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EDITORIAL: POR DETRÁS DAS REFORMAS

Diário de Bordo - II

O nosso país tem vivido sob o peso de reformas e de intenções de reforma, e medidas que se apresentam como tal.  Sucede que muitas vezes o verdadeiro problema não é a reforma em sim, cuja intenção pode ser melhor ou pior, mas sim o que está por detrás. Temos andado a descobrir que muitas das reformas impulsionadas pelo “nosso” governo, têm objectivos que não são os declarados. Não serão propriamente os declarados publicamente pelos seus promotores, mas outros que talvez sejam enunciados algum tempo depois, como inevitáveis, ou poderão até nunca ser mencionados.

Estamos a atravessar um período em que a situação acima descrita se verifica a vários níveis e com grande intensidade. O nosso país está a ser sujeito a uma série de imposições, justificadas pela dívida externa e pela situação financeira, que obviamente têm implicações significativas. Algumas dessas imposições são as respeitantes aos cortes salariais e despedimentos na função pública. Por exemplo, ultimamente tem-se estado a preparar o terreno para o despedimento de um considerável contingente de professores. Aparecem notícias, umas vezes desmentidas, outras vezes apenas postas em dúvida. São feitas referências, a propósito, ao envelhecimento da população, à quebra da taxa de natalidade, e outras questões afins. Não será excessivo concluir que se prepara o terreno para o encerramento de um grande número de escolas. E, por arrastamento, para o fim do ensino público, universal e gratuito.

É impensável que os promotores destas chamadas reformas, à partida, não tivessem a noção das consequências das suas iniciativas. Não são com certeza assim tão ignorantes, ou tão incompetentes. O problema são os verdadeiros desígnios dessas iniciativas. Na saúde, está cada vez mais claro o peso que os grandes grupos económicos estão a assumir, através das PPP, hospitais privados e outros equipamentos. Como vai ser na educação?

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