Da Galiza, mensagem : Naufrágio – por Isabel Rei

Da Galiza mensagem

Naufrágio

 

Quem mora no fundo do mar não precisa de intérprete.

Abre e fecha as escamas para formar sílabas, palavras, frases.

Todos os seres marinhos conhecem a língua do fundo do mar.

 

Para quem mora no fundo do mar não há fronteiras.

Pode passear dum lado a outro, ir com os peixes sem passaporte.

Apanhar ervas marinhas e saber os caminhos das correntes profundas.

 

Ninguém acredita em quem mora no fundo do mar.

Para a gente de pés na terra os habitantes do mar são seres incompreensíveis.

Na terra querem esquecer todo o que acaba no fundo do mar.

 

Mas há cousas que por muito que se queira, não morrem.

Abandonam a superfície, descem ao fundo e acabam construíndo um lar

num confortável leito de flores de coral.

 

 

 

Urbano Lugris (1908-1073)
Urbano Lugris (1908-1073)

 

 

 

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8 Comments

  1. Do mar viemos, e perdemos, as escamas… só de longe, percebemos, o estrondo, do seu fundo…

    (Fadinha pequerrechinha
    que estás no fundo do mar,
    di-me se tem senso a vida
    e se inda há mais que aturar

    [Anon…])

  2. Lamentosamente hoje todos andamos… sem navegarmos… sem nadarmos… apenas erramos no fundo profundo que a TROIKA, deus maligno, trino e uno, destruiu para nós, para toda a Humanidade… europeia e ainda mais.

    Para que falar, suspirar aos grolos palavras, golsar frases a procura de sentido, se tudo está escrito e mal escrito?

  3. Caro António, é certo que algumas pessoas se conduzem como se tudo estivesse mal escrito… Mas não sejamos assim, sejamos como queremos ser, quebremos as fronteiras da terra, vivamos como os seres marinhos que somos. Forte abraço.

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