António José Seguro, diz que estamos à beira de uma tragédia social. Mais do que estar à beira, pensamos que já estamos a viver uma tragédia social. A qual, é bem certo, se pode agravar. Partidos de esquerda, centrais sindicais, parceiros sociais, são unânimes em afirmar que este governo tem de cair. As fissuras dentro da própria coligação começam a ser evidentes. Nós estamos de acordo em que este governo se deve demitir ou ser demitido. Mas somos cépticos quanto à eficácia de, em eleições antecipadas, o secretário-geral do PS vencer e formar governo. Não é uma solução, mas sim a continuidade de uma alternância que tem demonstrado ser uma espiral descendente. Rumo ao caos, à tragédia. Formado o novo governo e passado um breve período de tréguas, voltará tudo ao princípio. Não estamos a tentar chegar à conclusão de que este governo se deve manter. É óbvio que não tem condições para governar e é quase impossível que o executivo que se seguir, possa fazer pior. Mas é desesperante ver a Esquerda esgotar a sua prática em críticas estereotipadas, em manifestações que de nada servem, em vez de se unir e criar uma alternativa de poder.
As atmosfera de naufrágio acentua-se. Passos Coelho insiste em resolver o défice cortando onde é mais fácil e não onde seria mais justo. Mais inteligente, Paulo Portas apercebe-se de que se está a criar uma situação de uma gravidade extrema. Daniel Oliveira, em artigo do Expresso, compara-o ao «polícia bom» – ou seja ao agente da pide que fingia condoer-se dos presos durante os interrogatórios e a tortura. É uma boa comparação, mas parece-nos que Paulo Portas está a querer demarcar-se de uma equipa que vai ser derrotada. Para piorar o quadro, temos um presidente da República de uma incapacidade lamentável e que tarda a compreender que não pode continuar a fingir que tudo está em ordem. Um governo incapaz, um presidente que não exerce as suas funções, uma oposição maioritariamente semelhante ao partido do governo.