Pentacórdio para Sexta-feira 15 de Março

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   A agenda desta Sexta-feira 15 de Março é bastante plural, havendo espectáculos para (quase) todos os gostos e paladares, como é uso dizer-se…

 

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   Poderemos começar pelo teatro (arbitrariamente), voltando o olhar para o que no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém irá (aparentemente) fazer a companhia do Teatro Praga quando, às 21h deste 15 (e 16) de Março, apresentar “A Tempestade – a partir de Shakespeare e Purcell.

andre_teodosio-300x180   No palco estarão André e. Teodósio (um dos criadores, na foto), André Godinho, Diogo Bento, Diogo Lopes, Joana Barrios, J.M. Vieira Mendes, Patrícia da Silva, Pedro Penim, entre outros. A música será de Xinobi & Moulinex, a cenografia de Bárbara Falcão Fernandes e a luz de Daniel Worm d’Assumpção.

   Fazendo a história :

   O Teatro Praga – grupo de artistas em constante metamorfose e sujeitando-se a variações imprevisíveis de si próprios, que labora sem encenador e pretende sublinhar a irrepetibilidade da prática teatral (!) – estreou, em 2010, no CCB, “Sonho de uma Noite de Verão”, a partir da peça homónima de Shakespeare e da semi-ópera de Henry Purcell, “The Fairy Queen”.

   Em 2013, com o musical “Tempestade”, dá-se o segundo acto de uma trilogia que versará as outras duas obras – “King Lear” e “The Tempest or The Enchanted Island“ – compostas por Purcell com ligações a Shakespeare. Juntando a electrónica de Xinobi & Moulinex à partitura de Purcell e as palavras do Teatro Praga às de Shakespeare, a companhia propõe-se «fazer uma, outra, várias, inúmeras tempestades»… (nas suas palavras)

   Veremos.

 

 

 

   Também na Sexta-feira 15 de Março, às 21h30, perto do CCB, no Auditório do Museu do Oriente, há um Concerto para Alaúde, canto e darbuka no âmbito da divulgação da cultura luso-árabe, baseado num repertório de músicas tradicionais e outras originais em que a influência mediterrânica, do Médio Oriente e Índia se fazem sentir.eduardo ramos ae07362_007452

   No palco Eduardo Ramos (alaúde árabe, zukara, flauta de bambu e voz), Baltazar Molina (bendir, tar, darbuka e zarb), Tiago Jonatas (bendir e rik) e Carolina Ramos (dança oriental).    O organizador, Eduardo Ramos, músico autodidacta, começou a sua carreira a tocar música tradicional portuguesa e algum rock-jazz, assim como música africana dedicando-se actualmente ao estudo e à interpretação da música medieval ibérica do século XIII, assim como da música árabe e dos judeus sefarditas do ocidente e Oriente, sendo um dos precursores da divulgação desta música em Portugal.

   Formou este grupo musical Ensemble Moçárabe, com o qual tem dado concertos por todo o país e tem seis álbuns gravados, sendo os três últimos dedicados à música medieval, sefardita e árabe.

   Pode aqui ouvir-se “A Senhora do Almurtão”, moda tradicional da Beira-Baixa, do seu álbum “Romance do Peregrino” (2007) aqui :  http://youtu.be/bE7AaD3X1ok  ou o tema “Andalusino”, um poema de Al-Mutamid traduzido por Adalberto Alves e musicado por Eduardo Ramos :

 

 

 

 

Cristina Dimitrova solo-1131-768x1024   Vindo ao centro da capital, é possível usufruir um concerto de entrada livre na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30 desta Sexta-feira 15 de Março, pois, por iniciativa da Embaixada da Bulgária, a violista búlgara (mas nascida e residente em Lisboa) Cristina Dimitrova irá interpretar, segundo a fonte da iniciativa, obras de Fiorillo (Capriccio nº 28), Veutemps (Le Rossignol), Charles Beriot (Concerto nº 9, op. 10 – 1º parte), Vittorio Monti (Czardas), Bach (Aria), Pachelbel (Canon), Jules Massenet (Méditation), Kreiler (LiebesLied), Petar Hristoskov (Pequena Sonata para solo de violino).

   Cristina, que integra com os seus pais também melómanos o Cristina’s Family Ensemble, deverá ser acompanhada ao piano por Tatiana Balyuk.

