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TEMPO PARA UM NOVO NEW DEAL, por MARSHALL AUERBACK

Tempo para um novo New Deal

 

Marshall Auerback is a Denver, Colorado-based global portfolio strategist for RAB Capital plc and a Fellow with the Economists for Peace and Security (http://www.epsusa.org/). He is a frequent contributor to the blog, Credit Writedowns, and the Japan Policy Research Institute (www.jpri.org) and a new contributor to The Big Picture.

Marshall Auerback faz parte do grupo de economistas que anima o Institute Roosevelt (cujo endereço é http://www.rooseveltinstitute.org/)   de onde é extraído este texto e as fotografias que o ilustram. Creio que face ao drama de que a Europa é agora vítima, por responsabilidade de gente que está ao nível do Tea Party, um grupo de rufias que tem o governo americano paralisado, creio que face ao drama de que agora é vitima a Administração Obama e o povo americano, ninguém pode ficar insensível face ao texto que aqui apresentamos e às fotografias que o ilustram e que ilustram a força de uma nação quando tem dirigentes à altura dos problemas levantados.

E boa leitura.

Júlio Marques Mota

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Marshall Auerback

University of Texas Inequality Project Lyndon B. Johnson School of Public Affairs The University of Texas at Austin Austin, Texas 78712

Resumo

Parte I

Históricos revisionistas muito têm feito para atacar e questionar os factos económicos realizados no New Deal (ND), tendo até inclusive alguns ido extremamente longe ao ponto de sugerir que as políticas orçamentais de Franklin Delano Roosevelt (FDR) agravaram a crise. Tais argumentos foram popularizados durante os últimos 25 anos pelos economistas e historiadores anti – keynesianos, ansiosos por desvalorizar a todo o custo a eficácia da receita económica keynesiana, tendo como contrapartida a a sua defesa do neoliberalismo bem expresso, por exemplo, pelo Consenso de Washington. Saliente-se que, contrariamente, a política e a economia neoliberal (o pensamento dominante), foi incapaz de agarrar os  nossos atuais problemas socioeconómicos, por falta até de uma memória histórica.

Em particular, a chave para avaliar os resultados  de Roosevelt na luta contra a depressão é o tratamento estatístico dos muitos milhões de desempregados envolvidos nos  seus massivos programas de workfare. Incluindo tais destinatários de workfare como empregados, gera uma imagem radicalmente diferente para o New Deal, demostrando-se assim que o desemprego caiu quase dois terços, a partir de um elevado valor, cerca de  25% da população activa. Todavia, admitindo-se esses homens e essas mulheres como desempregados e classificando os soldados na Alemanha e na França  como empregados, levou a que a Administração de Roosevelt fosse encarada como  uma Administração com resultados económicos claramente vistos como não  competitivos. Contudo é mais justo argumentar que as pessoas empregadas em programas de conservação e de obras públicas, do ponto de vista do sistema produtivo deve-lhe ser atribuído uma classificação mais sólida do termo “empregados”  (muito mais úteis, portanto), do que os  recrutas que constituíam  a guarnição  dos EUA. Entretanto, Roosevelt estava a  reconstruir a América a um custo historicamente muito baixo. Uma imagem da obra do New Deal:

 Legenda: Public Works Administration Project, U.S. Army Corps of Engineers, Bonneville Power Dam in Oregon, Columbia River, “Spillway.”

Como o presidente Barack Obama enfrenta nos EUA a crise económica mais grave desde a Grande depressão, cabe-lhe a ele agarrar e defender o legado de FDR e introduzir um novo ND, o mais rápido possível.

Author Contact: MAuer1959-at-aol.com

Marshall Auerback is a global portfolio strategist for RAB Capital plc, a London-based fund management group.

Tendo presente como a crise financeira se desenrolou, FDR tem sido citado tanto pelo seu talento em mobilizar a nação em crise como pelas políticas económicas que utilizou para conduzir o país mergulhado na grande depressão. Apesar das recentes tentativas de economistas libertários obstinados, particularmente os da escola austríaca, em diminuir estes episódios económicos de sucesso alcançados, assumimos e partilhamos o entusiasmo expresso recentemente pelo New Deal — na forma como o Professor Tom Ferguson  o caracteriza, “um momento notável que desmente todos aqueles apologistas, que agora estão na moda, que criticam e defendem que é  impossível quer a  regulamentação financeira eficaz quer um activismo na política orçamental eficiente” (Ferguson e Johnson 2008). Vemos com bons olhos que a nova administração de Barack Obama deveria abraçar completamente o legado económico de FDR e introduzir um novo New Deal” como sendo a pedra angular da sua política económica, e tão rapidamente quanto possível. É o Presidente Obama um outro Franklin Roosevelt, pronto para embarcar numa forma radical para  refazer o país ao nível político e económico?

(continua)
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