Discute-se muito sobre saídas para a crise. E a saída de que mais se fala é a saída do euro. Não é um jogo de palavras. Pessoas de grande autoridade referem esse caminho. Mas, no meio de uma problemática tão grande, não será errado lembrar algumas coisas. Estamos numa fase em que os caminhos são muito difíceis, e o retrocesso ainda mais difícil. Ainda por cima, somos assediados por todos os meios, e não só pelos meios de comunicação social, por uma série de oráculos, pitonisas, sereias, etc., qual deles o pior intencionado, a maior parte profundamente incompetentes, ou que nos carregam na tecla de que não há alternativa, senão aguentar com o FMI, o Barroso e a Merkel (agora parece que anda a ceder o passo ao seu ministro da Finanças, um tal Schauble), ou então nos propõe soluções do tipo, mudança de moscas, para a porcaria ficar igual.
Uma solução muito falada é a saída do euro. Contudo, seria bom, que quem defende essa alternativa, o fizesse muito abertamente, e enumerando e explicando detalhadamente como o iria fazer, caso estivesse em situação de promover essa mudança. Alguns notáveis já o fizeram. Seria bom recordarmos o que disseram, e pedir opinião a outros.
Um dos aspectos fundamentais da questão é este: será que Portugal, saindo do euro, poderia/deveria (ou deveria/poderia) manter-se na União Europeia? O problema não são só as eventuais facilidades comerciais ou outras que se perderiam à saída, serão também as desvantagens de uma saída do euro, a começar por eventuais retaliações dos países mais importantes. Claro que é preciso ser corajoso, e não querer tomar caminhos como os que nos levaram à presente situação, de menorização perante as potências. Simplesmente, é preciso, muito a sério, começar a informar as pessoas com clareza, não manter a discussão nos palanques e torres de marfim, e avançar com uma participação séria dos cidadãos.