 

 

   Ainda no campo da música erudita, a actividade dos Solistas da Orquestra Metropolitana prossegue nesta Sexta-feira 15 de Março com mais dois concertos, para lá das repetições neste dia daqueles havidos ontem noutro local e que já noticiámos (ver Pentacórdio de Quinta).

 

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   Um será na Casa Fernando Pessoa, às 18h30, e nele actuará o Trio de Flauta, Violino e Piano composto por Nuno Inácio flauta, Liviu Scripcaru violino e Anna Tomasik piano, cujo programa de concerto inclui :

    Óscar da Silva – Serenata e valsa

    Frank Martin – Balada, para flauta e piano

    Pablo de Sarasate – Árias Ciganas, op. 20

    Bohuslav Martinů – Sonata, H. 254

   O concerto será repetido no Sábado 16 de Março, às 18h30, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal.

 

 

   O outro terá lugar nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, às 13h da mesma Sexta 15, com a presença dum Quinteto de Sopros da Metropolitana constituído por Janete Santos flauta, Luis Auñón Pérez oboé, Jorge Camacho clarinete, Bertrand Raoulx fagote e Jérôme Arnouf trompa.

    Irão tocar de Franz Danzi – Quinteto de Sopros em Si bemol maior, op. 56, n.º 1 e de Paul Taffanel – Quinteto de Sopro em Sol menor.

   Também este concerto será reproduzido no Sábado 16 de Março, às 16h, agora no Museu Nacional de Arte Antiga.

 

 

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maria portuondo   Quanto a conferências/debates, volta a despertar interesse a conferência que, dentro do Ciclo de “Conferências 360º Ciência Descoberta” associado à exposição do mesmo nome a que anteontem nos referimos, irá proferir esta Sexta-feira 15 de Março às 18h, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian a investigadora da Johns Hopkins University (EUA) Maria Portuondo, especialista com livros publicados sobre a cosmografia espanhola, e que se intitula “Secretos y Longitudes”.

   Explica a autora o tema desta forma :maria portuondo 2

   “O descobrimento do continente Americano significou um novo desafio para aqueles que representavam a face da terra em mapas e descreviam as novidades Americanas para um público ansioso por ler estas notícias.

   Para os cosmógrafos ao serviço do Rei de Espanha, grande parte deste projecto dever-se-ia levar a cabo com grande sigilo. As notícias relativas à geografia e à natureza do Novo Mundo tinham um grande valor estratégico, tanto militar como económico e político. Por isso, foram grandes os esforços dos cosmógrafos espanhóis para tentar “esconder” o Novo Mundo dos seus rivais. Esta é uma história sobre espias, intrigas e agentes suspeitos para os quais um mapa certeiro do Novo Mundo era um prémio”.

 

 

 

arco   Outro campo no qual se iniciam conferências de interesse ocorre na Culturgest, no seu Pequeno Auditório, nas próximas Sextas-feiras (uma por mês) desde 15 de Março a 6 de Dezembro, integrando um ciclo de conferências comemorativo do 40.º aniversário do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual que terá o título “Ciência das Imagens.  Imagens da Ciência”.

   Diz o seu coordenador Manuel Castro Caldas (Ar.Co) :

   «Na sua tentativa de definir e distinguir o trabalho criativo da arte, da ciência e da filosofia, Gilles Deleuze e Félix Guattari sugerem que estas disciplinas procedem a uma luta comum. Lutariam não apenas contra a opinião mas contra o cortejo das opiniões propriamente artísticas, científicas ou filosóficas, contra a Urdoxa de cada uma das disciplinas.

38-conf-arco   Que o discurso científico, no caso específico que aqui se destaca, possa interessar uma escola de arte não tem, verdadeiramente, nada de estranho. Trata-se de satisfazer a sede de todos aqueles que procuram, para além do que é corrente, o que é vital. Que objectos mentais nos surgem como poderosos ou belos se não forem ‘determináveis como seres reais’, se não constituírem imagens ‘recortadas no caos’ – corpos compostos a partir da variabilidade infinita à qual foram, literalmente, conquistados? Não é certamente com as mesmas ferramentas que arte e ciência procedem a essa conquista. Mas ao fazê-lo, partilham a mesma alma, estão expostas à mesma força: a alma é cérebro, a força é cérebro».

   A palestra de abertura nesta Sexta-feira 15 de Março intitula-se “Gato por lebre: histórias naturais de embuste” e será feita por Patrícia Beldade (Instituto Gulbenkian de Ciência).

   A entrada é gratuita (mediante levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis).

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

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