cristina, que integra com os seus pais também melómanos o Cristina’s Family Ensemble, deverá ser acompanhada ao piano por Tatiana Balyuk.
Ainda no campo da música erudita, a actividade dos Solistas da Orquestra Metropolitana prossegue nesta Sexta-feira 15 de Março com mais dois concertos, para lá das repetições neste dia daqueles havidos ontem noutro local e que já noticiámos (ver Pentacórdio de Quinta).
Um será na Casa Fernando Pessoa, às 18h30, e nele actuará o Trio de Flauta, Violino e Piano composto por Nuno Inácio flauta, Liviu Scripcaru violino e Anna Tomasik piano, cujo programa de concerto inclui :
Óscar da Silva – Serenata e valsa
Frank Martin – Balada, para flauta e piano
Pablo de Sarasate – Árias Ciganas, op. 20
Bohuslav Martinů – Sonata, H. 254
O concerto será repetido no Sábado 16 de Março, às 18h30, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal.
O outro terá lugar nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, às 13h da mesma Sexta 15, com a presença dum Quinteto de Sopros da Metropolitana constituído por Janete Santos flauta, Luis Auñón Pérez oboé, Jorge Camacho clarinete, Bertrand Raoulx fagote e Jérôme Arnouf trompa.
Irão tocar de Franz Danzi – Quinteto de Sopros em Si bemol maior, op. 56, n.º 1 e de Paul Taffanel – Quinteto de Sopro em Sol menor.
Também este concerto será reproduzido no Sábado 16 de Março, às 16h, agora no Museu Nacional de Arte Antiga.
Explica a autora o tema desta forma :
“O descobrimento do continente Americano significou um novo desafio para aqueles que representavam a face da terra em mapas e descreviam as novidades Americanas para um público ansioso por ler estas notícias.
Para os cosmógrafos ao serviço do Rei de Espanha, grande parte deste projecto dever-se-ia levar a cabo com grande sigilo. As notícias relativas à geografia e à natureza do Novo Mundo tinham um grande valor estratégico, tanto militar como económico e político. Por isso, foram grandes os esforços dos cosmógrafos espanhóis para tentar “esconder” o Novo Mundo dos seus rivais. Esta é uma história sobre espias, intrigas e agentes suspeitos para os quais um mapa certeiro do Novo Mundo era um prémio”.
Diz o seu coordenador Manuel Castro Caldas (Ar.Co) :
«Na sua tentativa de definir e distinguir o trabalho criativo da arte, da ciência e da filosofia, Gilles Deleuze e Félix Guattari sugerem que estas disciplinas procedem a uma luta comum. Lutariam não apenas contra a opinião mas contra o cortejo das opiniões propriamente artísticas, científicas ou filosóficas, contra a Urdoxa de cada uma das disciplinas.
A palestra de abertura nesta Sexta-feira 15 de Março intitula-se “Gato por lebre: histórias naturais de embuste” e será feita por Patrícia Beldade (Instituto Gulbenkian de Ciência).
A entrada é gratuita (mediante levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis).
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)


