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Pentacórdio para Sábado, 18 de Maio

por Rui Oliveira

 

 

   Neste Sábado, 18 de Maio, são diversos os acontecimentos culturais sem que nenhum se destaque em particular. Enumeremos os, para nós, mais relevantes.

 

 

   Na Sala Principal do Teatro Nacional de São Carlos, às 21h deste Sábado, 18 de Maio, o espectáculo “Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Fado, Património da Humanidade” reune no palco os conhecidos fadistas Mafalda Arnauth, Camané, Carminho e Carlos Do Carmo.

   Acompanham-nos, à guitarra, José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (guitarra clássica), Diogo Clemente (guitarra clássica) e José Marino Freitas (guitarra baixo).

   Dirige a Orquestra Sinfónica Portuguesa o Maestro Vasco Pearce de Azevedo.

   Em lugar de escolher trechos significativos destes intérpretes, optamos por dispobilizar ao leitor o recital integral que em Dezembro passado foi dedicado à atribuição pela UNESCO daquela designação de “Património da Humanidade”. Peço ao leitor que ignore os aspectos formais da cerimónia e até os próprios locutores e ouça apenas os intervenientes onde se incluem Carminho (aos 13 min.), Mafalda Arnauth (aos 50 min.) e Carlos do Carmo (aos 60 min.), bem como Aldina Duarte, Ana Moura, António Zambujo, Carminho, Celeste Rodrigues, Cristina Branco, João Braga, Marco Rodrigues, Maria da Fé, Mariza, Pedro Moutinho, Ricardo Ribeiro.

 

 

   Curiosamente em temática próxima, ao Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém vem neste Sábado, 18 de Maio, às 21h, aquele que foi distinguido com o “Prémio Amália Rodrigues 2010” para a melhor guitarra portuguesa da actualidade para o fado, Custódio Castelo apresentar o seu recente álbum de originais, “InVentus”.

   Interpretadas em quinteto, as composições de Custódio Castelo (diz o CCB) «reinventam a matriz cultural do fado, elevando o género musical a outros níveis, através da quase imperceptível incorporação de suaves aromas da morna, de tons épicos do tango e de improvisos do jazz, novas linguagens que foram “contaminando” um caminho musical de 25 anos».

   Teremos pois em palco, a par de Custódio Castelo (composição, arranjos, guitarra portuguesa), ainda Carlos Garcia (guitarra clássica), Carlos Menezes (contrabaixo), Ianina Khmelik (violino), Pedro Ladeira (clarinete), Ricardo Silva convidado especial (guitarra portuguesa) e Miguel Carvalhinho convidado especial (guitarra 10 cordas).

   No programa estão os fados : Inquietude, Sobre Lisboa, Homenagem a Amália, Homenagem a Carlos Paredes, Sinos de Waibel e Tempus, Terra de Pó, Fins do Sol, Variações em Lá, Ausente, In-Distance, N’Aldeia, A casa, Declaração de amor à saudade e Miss Morna.

   Este último tema foi gravado em Agosto último como mostramos abaixo (para o leitor interessado, este registo no Festival do Fado em Portimão é bastante interessante ver aqui  http://youtu.be/1P15CkcWHA0 , bem como aquele de Dezembro passado na Casa da Música (Porto) (que agradecemos ao YouTube) e por certo já traduz parte do que se passará neste Sábado no CCB : http://youtu.be/5uGIIonA5fk )

  

 

 

   Noutro tipo de música, lembra-se a Serenata que os Jovens Solistas da Metropolitana Eva Mendonça flauta, Vera Duque violino e Paul Wakabayashi viola prepararam, com entrada livre, para este Sábado, 18 de Maio, às 14h00, na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva onde irão interpretar de Ludwig van Beethoven  –  Serenata, op. 25.

  

 

   À sua maneira, este espectáculo integra-se no Dia Internacional dos Museus que se celebra neste 18 de Maio (Sábado) sob o tema “Museus (Memória +Criatividade)= Mudança Social”, o qual (segundo o IMC) «está imbuído de optimismo, conciliando de forma dinâmica diversos pilares definidores dos museus contemporâneos, chamando a atenção para a natureza universal das instituições museológicas e para o seu impacto positivo nas comunidades. Esta conjugação de conceitos sintetiza a complexidade da missão e objectivos dos museus, sinalizando que estes estão destinados a contribuir para o desenvolvimento social».

   Coincidindo no mesmo dia, a celebração do Dia Internacional dos Museus e da Noite dos Museus é uma oportunidade para cerca de 100 museus, através mais de 430 de actividades, se mostrarem como espaços de memória e celebrarem a criatividade e a inovação em estreito convívio com os seus públicos. Assim, as entradas serão gratuitas à excepção do Palácio Nacional da Ajuda.

   Consulte aqui o programa geral : http://www.imc-ip.pt/Data/Documents/Iniciativas/Act_IMC/Dia%20Internacional%20dos%20Museus/Programa%20DGPC-IMC_18%20de%20maio.pdf

 

 

   Desse facto resulta que, na cidade de Lisboa, se assinalem como mais relevantes :

 

   O Museu da Música (Rua João de Freitas Branco – Estação Metropolitano Alto Moinhos) apresenta neste Sábado, 18 de Maio Dia Internacional dos Museus, às 18h, o 3º concerto do ciclo de instrumentos históricos “Um Músico, Um Mecenas”.

