mas agora sei que todas as pudicícias lusitanas se resumem a
uma folha de parra.
O pecado é humano portanto sejamos pecadores e
a pecar nos santifiquemos
a pecar forniquemos o pecado alheio
que é obsceno até as ideologias
ensinam o resguardo de sacristia
onde o pecado é a sós casto.
Sujos merdosos raivosos vesgos de boquinha estreita
por onde a língua erótica afinal passa
saliva antivírus e mais penicilinas
pré e pós cópula no pecar discreto
nos higienizamos abjectos.
Mas ninguém tem nada a dizer de tão feia nudez
se no lugar devido está
a folha de parra.
(de “Marketing”)
Grande contista e romancista, contribuiu para a afirmação do movimento neo-realista.
A sua obra poética engloba “Relevos” (1938), “Mar de Sargaços” (1940), “Terra” (1941), “As Frias Madrugadas” (1959), “Marketing” (1969), “Nome para uma casa” (1984). Famosíssimo o poema que dá o título a “Marketing”, uma original e brilhante sátira ao mundo da publicidade: “(…) Dantes tinha problemas era o odor corporal/ e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas/ e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia(…)”.