Dedicamos o nosso Diário de Bordo de hoje à independência da República de Moçambique, proclamada em 25 de Junho de 1975. Celebram-se 38 anos de independência nacional. Foram quase quatro décadas de um pecurso histórico acidentado, pois após uma guerra pela independência de dez anos, o País enfrentou uma ainda mais prolongada guerra civil. Não obstante, a nação moçambicana reergueu-se e apresenta-se actualmente pujante de esperança no seu futuro. Fazemos votos para que os nossos irmãos moçambicanos possam, em paz, construir, “pedra a pedra” uma pátria próspera, livre e democrática.
E damos a palavra a um moçambicano – um pequeno excerto de um texto de Mia Couto, escrito quando da celebração do 30º aniversário da Independência:
Na noite de 24 de Junho, juntei-me a milhares de outros moçambicanos no Estádio da Machava para assistir à proclamação da Independência Nacional, que seria anunciada na voz rouca de Samora Moisés Machel. O anúncio estava previsto para a meia-noite em ponto. Nascia o dia, alvorecia um país. Passavam 20 minutos da meia-noite e ainda Samora não emergira no pódio. De repente, a farda guerrilheira de Samora emergiu entre os convidados. Sem dar confiança ao rigor do horário, o Presidente proclamou: “às zero horas de hoje, 25 de Junho…“. Um golpe de magia fez os ponteiros recuarem. A hora ficou certa, o tempo ficou nosso .[…]Não esqueço nunca os rostos iluminados por um irrepetível encantamento, não esqueço os gritos de euforia, os tiros dos guerrilheiros anunciando o fim de todas as guerras. Havia festa, a celebração de sermos gente, termos chão e merecermos céu. Mais que um país celebrávamos um outro destino para nossas vidas. Quem tinha esperado séculos não dava conta de vinte minutos a mais.