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Da Galiza, mensagem : Naufrágio – por Isabel Rei

Da Galiza mensagem

Naufrágio

 

Quem mora no fundo do mar não precisa de intérprete.

Abre e fecha as escamas para formar sílabas, palavras, frases.

Todos os seres marinhos conhecem a língua do fundo do mar.

 

Para quem mora no fundo do mar não há fronteiras.

Pode passear dum lado a outro, ir com os peixes sem passaporte.

Apanhar ervas marinhas e saber os caminhos das correntes profundas.

 

Ninguém acredita em quem mora no fundo do mar.

Para a gente de pés na terra os habitantes do mar são seres incompreensíveis.

Na terra querem esquecer todo o que acaba no fundo do mar.

 

Mas há cousas que por muito que se queira, não morrem.

Abandonam a superfície, descem ao fundo e acabam construíndo um lar

num confortável leito de flores de coral.

 

 

 

Urbano Lugris (1908-1073)

 

 

 

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