ADEJAR – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Acordei desaustinado. Virei-me e revirei-me na cama, muito me custou outra vez adormecer. Lá mais para a madrugada tive outro sonho. Quando abri os olhos, sacudi a Lianor e contei-lhe ou cantei-lhe assim (logo eu, que não me sabia poeta, pulsões noturnas):

 

Ao longe, entre portas do desejo,

a aranha da saudade agora tece

a teia que te envolve e adormece.

Partiste. Repartido me revejo

ave noturna a debicar o nexo

cativo nessa concha do teu sexo.

 

Puxou-me a cabeça contra os seios, ouvi que suspirava. Por ali ficámos a adejar na modorra.

In LIANOR

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