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FAZER A CAMA – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

 

Disse, digo, direi sempre:

O saber contra a ignorância, a saúde contra a doença, a vida contra a morte… Mil reflexos da Batalha Permanente em que estamos todos envolvidos… 

Osvaldo Cruz é o meu nome. Sim, isso mesmo, o médico, o cientista. Mas agora estou evocando a minha infância.  Desde menino fui treinado para combatente. Filho de D. Amélia Bulhões (nome de solteira) e do médico Dr. Bento Gonçalves Cruz, nasci em 1872 em São Luís do Paraitinga, ali no Vale do Paraíba, serra da Mantiqueira, Estado de São Paulo.

Tenho uma irmã, Amália, a quem todos chamam Sinhazinha. Também eu a chamo assim porque ela é mesmo uma senhorinha. Tive outra irmã, Eugênia, que morreu na primeira infância, coitadinha.

Com Papai aprendo e dele apreendo a tenacidade, a dedicação aos  doentes, a força de caracter. Mamãe ensina-me a disciplina, a autodisciplina e também as primeiras letras. Aos cinco anos já sei ler e escrever. Mas empurram-me para a Escola, meus pais acham que é imprescindível a convivência com outros garotos.

 A propósito de Escola: um dia Mamãe bate à porta da sala de aula, entra, pede desculpa à professora por levar o filho para casa, porém há um assunto inadiável a resolver. Ficam todos preocupados, alunos e professora, o que é, o que não é? Saberão depois: eu saíra de casa antes de fazer a cama e isso Mamãe não pode admitir. Quem está do lado da saúde e do saber, desleixo não pode ter… Mamãe foi sempre uma deliciosa durona, saudades que eu tenho dela…

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