por Rui Oliveira
Na Quarta-feira, 27 de Março destacaríamos um evento, dado que do segundo (que referiremos) há notícias contraditórias.
O destaque vai pois para o concerto, surgido com algum imprevisto, no Grande Auditório de Centro Cultural de Belém, às 21h desta Quarta 27, onde o conhecido pianista norte-americano Brad Mehldau (à esq.) se apresenta com o também pianista estado-unidense Mark Guilliana (à dir.).
Mehldau não é só um dos mais prestigiados músicos da actualidade, mas também um dos mais prolíficos e eclécticos, cuja versatilidade vai buscar influências tão diversas como a Beethoven, Schumann, Bill Evans ou Keith Jarrett.
O novo projecto de Brad Mehldau com Mark Guiliana intitulado “Mehliana” junta aquele indiscutivelmente talentoso e aclamado pianista de jazz contemporâneo com o igualmente bem cotado baterista/percussionista (além de pianista) Mark Guiliana mas, ao contrário do que o público está habituado, Brad Mehldau surge neste projecto a tocar fender rhodes e alguns teclados vintage, enquanto Mark Guiliana o acompanha na bateria com ritmos que vão desde o puro jazz ao drum’n bass.
Trata-se dum projecto que estava a germinar na cabeça dos dois músicos há já bastantes anos; contudo, só em Agosto de 2011 tiveram oportunidade de se juntar e realizar um pequeno espectáculo (imagem de topo) no Falcon, em Nova York, de que resultou a filmagem ao vivo deste curto teaser em vídeo que o leitor certamente apreciará :
O outro evento em dúvida relaciona-se com o facto de a 27 de Março se celebrar o Dia Mundial do Teatro. Haverá comemorações em diversas salas do país, assumindo em Lisboa o aspecto mais organizado no Teatro Nacional Dona Maria II.
Às 21h, na Sala Garrett, prossegue a exibição de “À Vossa Vontade” (como já noticiámos), onde Álvaro Correia encena uma das comédias mais famosas de Shakespeare, que integra uma das frases mais citadas do dramaturgo inglês, “Todo o mundo é um palco”.
Finalmente, às 21h15 desta mesma Quarta-feira, 27 de Março, estreia na Sala Estúdio do Teatro Dª Maria II a peça “Olhos de Gigante”, uma criação da companhia do Teatro O Bando a partir de Almada Negreiros, numa dramaturgia e encenação de João Brites e Miguel Jesus com Ana Brandão, Raúl Atalaia e Gil Gonçalves (músico), sendo a cenografia de Rui Francisco, a música de Jorge Salgueiro e os figurinos de Clara Bento e Fátima Santos.
O Bando introdu-la com este texto : « “Não tenhas medo de estares a ver a tua cabeça a ir diretamente para a loucura, não tenhas medo! Deixa-a ir até à loucura! Ajuda-a a ir até à loucura. Vai tu também, pessoalmente, com a tua cabeça até à loucura!”…
Enquanto alguns só vêem aquilo que está mais perto, ocupados com os afazeres de cada dia, outros sonham com as paisagens e as quimeras mais longínquas, sem conseguirem distinguir os contornos que os rodeiam. Uns não sabem sonhar senão a vida, outros não sabem viver senão o sonho. Mas como se mantém então o mundo a funcionar? E que mundo é o nosso que, vivido ou sonhado, esconde sempre um outro lado?».
Aproveitando também a efeméride do Dia Mundial do Teatro, o Teatro Turim (Estrada de Benfica, nº 723-A) estreia nesta Quarta-feira, 27 de Março, às 21h30, o espectáculo “COLAPSO ou 4 cenas e 3 solos e um solilóquio”, a nona produção do colectivo “As Entranhas” que ali permanece até Sábdo, 30.
Esta criação com dramaturgia de Vera Paz e Ricardo Moura (que assegura a direcção artística), tem como intérpretes Luís Hipólito, Paulo Lázaro, Vera Paz, Maria João Pereira, Vanessa Dinger, Catarina Caetano e Carles Figol.
“Crise de nervos/crise emotiva descarga emotiva brusca que, na sua forma mais grave, é caracterizada por um sentimento de angústia seguido de tremores ou de rigidez muscular, de gritos ou de gemidos, e que termina por um acesso de soluços espasmódicos” é a definição de «colapso».
Como explicam os criadores : « Neste espectáculo vamos explorar o quotidiano de homens e mulheres contemporâneos no seu extremo. Colapsos nervosos, existenciais, intemporais, desesperantes, amorosos, financeiros, ilimitados… fragmentos de corpos, de canções, de conversas… Fugas para a frente. Pausa…fugas para o lado. Acelera… sem perder o ritmo… Aguentar até ao fim com um sorriso… não…com um ataque de riso, em loop …”.
Entre os autores representados constam nomes consagrados do mundo das artes plásticas cubanas, como Servando Cabrera Moreno (1923-1991), Mariano Rodríguez (1912-1990), Eduardo Roca Salazar (1949- ) ou René Portocarrero (1912-1985).
Por último, regressando de novo a temas musicais, a Sala dos Espelhos do Palácio Foz será palco duma das sessões do “II Concurso Internacional de Clarinete de Lisboa”, uma iniciativa da Cultivarte e da Fundação Inatel, de entrada livre.
Assim, às 19h, haverá um Recital de Clarinete pelo clarinetista checo Karel Dohnal, cujo programa está por anunciar.
Sendo já membro do Quarteto de Clarinetes de Praga e do Amadeus Trio, após graduação no Conservatório de Ostrava, na Guildhall School of Music and Drama de Londres, no Conservatório Estatal Rimsky-Korsakov de São Petersburgo e prémios vários (o último o 1º Prémio “Valentino Bucchi” em 2004, Roma), a sua presença será certamente de júri e concertante, prática que tem repetido com diversas orquestras e conjuntos de câmara sobre temas de Francaix, Nielsen, Copland, Penderecki e outros.
Mostramos-lhe aqui uma sua interpretação recente (Fevereiro de 2011) do tema “Harlekin” de Karlheim Stockhausen, vestido para a circunstância para gáudio infantil, como ouvirão :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)


