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O CUSTO DE NADA FAZER – 6 – por Júlio Marques Mota

(Continuação)

O défice governamental nacional tem estado a ser de forma sustentada a ser decrescente nestes três últimos anos, embora tecnicamente este ano ainda não tenha diminuído porque pagamos o bónus este ano em vez de o pagar em 1945. Sem isso, o défice teria já diminuído este ano também. A verdade é que estamos a fazer melhor do que nós o esperávamos em 1933. O rendimento nacional subiu mais rápido do que ousámos na altura antecipar. Os défices têm sido menores do que o que esperávamos. As receitas fiscais também estão a aumentar. A dívida nacional hoje em relação ao rendimento nacional é muito menor do que o era em 1933, quando esta administração tomou posse.O rendimento nacional era de trinta e oito mil milhões em 1932. Em 1935 foi 53 mil milhões e este ano vai estar bem acima dos sessenta mil milhões. Se continua a subir ao ritmo actual, como estou confiante de que assim vai acontecer, as receitas do governo, sem impor quaisquer impostos adicionais, dentro de um ano ou dois, serão suficientes para responder a todas as despesas ordinárias e aos apoios sociais do governo — em outras palavras, para equilibrar o orçamento. O governo desta grande Nação, solvente, reconhecida em crédito, tem estado a emergir através de uma enorme crise tão grave como uma guerra sem que com isso tenha sacrificado a democracia americana ou os ideais da vida americana. (Franklin Roosevelt,AddressatForbes Field, Pittsburgh, Pa., Outubro de1936, disponível em: http://www.presidency.ucsb.edu/ws/?pid=15149)

No seu caso, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, creio que o seu comportamento e os discursos que escreve para Sua Ex.ª o senhor presidente da República assentam numa extraordinária ignorância da economia contemporânea, dos seus mecanismos, enumacerta maldade também,e creio que da mesma forma que Roosevelt mudou de opinião, relativamente aos equilíbrios orçamentais, talvez o senhor professor tambémpossa mudar e mudar igualmente os discursos que escreve para o Presidente e talvez assim haja ingénuos que possam esperar ainda rever-se nele como o Presidente de todos nós e desta forma assim evitar-se-iam obrigatoriamente críticas de ser um palhaço como o afirmou Miguel Sousa Tavares. Porque no plano das hipóteses isso é muito difícil, mas não impossível, então daqui lhe mando um extraordinário artigo de economia a esclarecer afinal quequadros mentais é que estão por detrás desta crise, um texto A ilusão de austeridade, porque é que uma má ideia conquistou o Ocidente, de Mark Blyth. Com ele, se tiver o mínimo de seriedade política e científica, estou certo de que com ele aprenderá muito e mais ainda se lhe adicionar o texto deThomas I. Palley, A teoria e o modelo de política económica do Leopardo de Lampedusa e de Visconti: acrise e a resposta dada pelo pensamento económico dominante para a mudança de modoa que tudo se mantenha na mesma, texto publicado no blog A viagem dos argonautas.Com eles aprenderá muito, se quiser, disso estou certo e outros textos, com uma visão inversa da apresentada até agora, senhor Professor, poderá então para o Presidente escrever. E a terminar esta carta já bem longa e de cuja eficácia já duvido muito tal o rochedo que penso poder vir a encontrar desse lado como leitor, vejamosum excerto de uma muita recente entrevista dada por um homem que não pode ser acusado de esquerda, Kevin Hassett, director de estudos de política económica no AmericanEnterpriseInstitute (AEI). Outrora professor de Economia e de Finanças na GraduateSchoolof Business, da Universidade de Colúmbia e economista sénior do Conselho de Governadores da Reserva Federal, trabalhou como assessor económico nas campanhas presidenciais do senador John McCain de 2000 e de 2008, na campanha de 2004 de Bush e na campanha de 2012 na MittRomney. O texto abaixo, trata-se de um excerto de uma entrevista publicada no Washington Post em 10 de Junho, com o título .Why a Romney economic adviser wants the government to just hire people, da autoriade Dylan Matthews. Enquanto na Europa e o governo que é assumido como sendo da sua iniciativa aprofundam a crise, alargam o desemprego de curta e de longa duração, enquanto nesta Europa se anda agora à “caça” dos direitos de quem trabalha, e a quem não trabalha por falta de encontrar trabalho, os desempregados, pasme-se, enquanto nesta Europa se anda a reduzir os direitos de quem deixou uma vida de trabalho e passou à reforma, enquanto nesta Europa se anda a destruir o ensino público que há-de formar as gerações do futuro, enquanto nesta Europa se anda a destruir o Serviço Nacional de Saúde para garantir o pagamento de juros usurários aos mercados e à Troika também, vejamos a preocupação de uma certa direita americana, sobre o drama que é o desemprego, sobre o drama que é igualmente o custo de nada fazer e de novo a crítica face aos políticos de agora ao que fazem em face do que viam fazer. Vejamos pois o que nos diz Kevin Hassett:

Se cada um de nós pensar sobre o que faz as pessoas viver, eu tenho um amigo que é um sacerdote e para quem o desemprego a longo prazo é um desafio maior para as preocupações pastorais do que a morte na família. Uma morte na família, gera um impulso de negatividade incrível, mas, em seguida, as pessoas começam a recuperar. Uma pessoa, digamos, de 55 anos de idade e que tenha sido sempre o sustento de sua família, se perde o emprego, diariamente vai ficar com a vida pior, o inverso na situação de morte.

Isto é sobretudo uma emergência terrível e a única coisa que me surpreende é que os responsáveis políticos ainda não tenham percebido de que é uma emergência .

Eu fiquei surpreendido ao ouvi-lo defender um programa de empregos directos no seu depoimento no Congresso. Istoo não é algo que não seria de esperar de pessoas ligadas o AEI. Eu comecei a pensar que eu estaria disposto a defender o que, mesmo que pareça contra-intuitivo para uma pessoa ligada a AEI seria visto como apoiar a contratação directa, quando nós estávamos a discutir sobre as pretensões assumidas por Obama quanto aos estímulos ao emprego. . Perguntei a um dos nossos investigadores, “quantas pessoas poderiam nós empregar , durante um ano, a ganhar o salário mediano?” com o dinheiro do estímulos de Obama. E eu não me lembro o número exacto, mas era algo como 23 milhões.

Mas a questão era de que ao estar a dar a alguém um emprego através da construção de uma ponte é uma maneira muito indirecta de estar a criar postos de trabalho. Foi o ponto de vista que eu defendi com o Presidente do [CouncilofEconomicAdvisors] JasonFurman e com outros apoiantes de Obama, mas sabe, quando o governo está a comprar coisas e que as pessoas que as podem produzir estão desempregadas!

(Continua)

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