Acordei desaustinado. Virei-me e revirei-me na cama, muito me custou outra vez adormecer. Lá mais para a madrugada tive outro sonho. Quando abri os olhos, sacudi a Lianor e contei-lhe ou cantei-lhe assim (logo eu, que não me sabia poeta, pulsões noturnas):
Ao longe, entre portas do desejo,
a aranha da saudade agora tece
a teia que te envolve e adormece.
Partiste. Repartido me revejo
ave noturna a debicar o nexo
cativo nessa concha do teu sexo.
Puxou-me a cabeça contra os seios, ouvi que suspirava. Por ali ficámos a adejar na modorra.