
As origens do teatro perdem-se na bruma dos tempos. Na antiga Grécia, encontramos as raízes do nosso teatro. Mas na China, mais ou menos pela mesma época – mil anos antes da nossa era e quando o mundo não era ainda uma aldeia global – surgem formas teatrais. No Japão e na Índia, também. Investigadores há que consideram o teatro como uma fenómeno próprio da evolução social. Em contrapartida, outros vêem-no como criações deliberadas e não como consequências desse processo evolutivo – na realidade, Europa e Ásia são um mesmo continente e não é de estranhar que o que acontecia num território não pudesse ser exportado para outro. Nas civilizações pré-colombianas, sobretudo entre os Incas, houve formas culturais que podemos considerar como teatro.
Mas hoje (logo hoje!), o dia do teatro tem um competidor de vulto – José Sócrates dá uma entrevista à RTP. É um actor desacreditado que vai tentar reabilitar-se. Outros actores, tais com Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes, atribuem-lhe a ambição de se vir a candidatar à Presidência da República. Há quem se escandalize. Com razão, mas é preciso não esquecer que temos um presidente como Cavaco Silva, há quase 40 anos colado ao poder – percurso cénico de um canastrão que nos deve ter custado mais caro do que a representação do papel de Pinóquio que Sócrates desempenhou com esmero (e que teve dignos seguidores com coelhos, relvas, gaspares… ).
A farsa da democracia prossegue. É pena que não suba ao palco só um dia por ano.

