Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
The New Economic Nationalism, Part 2: The New Great Game
QUINTA PARTE
Satyajit Das, 13 de Setembro de 2013
(CONCLUSÃO)
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Redesenhando as linhas de batalha
A crise financeira global representa uma descontinuidade histórica, levando a que se verifiquem significativas alterações nos sistemas económicos e financeiros assim como, em sentido lato, nas estruturas políticas.
Os decisores políticos querem acreditar que os problemas serão resolvidos e o mundo irá caminhar para a manutenção do status quo. A profundidade dos problemas e a ausência de cura fáceis significam que grandes mudanças serão prováveis. Uma confluência de interesses económicos próprios e a necessidade pode conduzir a uma inversão da integração global, favorecendo as economias fechadas com firmes estratégias de ligações entre as nações bem mais delimitadas. Esta mudança tem importantes implicações.
Uma maior integração, o livre comércio e a livre circulação de capitais promovem o crescimento. Agora, um menor nível de crescimento económico está a inverter a tendência, eliminando um elemento chave na dinamização do crescimento. Por sua vez, um menor nível de crescimento protege o país dos problemas de níveis insustentáveis da dívida, levando a um prolongado período de estagnação e ainda a uma maior pressão para que se enverede pelo caminho da autarcia.
Um mundo de economias fechadas altera a natureza dos acordos comerciais, favorecendo os acordos bilaterais ou a formação dos pequenos blocos comerciais ao invés de um acordo sobre o comércio a nível global. Os papéis de instituições internacionais como o Banco Mundial, o FMI, a OMC e as instituições de desenvolvimento precisarão de se afinar por outro diapasão, para chegarem a bom porto.
As alianças políticas terão de ser reformuladas para reflectir relações económicas alteradas. As disposições quanto a segurança terão necessidade de refletir as novas preocupações, inclusive a necessidade de se garantir a segurança da oferta e do transporte de alimentos, energia e das matérias-primas essenciais.
Aumentou o risco de conflitos armados por causa dos recursos. Recentes disputas sobre fontes potenciais de energia no Sul da China e do Mar Amarelo ilustram bem este risco. Também têm surgido diferendos sobre o abastecimento de água na Ásia.
A evolução crescente do movimento actual para a autarcia e correspondente nacionalismo é um cocktail perigoso. Stewart Patrick do Council of Foreign Relations dos EUA recentemente comparou as condições no leste da Ásia às que se encontrava a Europa antes da primeira guerra mundial. Sobre o processo que conduziu à Primeira Guerra Mundial, Sir Norman Angel famosamente argumentava que as complexas relações comerciais e as estabelecidas pelos investimentos tornava impensável o conflito armado entre as grandes potências europeias.
Mas a possibilidade de uma mudança histórica nada nos diz sobre o pensamento atual dos governos, dos bancos centrais, das instituições financeiras e das empresas. A negação reflete o que George Orwell identificava como uma “grande doença mental” que afligia os intelectuais: “o instinto de se curvar diante do conquistador do momento, o aceitarem a tendência existente como sendo irreversível”. A saída para um caminho que nos leve à autarcia e à prossecução de políticas que favorecem as economias fechadas é agora uma possibilidade séria com enormes e graves consequências que precisam de ser consideradas.
Satyajit Das, The New Economic Nationalism, Part 2: The New Great Game, 13 de Setembro de 2013
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Para ler a Quarta Parte deste trabalho de Satyajit Das, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
