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POESIA AO AMANHECER – 317 – por Manuel Simões

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VIRIATO DA CRUZ

( 1928 – 1973 )

            POEMA À TERRA

 

            Tal qual o céu se me aproxima no espelho dos lagos,

            não preciso subir aos longes metafísicos

            para a boa conduta humana conhecer

 

            – basta-me olhar-te, ó Terra!

 

            São exemplo de solidariedade

            os grãos de areia que da base ascendem

            para o espanto olímpico das alturas dos cumes…

 

            E o abraço universal dos rios, enlaçando

            vilas, aldeias e cidades

            campos e países,

            dá-me a lição da fraternidade…

 

            E a beleza harmónica dos plainos pontilhados

            de plantas várias e variegadas flores,

 

            e o amor aberto nos cálices abertos esperando

            o amplexo do pólen vindo

            quer num verso musical do vento

            quer na paleta voejante

            das asas-íris de uma borboleta,

            e a infância cuidada e doce das árvores nos frutos,

 

            – de onde vêm, de onde vêm senão, ó Terra,

            do seres o berço de todos,

            o regaço de todos

            a Mãe ubérrima livremente dadivosa e igual – de todos?…

 

            Oh!

            Oh Terra! Oh Terra, oh nossa Mãe Terra…

            (de “Poemas”)

Animador do “Movimento dos Novos Intelectuais de Angola” e do grupo de “Mensagem” (Luanda). Em 1962 abandonou o cargo de segretário-geral do MPLA, exilando-se em Pequim, onde faleceu. Apesar da sua produção poética ser exígua, é dos autores angolanos mais antologiados, por exemplo em “Antologia Temática da Poesia Africana.l” (1975), organizada por Mário de Andrade. Publicou “Poemas” (1961). É o autor do conhecidíssimo e inspirado poema “Namoro”, musicado e interpretado por Fausto, depois cantado também por outros.

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