Tal qual o céu se me aproxima no espelho dos lagos,
não preciso subir aos longes metafísicos
para a boa conduta humana conhecer
– basta-me olhar-te, ó Terra!
São exemplo de solidariedade
os grãos de areia que da base ascendem
para o espanto olímpico das alturas dos cumes…
E o abraço universal dos rios, enlaçando
vilas, aldeias e cidades
campos e países,
dá-me a lição da fraternidade…
E a beleza harmónica dos plainos pontilhados
de plantas várias e variegadas flores,
e o amor aberto nos cálices abertos esperando
o amplexo do pólen vindo
quer num verso musical do vento
quer na paleta voejante
das asas-íris de uma borboleta,
e a infância cuidada e doce das árvores nos frutos,
– de onde vêm, de onde vêm senão, ó Terra,
do seres o berço de todos,
o regaço de todos
a Mãe ubérrima livremente dadivosa e igual – de todos?…
Oh!
Oh Terra! Oh Terra, oh nossa Mãe Terra…
(de “Poemas”)
Animador do “Movimento dos Novos Intelectuais de Angola” e do grupo de “Mensagem” (Luanda). Em 1962 abandonou o cargo de segretário-geral do MPLA, exilando-se em Pequim, onde faleceu. Apesar da sua produção poética ser exígua, é dos autores angolanos mais antologiados, por exemplo em “Antologia Temática da Poesia Africana.l” (1975), organizada por Mário de Andrade. Publicou “Poemas” (1961). É o autor do conhecidíssimo e inspirado poema “Namoro”, musicado e interpretado por Fausto, depois cantado também por outros.