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POESIA AO AMANHECER – 214 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JOSÉ GOMES FERREIRA

(1900 – 1985)

HERÓICAS – I

Que me importa cantar!

Eu não sou poeta de canções

para embalar

ninhos nos corações.

Sou este ímpeto de gelo de lâmina

que se levanta mudo

diante de tudo.

(E quem me impede

de ter alma e sede?)

Mas quando canto

– as minhas canções ásperas

de vagabundo

sabem ao espanto

dum rio sem foz…

E na minha voz

sangra o desespero do mundo.

(de “Poesia I”).

Estreou-se muito cedo com o livro “Lírios do Monte” (1918) mas só mais tarde começa a reunir a sua vasta obra poética: “Poesia I” (1948), “Poesia II” (1950), “Poesia III” (1961), “Poesia IV” (1970), “Poesia V” (1973), “Poesia VI” (1975) e “Poeta Militante” (1977-1978). Colaborou em “Marchas, Danças e Canções” (1946), textos musicados por Fernando Lopes Graça, depois proibidos pela Pide. Pela sua militância e pelos temas da sua obra, ficou intensamente ligado ao movimento neo-realista.

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