O Congresso dos Deputados de Espanha, aprovou em 31 de Outubro de 2007 a chamada Lei da Memória Histórica. Partindo de um projecto de lei aprovado pelo Conselho de Ministros no ano anterior, durante o mandato de José Luis Zapatero, a Lei reconhece os direitos e prevê medidas a favor dos que sofreram perseguição e violência durante a Guerra Civil e a ditadura franquista. Mas não permite a abertura das valas comuns onde jazem os restos dos que foram executados sumariamente pelas hordas fascistas de Franco. O que tem provocado movimentos de descontentamento entre os antifascistas do estado vizinho.
Aliás, são de algum modo preocupantes os sinais de que o franquismo ainda povoa muitas mentes – um artista plástico que executou um retrato de Franco considerado ofensivo para a memória do ditador, foi processado judicialmente pela Fundação que ostenta o nome do generalíssimo; numa escola pública de uma localidade próxima de Madrid, a autarquia não só permitiu como patrocinou uma exposição pública de artefactos e bandeiras nazis, fascistas, da falange… Um dirigente de um grupo de «ultras», declarou que os seus correligionários estão preparados para a luta armada.
Enfim, uma Lei da Memória Histórica que parece padecer de amnésia.
E em Portugal?
As coisas não parecem tão graves – não temos uma «Fundação Salazar», não há exposições de símbolos fascistas, os nossos «ultras» não passam de um bando de rapazes que rapam o cabelo e encontram nas claques do futebol o seu habitat preferido. Onde estão os herdeiros do salazarismo? Não os há? Bem, quer dizer, haver há – mas não reivindicam a herança do tio António – estão nos partidos democráticos, são deputados, administradores, presidentes de regiões autónomas e não só.
Descobriram que o fascismo é coisa passada de moda – cheira a cinema mudo, a gramofone, a naftalina.