  Para tal tira um dos seus tesouros da vitrina e propõe um concerto de Joana Bagulho a interpretar música ibérica dos séculos XVI e XVII e música portuguesa do século XXI numa das peças mais relevantes da colecção (e tesouro nacional) : o cravo que Joaquim José Antunes construiu em 1758.

   A entrada é livre.

   O som de Joana Bagulho em cravo (não este exemplar histórico) pode ouvir-se aqui  nesta entrevista sobre a transcrição da música de Carlos Paredes, que também fará parte do recital

http://youtu.be/QaCBm8pvoQU  .

 

   Nesse dia, igualmente, o Museu Nacional de Arte Antiga inaugura as exposições “A Encomenda Prodigiosa – Da Patriarcal à Capela Real de São João Baptista” (em partilha com o Museu de São Roque) e “MNAA Olhares Contemporâneos – A Arca Invisível” (às 18h e às 22h, respectivamente), a que faremos referência noutro momento. Estão também previstas visitas às outras exposições patentes, bem como uma oficina de pintura para crianças a partir dos 6 anos, intitulada “Dar forma e cor à minha árvore”.

   Ainda o Castelo de São Jorge promove “Uma Noite no Castelo” (das 20h30 às 00h) com entrada gratuita, ficando a animação a cargo dos grupos Oficio Bélico, Danças com História e Ambifalco.

   Por último o Museu Colecção Berardo tem programadas, para os dias 18 e 19 de Maio, uma série de iniciativas para os mais novos, como “Cozinh’arte” (dos 2 aos 4 anos), o “Dicionário Surrealista” (dos 5 aos 10 anos) e “Uma Noite no Museu Colecção Berardo: Detectives no Museu”, podendo os adultos optar pelas diversas visitas guiadas às exposições, como “Marcas da Cultura Pop na Colecção Berardo”, pelo crítico José Marmeleira.

 

 

   Outros concertos diferentes ocorrem em Lisboa. Merecem-nos relevo, por alguma originalidade, os dois seguintes :

 

   Um decorre às 22h na galeria Zé dos Bois, onde os “The Eggstream”, um trio composto por Norberto Lobo na guitarra eléctrica e Pak Yan Lau e Giovanni Di Domenico nos teclados apresentam o seu novo Ep produzido pela Silver Water Records .

   São (segundo a ZBD) figuras de trajectos díspares que se encontram aqui «num vértice plácido e em constante mutação que tanto pode evocar o lirismo austero do post-rock … como os voos rasantes ao cosmos que o Eno ensaiou com o Robert Fripp …»  De Norberto Lobo conhecem-se-lhe melhor as capacidades infinitas na guitarra acústica, mas os mais atentos já tomaram contacto com toda uma igual destreza nas cordas amplificadas. Pak Yan Lau e Giovanni Di Domenico são dois músicos sediados em Bruxelas com um historial fértil nos mundos da improvisação e da composição instantânea e electro-acústica.

   O leitor interessado pode ouvir aqui um registo de Giovanni Di Domenico e Pak Yan Lau teclados e João Lobo bateria em 2010 no “Kinky Star” (Gent, Bélgica)  http://youtu.be/pM-YuXv0Dww .

 

 

   O outro ocorre no Auditório do Museu Fundação Oriente, às 21h30, onde a “Grand Union Orchestra” apresenta o seu espectáculo “Trading Roots” (Troca de Raízes).

   Nascida em 1984 da encomenda feita pelo Greater London Council para as celebrações do Ano Contra o Racismo e habitualmente sediada em Londres, o seu repertório varia entre a música da antiga corte chinesa, as canções populares de Bengali, as bhangra e as ragas indianas, os cânticos e percussões da África ocidental, o calipso e reggae das Caraíbas, a salsa e o samba e a música dos bairros urbanos da África do Sul. Inclui ainda baladas tradicionais portuguesas ou as baladas dos pescadores indianos, cânticos dos Yoruba que partiram da Nigéria para o Brasil e Cuba como escravos e ainda composições de Tony Haynes, seu director, a partir de poemas de Manuel Alegre evocativos do passado marítimo de Portugal.

   Para esta “extraordinária viagem atmosférica ao mundo de hoje através do tempo e de culturas diferentes, a Grand Union Orchestra (GUO) junta músicos de todos os cantos do mundo e  actua a nível internacional com diferentes combinações. Aqui estarão presentes :

   Liana, Portugal (voz), Mingo Rangel, Moçambique (guitarra, voz), Yousuf Ali Khan, Bangladesh, (tabla, dholak, voz), Rui Jun Hu, China (dizi, xiao, erhu), Claude Deppa, África do Sul, (trompete, congas), Louise Elliott, Austrália, (flauta, saxofone tenor), Tony Haynes, Inglaterra, (trombone, piano), Fernando Molina, Portugal (percussão), Andres Lafone, Uruguai, (guitarra baixo), Carlos Fuentes, Chile, (tambores, berimbau).

   O vídeo abaixo explica a génese da GUO, enquanto o clip seguinte é sobre um preso político chileno Vladimir Veja, expatriado para Londres e visível  aqui  http://youtu.be/3SRn0BEtLq0

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui)

 

  

 

 

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