TEMPO PARA UM NOVO NEW DEAL, por MARSHALL AUERBACK

Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota

PARTE X
(CONCLUSÃO)

São estes factos que devem estar gravados e que merecem primazia na mente da nova Administração. Tem-se tornado politicamente na moda andar a berrar  contra os gastos governamentais e exigir  a responsabilidade e o rigor orçamental. Mas neste momento, as preocupações com o défice orçamental devem ser colocadas em segundo plano. Um facto adquirido é que o Presidente acompanhado por uma grande maioria democrata em ambas as casas do Congresso,  vai encontrar claramente uma menor  oposição instintiva contra a despesa do que é habitual mas, todavia, terá de enfrentar um coro de vozes convencionais alertando-o que será responsável pelos grandes défices que o governo  possa vir a contrair e a constatarem-se  no próximo ano  e que serão vistos como défices inaceitáveis. Advém que a maior parte da população também será cautelosa: os americanos estão sempre céticos relativamente a iniciativas governamentais ambiciosas. Fazendo uso das palavras do historiador Louis Hartz, este é um país fundado no  liberalismo à John Locke.  Mas, como o descobriu Roosevelt quando foi eleito,  uma crise nacional, criou uma vontade popular para manter vivas as grandes e importantes  iniciativas. Repare-se que o atual Presidente não vai enfrentar agora adversários tão duros e violentos como os Jimmy Carter e Bill Clinton tiveram de enfrentar. O Partido Republicano está dividido e desmoralizado depois das eleições e tal como a Grande Depressão  assumiu a proibição e as outras grandes questões sociais da década de 1920   fora   da agenda popular, esta crise tem deixado de lado a guerra cultural das últimas décadas, o que  não terá sido pura e simplesmente,  um fator relevante na eleição presidencial.

Se, no entanto, Obama e os democratas seguirem  os conselhos de Washington, caminhar devagar – dando pequenos passos, pequenas reformas  apenas, envolvendo-se em compromissos com os seus adversários, acabará por  prolongar  a recessão e desacreditar-se-á a si-mesmo.  O que poderia ter sido um realinhamento difícil pode-se tornar não apenas um realinhamento suave, mas talvez até mesmo um alinhamento falhado. Este  não é o tipo de mudança de que a América precisa e deseja .  Tal como FDR, o presidente Obama deve ignorar esse coro. Agir responsavelmente neste momento responsável, é conceder à economia a ajuda de que ela necessita. Agora não é o momento de se preocupar com o défice orçamental. É tempo para um novo New Deal. 

Considerações finais

Os revisionistas mais extremistas da teoria económica dita supply-side afirmam agora que Roosevelt não deveria ter estabilizado os preços dos bens alimentares nem deveria ter financiado, através de projectos de obras públicas, os prejuízos das cheias e o controle sobre as secas assim como a  electrificação rural, uma vez que teria sido melhor opção deixar morrer de fome essas pessoas que optassem por ficar na mesma região afetada por estes desastres naturais, ou simplesmente deixá-las migrar para as cidades, onde, possivelmente uma geração mais tarde, poderiam ter padrões de vida mais elevados. Esta é a lógica e o pensamento económico da chamada Escola Austríaca, levada ao seu extremo mais perverso. Se tivesse guiado pelas guias politicas da escola austríaca,  teria colocado Roosevelt na mesma categoria em que se enquadra Estaline e Mao relativamente  à reforma agrária.

Três imagens para esta nota:

Auerback - XXLegenda: Depression: Breadlines:long line of people waiting to be fed: New York City: in the absence of substantial government relief programs during 1932, free food was distributed with private funds in some urban centers to large numbers of the unemployed.

Campo para mulheres desempregadas inseridas nos programas New Deal:

Auerback - XXI Federal Emergency Relief Administration: FERA camps for unemployed women. Negro camp in Atlanta, GA.
Auerback - XXII Legenda: Civilian Conservation Corps enrollees clearing the land for soil conservation. 

Referências Bibliográficas

Bernanke, Ben “Deflation: Making sure ‘it’ doesn’t happen here” http://www.federalreserve.gov/BOARDDOCS/SPEECHES/2002/20021121/default.htm
Speech before the National Economists Club, Washington DC, Nov. 21, 2002

Darby, Michael R.,  “Three-and-a-Half Million U.S. Employees Have Been Mislaid: Or, an Explanation of Unemployment, 1934-1941,” Journal of Political Economy 84, no. 1 (February 1976): 1-16.

Davidson, Paul, “How to Solve the US Housing Problem and Avoid a Recession: A Revived HOLC and RTC” – Schwartz Center for Economic Policy Analysis: Policy Note, January 2008

Ferguson, Thomas and Robert Johnson,  “Bridge Loan to Nowhere?”, The Nation, Sept. 24, 2008
Goodwin, Doris Kearns, “No Ordinary Time: Franklin and Eleanor Roosevelt: The Home Front in World War II” (Simon and Schuster, Oct. 1995)

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Galbraith, James K.  “A Critique of the Geithner Program”, unpublished, Jan. 28, 2009

Lebergott, Stanley, Manpower in Economic Growth: The American Record since 1800 (New York: McGraw-Hill, 1964), table A-3.

Leuchtenburg, William, “Franklin D Roosevelt and the New Deal”, Harper Perennial, July 1963
Margo, Robert A. “The Microeconomics of Depression Unemployment,” NBER Working Paper no. 18, December 1990.

Michael R. Darby, “Three-and-a-Half Million U.S. Employees Have Been Mislaid: Or, an Explanation of Unemployment, 1934-1941,” Journal of Political Economy 84, no. 1 (February 1976): 1-16.
Cited in Darby, 3; Lebergott, 184-5.

Robert A. Margo, “The Microeconomics of Depression Unemployment,” NBER Working Paper no. 18, December 1990.

Stanley Lebergott, Manpower in Economic Growth: The American Record since 1800 (New York: McGraw-Hill, 1964), table A-3.

Wrestley, Christopher, “The Roosevelt Nobody Knows” http://mises.org/article.aspx?Id=813&FS=The+Roosevelt+Nobody+Knows, Oct. 29, 2001

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Para ler a parte IX deste trabalho de Marshall Auerback, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a :

http://aviagemdosargonautas.net/2013/11/12/tempo-para-um-novo-new-deal-por-marshall-auerback-9/

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