Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
A verdadeira lição da Grande Depressão: A política orçamental funciona
Novos ataques às políticas do New Deal de FDR alimentados por ideologias velhas – e desacreditadas
Marshall Auerback
Senior Fellow at the Roosevelt Institute.
30 de Agosto de 2012
http://www.rooseveltinstitute.org/new-roosevelt/real-lesson-great-depression-fiscal-policy-works
TERCEIRA PARTE
(conclusão)
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A recaída provocada pelas medidas de austeridade
E sobre a recaída em 1937/38, o que dizer? Por volta de 1936, muitos economistas e especialistas financeiros (nomeadamente o Secretário de Estado do Tesouro de FDR, Henry Morgenthau) temia que o país pudesse ir à falência se o governo mantivesse o défice pela despesa (será que soa a qualquer coisa de familiar?). E depois de tudo, eles argumentavam, os défices governamentais tinham “bombeado ” a economia. O sector privado poderia agora expandir-se por conta própria e voltar para valores muito próximos do nível de pleno emprego de 1928-início de 1929.
Consequentemente, Roosevelt passou (em 1936) por uma plataforma em que ele iria tentar reduzir, se não eliminar, o défice. Ele ganhou a eleição por um “deslizamento de terras” – compreensivelmente, uma vez que os EUA estavam fora da situação de depressão em 1937. Fiel à sua promessa de campanha, os gastos do governo foram cortados significativamente em 1937 e 1938, e foram criados impostos para “financiar” o novo programa de segurança social. Em 1938 Roosevelt apresentou um orçamento em que o défice estava praticamente eliminado (0, 1% do PIB). A recaída económica daí resultante, baseada nos esforços feitos para equilibrar o orçamento, foi agravada por uma política monetária recessiva e sem sentido aplicada pelo FED e devidamente aplicada.
Isto não deve surpreender ninguém. Qualquer tipo de austeridade orçamental durante um período de abrandamento económico, quer seja através de cortes nos gastos governamentais quer seja através de impostos mais elevados, de facto, deprime a actividade económica.
Mas a outra lição da Grande Depressão é que a política orçamental devidamente orientada e centrada na criação de emprego pode funcionar e ter sucesso. A Grande Depressão foi realmente uma terrível calamidade humana, mas o New Deal de Franklin Delano Roosevelt (incluindo as políticas de salários elevados) atenuaram esse brutal desastre que foi a Grande Depressão. Não há nada que possa reclamar e “mostrar” que as intervenções feitas tornaram as coisas as coisas ainda piores, a não ser quando o próprio Roosevelt capitulou perante as velhas e cansadas forças do conservadorismo financeiro e da austeridade orçamental e aí foi a economia que pagou o preço.
Felizmente, FDR não estava ideologicamente feito com as ideias da austeridade orçamental e rapidamente mudou de rumo. Para isso ajudou, é claro, o facto de que o seu gabinete estava bem representado por figuras progressistas, como Frances Perkins, Wallace Henry, Harold Ickes e Hopkins Harry, que superaram as forças do conservadorismo económico simbolizado e representado pelo Secretário de Estado do Tesouro de FDR, Henry Morgenthau. Precisamos desse tipo de forças progressistas na actual Administração, especialmente dada a recente renúncia da Presidente do Conselho de Consultores Económicos, Christina Romer. É hora de deixarmos r a velha ideologia quando até foi ela que criou a crise actual. Hoje, esperamos que o presidente Obama, como o fez FDR antes dele, muda de rumo e muito rapidamente. A América está pronta para um novo New Deal.
Marshall Auerback is Senior Fellow at the Roosevelt Institute.
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Para ler a Segunda Parte deste trabalho de Marshall Auerback, publicado ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
